Eu Amo meus Inimigos
A vida me trouxe você e sem temor algum te levou de volta
Levou para onde não mais, meus braços, pudessem te abraçar
Levou muito e deixou tão pouco
Uma ilusão de um acaso, um sim, um não, um talvez.
Escapei com vida dos meus piores momentos.
Sufoquei minha voz. Por vezes, esqueci meu riso. Lágrimas caíram sobre o meu rosto. Me dediquei, tropecei, sofri. Porém, ainda assim, se vive. O coração bom, perdoa. Mas, minha memória não esquece à toa. Sem opção, procuro abrigo para uma memória que pouco falha, um coração que sempre perdoa e uma vida, que não sabe de tudo, mas aprende a cada passo que dá.
Meus olhos têm estado voltados à generosidade da poesia que brotou na minha vida... Desde que nasci! Não que eu não tenha enfrentado espinhos. Sim, os enfrentei. Os enfrento. E vez ou outra ainda me espeto. Mas é na beleza das rosas cultivadas – e que desabrocham todo momento no jardim da minha vida – que têm tido morada minha atenção e sentimento.
Que meus versos, incertos, – mesmo quando lidos aos avessos – componham histórias de paz. Produzam versões de amor infinitas e tudo mais que à alma apraz.
Agora sei que não possuo sabedoria alguma e me encho de rancor em ver meus semelhantes brigando pelo que é certo e justo, sendo que esses são meros zumbis desfrutando de seus prazeres instantâneos.
É uma lastima considerável querer mudar a natureza da massa, mas é nossa missão nunca desistir de trilhar o caminho da liberdade, fraternidade e igualdade.
Caro Futuro
Caro futuro,
Não me julgue pelos meus erros,
Nem pelos meus acertos.
Simplesmente, não me julgue.
Deixe que meus pecados rudimentares se contrastem com meus acertos infalíveis e meus protestos imorais.
Impeça, a todo custo, de que eu caia em qualquer abismo que cause a meus amigos sofrimento e dor.
Permita que nos meus campos cresçam rosas coloridas,
E que nos últimos dias da minha vida elas invadam minha alma sem o menor pudor.
Caso uma avassaladora peste me dominar, me abandone aos enganos do mundo e ao relento, para que alguém possa ter algum contentamento.
Que não saiba de minha súbita queda,
mas se lembre eternamente de nossos melhores momentos.
Caro futuro, lhe peço mais uma coisa:
Que as coisas que me motivam hoje, me transformem em outra pessoa.
Acharam que encontrariam meus olhos inchados de chorar?? Que nada, estão até maquiados com purpurina!
Ainda que as decepções continue a acontecer, jamais irei desistir de meus ideais e convicções. Quem luta sente o prazer da vitória.
O Tempo, meus amigos, o Tempo está roubando coisas de mim. Tamanha veemência e desatino, me lembram muito bem que, anos atrás, não era assim. O Tempo tem me ultrapassado, descompassado, fingido não se passar por mim. Decidi ter uma conversa com o Tempo para atarmos uma relação agradável e pedir mais uma vez que ele não me deixe apenas no passado.
Eu perguntei:
- Ríspido, o que tens contra mim?
O Tempo me respondeu:
- Estou farto de ser descuidado e ser usado como desculpa, fingindo que não me tem. Estou cansado de ser perdido em horas em vão. Estou cansado de ser perdido! Se você não tem tempo, tenha tempo para mim.
O Tempo, meus amigos, o tempo está roubando coisa de mim. Nesse nosso relacionamento, já dei adeus ao fôlego, às lágrimas, aos agouros; tamanha veemência e desatino, lembro-me muito bem, ainda não teve fim.
Gosto de sentir esta melancolia, a loucura por entre os meus dedos e sentir os fios dos meus cabelos. Me sinto viva!
