Espelho
Reflexos no espelho
Mesmo que veja mil formas em mim
Cada olhar é só sombra do que não tem em si
Eu caminho pelas minhas ruas de vento
Cada passo meu é poema que invento
E se me julgar pelo que faço ou deixo
É reflexo dela, não do meu desejo
Faço por mim, canto por mim
Não é culpa, não é dívida, não é fim
O mundo pode sentir, pode comentar
Mas o coração que pulsa é só meu lugar
A cada nota que solto na noite vazia
Eu devolvo ao silêncio a minha alegria
Se houver espinhos no que deixo passar
São sementes que nela vão brotar
E que veja o que falta, não o que tenho
Que a sombra do outro não apague o meu lenho
Porque cada gesto, cada fio de voz
É meu, é meu, não importa o que ela sós
Faço por mim, canto por mim
Não é culpa, não é dívida, não é fim
Que ela veja, sinta, chore ou sorria
O que eu busco é só minha poesia
Nem sempre o que você posta em redes sociais é realmente o que você é, frente a frente ao espelho. Mas o que você curte é exatamente o seu reflexo nele.
O silêncio que o homem busca está oculto no Himalaia, um espelho estéril onde o topo do mundo descobre que, para tocar o céu, é preciso dar as costas à própria terra.
Reno Fioraso
Troque suas lentes, aos poucos…
e se permita se ver no espelho sem pressa.
Existe um brilho em você
que às vezes se esconde —
não porque deixou de existir,
mas porque o medo de enxergar
fala mais alto que a coragem de sentir.
Helaine machado
“Espelho, espelho meu...”
quantas versões minhas você já viu nascer?
A menina que chorava escondido,
a mulher que aprendeu a sobreviver.
Espelho, espelho meu,
por que às vezes pareço tão forte,
se por dentro carrego tempestades
que nem o tempo consegue dissolver?
Você conhece meus silêncios,
meus medos atrás do batom vermelho,
as cicatrizes que escondo no sorriso
quando finjo não me olhar por inteiro.
Mas hoje, diante do reflexo,
não quero saber quem é a mais bela.
Quero apenas reconhecer
a mulher que renasceu depois das guerras .
Helaine machado
Quando a Saudade é Vida!!!
O tempo faz seu papel...
A bel-prazer prateia nosso espelho com o clarão da vida!
Nos mergulha na caverna escura da reflexão...
E, nas lembranças do passado deixado!!!
É...! O tempo! Viajante eterno e montaria do parasita
Cuja foice vai e vem, vai e vem, vai e vem! Sem dó!
Louvando a dor e parindo a saudade!!!!
É.......O tempo! Faz a morte...Faz a Vida...e faz a morte novamente!
Leva a vida! Mata a dor!
Traz a vida nas lembranças, na saudade!!
Na saudade de ti...mãe ausente presente...
Voz ausente...sempre presente e ETERNA!!!!
Accb/05/1997-Carlos Kau Romano
"Um espelho quebrado distorce o seu reflexo. Da mesma forma, nem todas as pessoas que se aproximam de ti te completam."
O sujeito não precisa do outro apenas como espelho que confirma sua imagem, mas como diferença que o desloca, confronta e amplia. É a alteridade que impede a consciência de fechar-se em circuito próprio. Sem esse encontro com o que escapa e contradiz, a identidade torna-se superfície repetida — lisa, estéril, incapaz de transformação. Toda subjetividade que não encontra diferença acaba apodrecendo dentro da própria imagem.
A memória é um espelho quebrado que reflete não o que fomos, mas o que tememos que sejamos. Cada gesto carregado de intenção deixa rastros invisíveis, e o mundo, indiferente, coleciona-os como quem guarda cinzas frias. No fundo, toda presença é sombra de ausência, e toda certeza, prelúdio de um silêncio que ninguém ousa ouvir.
A tristeza é um espelho que reflete o que a alegria jamais ousou tocar; e, ao contemplá-la sem medo, descobre-se que o abismo também pode ser palco de beleza.
O espelho não mente sobre nossa aparência, porém nossa alma possui reflexos que apenas os olhos da compaixão conseguem verdadeiramente decifrar e compreender.
O smartphone já não é ferramenta — tornou-se espelho opaco. Não reflete o que se é; absorve o olhar e o devolve fragmentado, filtrado, condicionado. Diante dele, o sujeito não se reconhece — se projeta, se edita, se consome. E, nesse ciclo silencioso, quanto mais se busca ver, menos se enxerga: porque o espelho que absorve não revela — captura.
Quando a sombra projeta o vigia e a parede se torna espelho e escrita, o prisioneiro decora as grades pensando ter inventado o horizonte.
Reno Fioraso
Cada pessoa conhece uma versão diferente de nós — porque não somos espelho fixo, somos resposta:
para os pacíficos, oferecemos calma;
para os que são meio arco-íris e meia tempestade, viramos céu nublado ou sol aberto;
e diante de trovões e sombras, revelamos uma agitação urgente, aquela pressa intensa de resolver tudo mesmo sem calma.
O Respeito Diante do Espelho.
A nossa evolução espiritual exige que tenhamos a mesma firmeza e delicadeza para tratar o próximo e a nós mesmos. Humilhar-se perante quem ostenta poder ou rebaixar-se diante das ilusões do mundo é esquecer que trazemos em nossa intimidade uma centelha de luz que merece ser honrada. Não devemos aceitar a injustiça contra nós com a mesma convicção com que não devemos praticá-la contra os outros. O auto-respeito caminhará sempre de mãos dadas com a fraternidade universal, mostrando que a verdadeira nobreza não se curva diante da soberba alheia e nem esmaga a fragilidade de quem está ao lado.
[Verso 1]
Olhar-se no espelho deveria ser
o mais simples gesto de amor,
não o altar secreto do ego,
nem um julgamento sobre a cor,
sobre o corpo, o rosto ou a idade,
sobre tudo o que o tempo tocou.
O espelho não conhece a alma,
só devolve aquilo que encontrou.
Mas existe um rosto atrás do rosto,
uma história atrás do que restou,
uma criança pedindo cuidado
e um adulto dizendo: “Eu aqui estou”.
O Respeito à Individualidade e o Espelho da Alma
O nosso maior erro de convivência é esperar que as pessoas ajam exatamente como achamos certo, tentando impor a nossa visão de mundo como se fôssemos os donos da verdade. Pensamos, somos e queremos que os outros nos sigam, esquecendo-nos de respeitar a individualidade e o direito sagrado do outro de ser quem ele quer ser. A verdadeira transformação espiritual não acontece quando tentamos mudar o próximo, mas quando mudamos o nosso próprio olhar. Cada alma está em um degrau diferente de aprendizado e tem o seu próprio tempo de amadurecimento. Em vez de cobrar perfeição ou impor vontades, cabe a nós o exercício da tolerância e do autoexame. Quando paramos de fiscalizar a vida alheia e passamos a cuidar das nossas próprias imperfeições, descobrimos que o respeito à liberdade do outro é a forma mais pura de amor que podemos oferecer.
Hoje é meu aniversário, mas o espelho se recusou a me devolver meu rosto. Ele reteve meu antigo eu em suas profundezas, como a água retém um sino submerso. Recebi isso como misericórdia. Finalmente, uma superfície que me lisonjeia com semelhança. Ainda assim, algo pairava ali, pálido e inacabado, com a expressão de alguém cuja alma fora entregue ao mamífero errado. Cuja boca é algo ancestral que não dizia nada de forma bela. Um manual de instruções silencioso, pré-mãe, pré-boca, pré-maçã-com-uma-mordida. coreografia que herdei de estrelas que nunca assinaram NDAs, Deus vazou através de mim em pequenos lugares ilegais. o pulso. a garganta. o hematoma sob o pensamento. o café sussurrou você não é real e eu mordi a língua por estar tão convencido. o sangue chegou com seu seu pequeno argumento vermelho. Eu pretendia ascender hoje, mas a roupa suja tinha outros planos. Lá jazia ela, em seu parlamento úmido de versões inacabadas de mim mesma, todas as minhas vestes escuras votando unanimemente contra a transcendência. Dentro de mim, uma delicada engrenagem começou a reportar de Deus a Deus, a apresentar queixas ao divino: encarnação imprópria. sensação excessiva. proximidade demais. portas demais se abrindo para dentro. O céu considerou o caso não urgente. No mercado, uma criança olhou para mim e disse: "Você não é daqui". Não perguntei onde era "aqui". As crianças ainda se lembram dos guardas da fronteira do invisível. Eu estava entre os abacates e os biscoitos sem glúten, sentindo minha antiga tristeza alienígena tentar competir com os preços dos produtos orgânicos. A caixa examinou minha aura duas vezes, recusada por densidade insuficiente. Tentei rezar, mas a oração voltou. Então, curvei-me diante da torneira mais próxima e a chamei de Deus. Ela batizou meu pulso. Santa dos pequenos vazamentos. Padroeira das mulheres encontradas ajoelhadas diante de uma torneira comum, no limite de suas forças. O tempo volta a embriagar-se, cambaleando pelo meu celular, carregando as alucinações de ontem, apagando as velas antes mesmo de as acender. A cada aniversário, ele chega com um bolo numa mão e a lâmina oculta da contagem na outra.
Eu não fui convidado para o meu próprio devir. Isso me pareceu justo. Quem pode estar presente no exato momento em que a semente se divide e a escuridão se torna raiz? Quem pode permanecer presente enquanto o invisível se revela dentro do ser vivo? O algoritmo me confundiu com um anúncio. Cliquei em mim mesma sem querer e agora devo US$ 14,99 por mês por autoconhecimento premium. Ninguém me explicou o custo da consciência. Os termos eram confusos. O período de teste gratuito durou meus trinta anos. O botão de cancelamento estava escondido atrás de uma ferida da infância. E três posts patrocinados. Para regulação do sistema nervoso. Em algum lugar Uma versão paralela de mim está rindo tanto que cai da simulação antes de seu desejo se realizar. Que bom para ela. Vou apagar as velas dela também. Apagarei as velas para cada eu que enterrei sem cerimônia. Para aquela que aprendeu a sorrir com lobos nos lábios. Que entregou sua inocência ao altar errado enquanto o quarto se reorganizava em torno do crime. Para aquela que deixou o mundo tocá-la de forma errada e ainda assim fez brotar um segundo sol sob a cicatriz. Hoje é meu aniversário. O espelho continua em branco. A torneira continua sendo um deus. A roupa suja continua formando um pequeno culto doméstico no canto. E eu estou aqui, seja lá o que "aqui" signifique. Hoje é meu aniversário. O espelho continua em branco. A torneira continua sendo um deus. A roupa suja continua formando um pequeno culto doméstico no canto. E eu estou aqui, seja lá o que "aqui" signifique. Envelhecendo lindamente no paraíso errado, viva o suficiente para perturbar o silêncio, terna o suficiente para não ser poupada de nada, rindo com a boca cheia de velas, fazendo um desejo impossível após o outro, até que toda a maldita simulação se esqueça quem programou quem.
