Espinhos
As vezes o caminho
Se torna muito estreito
Carregado de espinhos
E vai perfurando o peito
Não há caminho sem fim
E nem fim sem recomeço
Mesmo tendo um dia ruin
A noite sempre agradeço
Nasceu entre espinhos, sem direito a flor,
A infância marcada por sombras de dor.
Silêncios forçados, medo sem cor,
Crescia calada, sem mostrar o clamor.
O mundo era duro, as feridas sem fim,
Mas ela aprendeu a lutar por si.
Nos olhos, guardava o que não pôde dizer,
E na alma, um desejo imenso de viver.
Passou por abismos, cruzou vendavais,
Superou o peso de antigos ais.
Transformou o escuro em lição, não em cruz,
Fez da dor cicatriz, não um cárcere sem luz.
Hoje caminha de cabeça erguida,
Com passos de força, é dona da vida.
A vitória é dela, a honra também,
Sem buscar lamentos, sem olhar além.
Não há mais correntes, não há mais prisão,
Ela escreve sua história com o próprio coração.
E em cada vitória, um sorriso a brilhar,
Uma mulher que soube, enfim, se libertar.
Farpas de amor
Trocam farpas, olhares, espinhos,
Palavras que ferem, seguem sozinhos.
Um tentando ao outro calar, ferir,
Como se a dor fosse fazê-los partir.
Ela o acusa, ele rebate,
E entre as frases, o orgulho abate.
São dores ditas, são mágoas veladas,
São noites longas, almas cansadas.
Mas no fundo do peito, em meio ao escuro,
O que desejam é um porto seguro.
Querem a paz que só o outro traz,
No calor do abraço, no toque da paz.
Cada frase áspera, cada ironia,
Esconde o desejo de uma sintonia.
Pois sabem bem, no fundo, no fundo,
Que o amor é abrigo e silêncio profundo.
Então se olham, coração em lamento,
Sabem que o amor é também acalento.
E após as farpas, as brigas, o chão,
Renasce o amor na palma da mão.
Pois o que seriam sem esse ardor?
Sem cada troca, sem dor e amor?
Amam-se assim, sem meio-termo,
São chama e calma, lar e devaneio.
mar
Lentamente me afundo, no profundo mar de espinhos.
Lentamente me afogo, em um rio de decepções.
Estou presa no imóvel, imersivo, irreal.
Estou perdida nas águas, nadando em um vazio dentro da própria alma.
Eu não irei amar.
Eu não irei dormir.
Não irei apreciar.
Tudo o que amei, destruí
Tudo que mais admirei, já se foi.
Minha vida é como um lago, cheio de crocodilos, obstáculos.
Hanahaki
Sinto que estou vomitando flores
Rosas com espinhos
Infelizmente, isto não vai com minha dores
Apenas com meu espírito
A flor é a superfície, os espinhos são o interior e o talo da flor é o que ligar os dois.
Uma analogia sobre como nós somos
Eu amei uma rosa
Mas toda rosa tem espinhos
E os espinhos feriram
A ponto de atravessar minha alma.
Entre pétalas e espinhos, teu nome dança:
Flores que brilham na glória, flores que murcham na derrota.
Na alegria, no luto, no sussurro da vingança…
Mistérios se escondem nas raízes do tempo.
Quem és tu, Dona Flor?
A cicatriz da morte ou o perfume da vida?
Sob a superfície calma, os segredos fervem —
são atos imensos em silêncio,
são mapas de luz e ruína.
Teu véu é feito de paradoxos:
nasces do mesmo solo que consome.
És a guerra e o refúgio,
o fim que se disfarça de início.
Dona Flor:
na tua mão, um jardim de perguntas.
O que plantaremos hoje —
a semente ou o adeus?
Podemos ajudar a retirar os espinhos do quintal do vizinho. Ou reclamar das flores mortas que deixamos de cuidar no nosso próprio jardim.
"Não importa a quantidade de espinhos num roseiro, o importante é que no final, sempre haverá uma rosa ao final"
Plantar flores exige paciência, mas também saber que, no caminho, espinhos podem surgir; a verdadeira garantia está em colher os frutos
com sabedoria.
O que é uma pessoa, se não as marcas que deixa para trás? Ela aprendeu a caminhar entre os espinhos, mas não consegue evitar alguns cortes – uma lembrança, uma fotografia, um nome.
Apesar dos espinhos rudes e protetores, as rosas encantam com sua beleza e perfume. Lembre-se: seja forte, mas nunca perca a ternura.
Espinhos
Oferecer flores a quem é feito de espinhos
é como regar o deserto com a esperança de um oásis.
As pétalas caem, murcham, antes mesmo de tocar o chão,
e o que resta são apenas os vestígios de uma intenção vazia.
Os espinhos não pedem para ser suavizados,
eles existem para demarcar territórios,
para proteger o que já nasceu árido,
para lembrar que nem tudo se deixa tocar.
Talvez a gentileza não seja sempre a resposta,
talvez algumas existências só queiram ser o que são:
fortes, ásperas, impenetráveis.
E não há mal nisso.
Não insistas em transformar o que já se definiu.
Não carregues o peso de mudar o que não te pertence.
Às vezes, a maior sabedoria está em reconhecer
que algumas terras nunca foram feitas para florescer.
Já fui...
sol
tempestade
rosa
espinhos
felicidade
tormento
calmaria
tristeza
dúvida
esperança
certeza
forte
fraca
Em fim
Já tive inúmeras versões de mim!
