Eterno
O AMOR NÃO PRECISA SER ETERNO PARA TER SIDO INFINITO
Não amamos porque acreditamos que será eterno; amamos porque, enquanto existe, é verdadeiro. Talvez tenhamos passado tempo demais confundindo amor com permanência, como se somente aquilo que chega até o fim pudesse provar que um dia foi verdadeiro. Mas a vida não funciona assim. Há coisas que duram uma existência inteira e nunca chegam a tocar profundamente a alma, enquanto outras atravessam nossa história por alguns anos, alguns meses, às vezes por um único instante, e deixam dentro de nós uma eternidade.
O tempo mede a duração das coisas, mas não mede a profundidade delas.
Um abraço pode durar segundos e permanecer conosco durante décadas. Uma conversa pode acontecer numa tarde qualquer e mudar para sempre a maneira como enxergamos o mundo. Uma pessoa pode caminhar ao nosso lado apenas durante uma parte da estrada e, mesmo depois de partir, continuar existindo na pessoa que nos tornamos.
Talvez esse seja um dos grandes equívocos humanos: acreditar que o fim de alguma coisa invalida tudo aquilo que veio antes.
Não invalida.
Uma história que terminou não necessariamente foi uma mentira.
Um amor que acabou não necessariamente deixou de ter sido amor.
Uma presença que se transformou em ausência não apaga os dias em que foi companhia.
E uma despedida jamais possui o poder de voltar ao passado e destruir aquilo que foi verdadeiro.
Somos nós que, feridos pelo fim, às vezes tentamos reescrever o começo.
Dizemos: “Se terminou, então nunca valeu a pena.”
Mas talvez tenha valido justamente porque aconteceu.
Talvez o valor de uma experiência não esteja na promessa de permanecer, mas na capacidade de nos transformar enquanto permanece.
A própria vida nos ensina isso o tempo inteiro.
Nenhum pôr do sol permanece no horizonte para provar que foi bonito.
Nenhuma primavera exige eternidade para justificar suas flores.
Nenhuma música precisa tocar para sempre para nos emocionar.
E nós mesmos somos passageiros.
Como poderíamos exigir eternidade justamente daquilo que nasce entre seres feitos de tempo?
Amar, portanto, talvez seja um dos atos mais conscientes de coragem.
É olhar para alguém e, mesmo sem possuir qualquer garantia sobre o amanhã, escolher dizer: hoje estou aqui.
Não porque sei quanto tempo teremos.
Não porque tenho certeza de que nada mudará.
Mas porque aquilo que sinto neste momento é verdadeiro.
E talvez seja isso que torne o amor tão assustador e tão belo.
Quem ama verdadeiramente aceita, mesmo sem perceber, a possibilidade da perda.
Aceita que um dia o abraço poderá faltar.
Que a cadeira poderá ficar vazia.
Que a voz poderá sobreviver apenas na memória.
Que certos lugares poderão doer porque alguém já esteve ali.
Mas ainda assim escolhe amar.
Porque viver tentando evitar toda futura saudade seria também evitar todas as grandes presenças.
E então chegamos ao paradoxo mais bonito do amor:
aquilo que não conseguimos conservar para sempre pode permanecer para sempre dentro de nós.
Há pessoas que partiram e continuam participando de nossas decisões.
Há amores que terminaram e ainda vivem na delicadeza que aprendemos com eles.
Há mãos que já não podemos tocar, mas que continuam, de alguma maneira inexplicável, segurando partes de nossa história.
Talvez a eternidade do amor nunca tenha significado duração.
Talvez signifique consequência.
Signifique poder dizer: “Depois de você, alguma coisa em mim nunca mais voltou a ser como antes.”
Isso é permanecer.
Porque algumas pessoas não ficam em nossas vidas.
Ficam em nós.
E talvez seja por isso que não devemos perguntar apenas quanto tempo um amor durou.
Devemos perguntar o que ele fez conosco enquanto existiu.
Se nos ensinou ternura.
Se nos tornou mais humanos.
Se nos fez conhecer uma parte de nós mesmos que desconhecíamos.
Se houve verdade naquele abraço, naquela espera, naquele cuidado, naquele simples desejo de que o outro estivesse bem.
Se houve, então aconteceu.
Foi real.
Foi nosso.
E nenhum calendário poderá diminuir isso.
Um dia tudo aquilo que hoje seguramos terá que ser solto. Essa é uma das poucas certezas que a existência nos oferece.
Mas até esse dia chegar, temos uma escolha:
podemos passar a vida com medo de perder ou podemos ter coragem de viver profundamente aquilo que ainda temos.
Eu prefiro acreditar na segunda possibilidade.
Porque talvez, no final, a vida não nos pergunte quanto conseguimos conservar.
Talvez apenas nos pergunte:
“Enquanto esteve em suas mãos, você soube amar?”
E se pudermos responder que sim, talvez finalmente compreendamos:
o amor não fracassou porque terminou.
O amor cumpriu sua existência porque, enquanto esteve ali, foi verdadeiro.
Muitos ouvem o que é novo, poucos sentem o que é eterno. Se as músicas de hoje não me tocam, é porque meu coração só aceita o que é autêntico.
Dizer adeus dói, mas aceitar que não somos mais os mesmos dói ainda mais. Siga em paz, meu eterno ex-amor.
Quem disse que o amor precisa de um altar para ser eterno? O verdadeiro laço não é o que o mundo vê, mas o que a alma sente. Podemos estar em cidades diferentes, mas habitamos o mesmo pensamento; a distância separa corpos, mas nunca dois corações que decidiram bater no mesmo ritmo.
Se te amar é sonhar, eu aceito o cansaço eterno. Acordar seria perder a única parte do meu dia que realmente vale a pena.
O poder é temporário, transitório e, sobretudo, efêmero. Nenhum trono é eterno, nenhuma coroa é perpétua e nenhuma posição de prestígio está imune à ação implacável do tempo.
AO MEU ETERNO PAI 🤍
Senhor, por toda a verdade que me revelaste, eu Te agradeço.
Por cada dia em que me guiaste, mesmo quando eu não compreendia o caminho.
Por cada noite em que enxugaste minhas lágrimas, mesmo quando ninguém sabia que eu estava chorando.
Por cada batalha em que me sustentaste, quando minhas próprias forças já não eram suficientes.
Obrigada por permanecer.
Obrigada por me mostrar que, mesmo nos lugares mais escuros, a Tua luz nunca deixou de existir. Por me ensinar que algumas portas fechadas eram proteção, que alguns silêncios eram respostas e que algumas esperas estavam preparando o meu coração para aquilo que eu ainda não conseguia enxergar.
Meu Pai, eu olho para trás e percebo quantas vezes o Senhor esteve comigo.
Quando eu pensei que estava sozinha, Tu estavas ali.
Quando eu não sabia o que fazer, Tu me conduzias.
Quando meu coração estava cansado, Tu me sustentavas.
Quando eu não entendia os Teus caminhos, ainda assim a Tua mão permanecia sobre mim.
E hoje eu só consigo dizer:
Obrigada.
Obrigada por tudo o que me permitiste viver, por tudo o que me ensinaste, por tudo o que me livraste e até por aquilo que ainda não compreendo.
Eu não quero apenas receber as Tuas bênçãos.
Eu quero a Tua presença.
Não quero apenas conhecer as Tuas obras.
Quero conhecer cada vez mais o Teu coração.
Que a minha vida Te honre.
Que minhas palavras Te glorifiquem.
Que meus passos permaneçam no Teu caminho.
E quando chegar o último dia da minha caminhada nesta terra, que eu possa olhar para Ti e dizer, com toda a minha alma:
Eu Te amei. Eu confiei em Ti. Eu permaneci contigo.
Meu eterno Pai, meu refúgio, meu amor maior.
Por Ti, para Ti e contigo, por toda a eternidade. 🤍✝️
A Brevidade Que Impacta: Quando O Desabrochar Se Torna Eterno
O seu desabrochar foi muito esperado como uma notícia maravilhosa que não chega antes e nem depois, mas sempre no momento certo e nunca de um jeito fácil.
Linda rosa, cujos espinhos foram superados e agora fazem parte da sua proteção, razão de cada pétala ser tão admirável, pois foi compensada a sua determinação.
Esse seu triunfo é temporário e em breve, ela deixará de existir; todavia, já causou impacto suficiente para ser transformada em poesia e, assim, a sua presença será permanente.
Na minha humilde concepção de poeta, acredito piamente que o verdadeiro artista se torna eterno através da sua arte assim como a linda arte de Van Gogh que permanece viva, emocionando e sendo retratada a partir de um pequeno quadro, apaixonante com cores vívidas, detalhado com muito capricho entre traços e tintas
Um tipo fascinante e raro de eternidade que continua inspirando e mexendo com o imaginário, tanto de admiradores quanto de outros artistas, então, um desabafo por mais triste que seja, pode ganhar uma nova roupagem, quando essencialidades distintas se misturam e viram um sol durante as tempestades,
Vejo o tempo e essa sua relatividade no “A Noite estrelada”, que ainda inspira com a sua luminosidade de um céu exuberante particular, criada por uma mente caótica, antiga, usando as emoções e algumas pinceladas, motivadas fortemente pelas aspirações de uma alma muito expressiva, resultando numa expressão artística sem palavras
Qualquer comparação com os meus poemas chega a ser injusta, no mínimo, inadequada, porém, sabendo que tudo nesta vida é passageiro, inclusive, a minha existência, que também é temporária, às vezes, desejo de forma ousada ser eternizado por meio dos meus versos, proporcionando bem mais do que uma simples leitura, um baita privilégio.
"Um erro que as pessoas cometem é se esquecerem de que ninguém é eterno; consequentemente, nada é eterno, apenas nossas dívidas."
Poema "O Molusco" , uma crítica política marcante
O Molusco quer ser eterno,
A Morte dele foge;
O Molusco está com o inferno,
De muito ódio ele arde!
O tempo nos lê todos os dias
a lei enérgica do eterno retorno
e nem a didática foge à regra:
repetições,ponteiro do relógio
e onomatopeias do tempo:
guerra, paz, guerra, paz,
guerra, paz, guerra, paz,
guerra, paz, guerra, paz
Lisa Alves — Arame Farpado (2015
