Estranho
sim eu serei ruim, estranho e nada confiável, quando o que souber sobre mim vier da boca dos outros.
Costumo saber coisas terríveis a meu respeito que nem eu mesmo sabia.
Da primeira vez
Que você chorou bem na minha frente
Senti meu peito vibrar tão estranho
Dali pra frente pensei mais na gente
Como um só
Da primeira vez
Que deitei meu corpo junto ao corpo teu
Entrelaçando o teu cheiro ao meu
Dali pra frente pensei mais na gente
Como um só
Não há mais nada que me refaça
Que me carregue pra longe daqui
Não há mais tempo, nem argumento
Que me convença a parar de sentir
Que eu te amo tanto
Que viveria anos
Esperando sempre
Por você
Que eu te amo tanto
Que viveria anos
Esperando sempre
Por você
O estranho na cidade
Para onde quer que eu olhe
Só vejo sujeira
No céu, a poluição
No chão, fezes e poeira
O cheiro do esgoto
Arranha minhas narinas
Enquanto o grito das buzinas
Destroça meus ouvidos
Uma criança pedindo
Um viciado cheirando
A polícia espancando
Outro mendigo
Paredes pichadas
Ruas esburacadas
Os bichos revirando
O lixo de cada canto
Outdoors e painéis de neon
Iluminam a podridão
E em alto e bom tom
Imploram por nossa atenção
Observamos de baixo
Os monumentos dos poderosos
E sob o cimento
Os corpos dos que os ergueram
Sabe o que é estranho
É que eu sei que você vai voltar com um não
Porque foi como foi com a mínima certeza das suas
Outras vezes
Porque essa seria diferente?
Às vezes é estranho
Eu ficar me achando
Mas eu tenho que
Me achar mesmo
Preciso me achar
Aonde estou?
Quem sou eu?
Estamos num tempo muito estranho: muito discurso de misericórdia para criminosos, e quase nenhum perdão para pessoas de boa índole quando cometem erros não graves! E pior: encontrar isso no meio "comunitário eclesial".
ESTRANHO NÃO É O POETA
O poeta chega, o poeta pensa
O poeta chora e repensa
Afinal o poeta seria ele se não sofresse?
O poeta seria ele se não chorasse?
Às vezes os poetas não podem ver,
mas não é proposital,
para o poeta não ver é fundamental.
O poeta, ele fica feliz em crer.
O poeta consegue traduzir os olhares,
o poeta consegue levar ao papel ódio, amor e motivação,
Mas às vezes não...
Mas quando consegue, escreve aos montes.
O poeta é um ser estranho,
ou estranho é ser um poeta?
Não, não é estranho ser poeta, é um ganho,
é uma dádiva do planeta.
Fim, estranho uma frase começar com essa palavra, com significado triste e profundo, tendo como esperança que, apenas é o inicio de um novo ciclo.
Sumo segredo é a VIDA.
A morte, estranho dilema.
São a chegada e a partida,
de Deus, vontade suprema.
Estrada Radiante
Tão estranho pensar nos seus olhos castanhos
Nos seus cabelos longos, liso e pretos
No sorriso largo como o lago das brisas
Essa pequena lembrança é do seu tamanho
Cabe no coração como as moléculas no oceano.
Eu quero dizer te amo, mas você não pode me ouvir
E por uma razão um dia você conseguir escutar minha voz enfim
Você deixa uma gota da sua nuvem cair em mim...
Nessa estação o verão vai ser eloquente
Eu quero a gente dentro do vulcão do destino.
Deixo você ser a erupção do meu coração de menino.
Coloca seu vestido mais colorido
e vamos passear de mãos dadas.
Pois o sonho acabou de chegar
Nas asas da esperança
Bem baixinho amada amante
Contigo a nova estrada é radiante.
Já pensou se Buda fosse mineiro?
Que estranho seria ele dizendo que pra se livrar do seu Karma, você tem que ter Carma.
Então ela abriu a porta, e percebeu que entrou na casa errada. O ambiente estranho, mobílias desarrumadas. O perfume de antes, já não exalava. Na mesa, louças quebradas, taças caídas sobre a toalha mofada.
Na parede, fotos de sorrisos empoeirados, que não se harmonizavam com a decoração.
O barulho da torneira que gotejava sobre a louça esquecida na pia. E o odor do lixo que não fora recolhido e jogado.
Então, ela fechou a porta que pertencia ao passado.
O amor é estranho, num dia você ama, no outro acabou. E o coração do outro fica pequenininho, espremidinho, pingando dor. (vrf14)
Vera Regina Silva
Não, nunca fui moderna. E acontece o seguinte: quando estranho uma pintura é aí que é pintura. E quando estranho a palavra é aí que ela alcança o sentido. E quando estranho a vida aí é que começa a vida.
Na angústia – dizemos nós – “a gente sente-se estranho”. O que suscita tal estranheza e quem é por ela afetado? Não podemos dizer diante de que a gente se sente estranho. A gente se sente totalmente assim. Todas as coisas e nós mesmos afundamo-nos numa indiferença. Isto, entretanto, não no sentido de um simples desaparecer, mas em se afastando elas se voltam para nós. Este afastar-se do ente em sua totalidade, que nos assedia na angústia, nos oprime. Não resta nenhum apoio. Só resta e nos sobrevém – na fuga do ente – este nenhum’. A angústia manifesta o nada.
AMAR
(Renata Guimarães Lima)
Tão estranho a forma de amar
Amamos e sentimos ciúmes
Ciúme muitas vezes inconveniente
O medo da perda
O medo de um dia está só
Raiva de não sermos entendidos
Muitas vezes sentimos a rejeição
Estamos loucos pela felicidade a dois
Um mundo só para nós
Não quero dominar o amor
Quero que o amor nos domine
