Espelho
Quando o púlpito vira comitê eleitoral, a cruz é trocada pelo espelho e a humildade pelo autoritarismo.
Eternamente jovem, disse o espelho mudo,
Enquanto a alma contava invernos e adeus.
Sou a flor que não murcha, mas que vê tudo
O que amou ser poeira sob céus.
O tempo me esqueceu, cruel e distraído;
Guardo um coração febril, sem ter ruga;
Mas cada beijo antigo, já partido,
É uma lágrima seca que me inunda.
Dramático fardo amar a ti, mortal,
Com este peito insone que não finda;
Sou o verso que fica após o final,
A dor que persiste, bela e infinda.
Francamente…
Vai cuidar da tua própria caminhada,
porque a minha aparência não é espelho pra tua crítica,
é só casca de uma história moldada por Deus.
Se o que vês te incomoda,
é porque ainda não aprendeste a discernir com o Espírito.
A sabedoria verdadeira não aponta dedos,
ela ajoelha e ora em silêncio.
* Dia das Crianças *
Em qual espelho
permaneceu,
mesmo que embaçada,
a imagem da tua puerícia?!...
✍©️@MiriamDaCosta
O vazio é espelho e reflete o que evitamos e, por isso, sempre volta.
Não pede fuga, pede coragem.
Pede que seja habitado sem que nos percamos.
Ele surge quando o ruído cessa, quando as distrações deixam de sustentar, quando o excesso falha em preencher o que é essencial.
O vazio é espelho. Devolve perguntas adiadas, faltas íntimas, desejos ainda sem nome.
Por isso insiste. Não aceita anestesia. Não se dissolve em distrações, não se cala com barulho, não se resolve por atalhos emocionais. Tudo o que é ignorado cobra presença.
É preciso habitá-lo sem desaparecer. Permanecer inteiro quando nada apoia. Sustentar-se quando as certezas caem. Reconhecer que não saber também é um lugar legítimo.
Quem aprende a habitar o vazio deixa de temer e descobre que ali não mora o fim, mas o início de algo mais honesto, mais real. Porque só depois do vazio é possível escolher, não por carência, mas por verdade.
E então o vazio já não afasta.
Ele revela.
O sorriso é identidade
É sinal de expressão
É um indício de alegria
É o espelho da emoção
É um gesto de leveza
Que revela a pureza
Guardada no coração
O Espelho e a Essência
A vista se encanta com a moldura,
mas o amor só nasce na leitura.
O rosto é o convite, o belo começo,
mas amar é saber o que mora no avesso.
Um olhar captura a luz da manhã,
mas só o nó do convívio torna a alma fã.
Boa noite! A sua maior beleza não é a que se vê no espelho, mas a que se sente no seu coração. Durma bem
O TEMPO COMO ESPELHO
A terra, o fogo, o ar, o mar e o tempo são espelhos da humanidade. Neles habitamos, deles nascemos, e com eles seguimos nossa eternidade. O tempo arrasta eras silenciosas, não se curva, não se detém. Cronometrado apenas por nossas mãos, ele segue indiferente ao que somos ou ao que vem.
Nós temos pressa, ele não. Nós temos fim, ele não. Toda nossa angústia é mesquinha, pois o tempo não se preocupa conosco. Ainda assim, há campos de possibilidades, onde escolhas pré-moldadas se revelam em camadas de cognição. A mente, como alquimista, formata visões do futuro, mas sempre limitada pela validade do corpo.
Em nós pulsa o passado como saudade, o presente como urgência e o futuro como miragem. Tudo grita em silêncio, um sussurro que ecoa na mente, tentando decifrar causas profundas que talvez sejam apenas reflexos do nosso próprio limite. Assim, cada fase da vida é metáfora perdida: a terra como raízes e memória, o fogo como paixão e urgência, o ar como ideias e liberdade, o mar como fluxo e eternidade.
Todas essas coisas que bordamos ou discutimos passarão. Nós também passaremos. E daqui a algumas eras, seremos apenas memórias, talvez em algum museu criado por arqueólogos ou paleontólogos. O fato é que tudo passará. E nesse horizonte de finitude, surge a pergunta inevitável: dizem que existem multiversos… Se há outros mundos, quem sou eu neles? A criança que brinca despreocupada, ou o adulto velho que senta diante do mar para ecoar lembranças? Se existe um eu em outras plataformas, gostaria que fosse melhor que esta versão aqui — mais livre, mais pleno, um reflexo alquímico de tudo que poderia ser.
Nossa bola de cristal só se transforma em bússola no trilhar do caminho. Ela mostra os oásis, provoca-nos nos arredores da vida. O tempo não tem pressa, mas é tão voraz quanto o fogo que queima a parreira. Num átimo de lucidez, eu gostaria de desvendar seus mistérios, mas no entroncamento das escolhas, qual caminho percorrer? Todos os caminhos são sólidos ou há invisíveis trilhas que seguimos sem distinguir a mão esquerda da direita?
Há um vento soprando em calmas tempestades, um verso cantado sem música, um abraço eternizado na memória pálida da viuvez. O tempo não nos acaricia, mas mostra a que veio: despir-nos de nós, trazer alento novo, abrir uma fresta, quase que dizendo — você não morrerá, só mudará de universo. Nos tornaremos uma vaga lembrança do que fomos. O tempo se encarregará disto.
#israelsoler
#filosofia
#cronicas
#presença
#amorfati
Ysrael Soler
Para um grupo seleto de pessoas, o espelho tem uma função muito nobre e incontestável: ele, simplesmente, reflete a verdade.
Quanto custa ser o que se é? Pergunta besta, mas incômoda. Quem já se olhou no espelho com a suspeita de que o reflexo sabe algo que você insiste em negar sabe: a resposta dói antes de chegar.
A culpa se aloja em cada gesto ousado, em cada palavra engolida, nos silêncios que preferimos. Ela é pegajosa, insistente, um lodo que adere à pele e ao pensamento. A liberdade, por outro lado, chega quase sussurrando e exige preço: ser inteiro, visível, irreversível.
Ser quem se é significa viver com a língua raspando as feridas da própria alma. Admitir que cada escolha, mesmo mínima, é uma cratera na qual a culpa pode se esconder — e que ainda assim, é ali que respiramos.
A culpa se veste de memória; a liberdade, de coragem. Oscilamos entre elas. Algumas vezes, a culpa nos segura pelo tornozelo; outras, a liberdade nos carrega pelo peito, nos atirando contra o céu.
Ser quem somos não é leve. Não é fácil. Não é barato. Mas o preço, cada suspiro, cada nó na garganta — vale mais que fingimento, mais que qualquer paz comprada com silêncio ou complacência.
No fim, o duelo nunca termina.
Mas existe algo de radicalmente bonito em atravessar essa colisão entre culpa e liberdade: sentir cada choque, cada fissura, cada centelha — e ainda assim continuar inteiro, pulsando, crua e irreversivelmente vivo.
"O narcisista não quer companheira, quer espelho. E quando você mostra que é pessoa, ele quebra o reflexo."
“Quanto mais se entrega sem sentir, menos se reconhece no espelho. O corpo continua, mas a alma se dispersa.”
