Escritor
“Algumas presenças não cabem no tempo.
Elas permanecem onde a memória se recusa a esquecer.”
— Sandro Gonçalves
Confiar em Deus não é apenas um ato de fé.
É também um ato de coragem.
Fé para acreditar que, no tempo d’Ele, tudo acontece como deve ser.
Coragem para, em meio às tribulações, escolher serenidade e permanecer firme na fé.
INFIDELIDADE
Dois corpos enlaçados,
Suados de paixão a arder
Dois corpos apartados,
Unidos pela dor de morrer
In «Além das Palavras»Copyright©2016
O futuro é um presente.
Há quem nunca acorde para ver o mundo crescendo bem diante dos seus olhos.
Presos a um desespero de querer consertar tudo,
achando que só assim têm propósito.
Mas esquecem que errar, falhar e temer
faz parte de aprender.
O medo é o que vem antes do crescimento.
E permanecer de pé diante dele…
é o que dá a um herói motivo para acreditar em um amanhã melhor
Tentativa
Como era doce
a ignorância que aqui me trouxe.
Prazer — chamavam-me de esperto.
Agora me proclamo louco,
talvez o único consciente.
Aqui me chamam de desobediente,
e até inconveniente.
Se lamente.
É o que faço diariamente.
Não pense.
Não tente.
Infelizmente…
do que vale pensar diferente
num mundo que escolhe
quem apenas sente?
Não é continuação.
São palavras que chegaram à minha mente,
como sempre, algo diferente.
Trouxeram uma sensação de presente —
talvez eu esteja vendo o mundo
por nova lente.
Se eu estiver nas garras do futuro,
ou nas minhas próprias — pois não sou puro —
sou mais do mesmo,
e de mim mesmo não esqueço.
Talvez por mim mesmo pereço.
Posso dizer que não mereço
Mas nem eu sei meu preço
Eu minto talvez por extinto
Por mais que não pareça eu sinto
Tentar se expressar que ironia do falar
Pior que isso só querer se encontrar
falam como se tudo pudesse mudar
Não é como se bastasse não se calar quando o mundo decide que vai falar
Por mais um aí
" O Espiritismo matou a morte. Nele é comprovado que o túmulo da morte é a vida e vida inevitável. "
O olhar estrutural sobre as relações raciais nos leva a concluir que a responsabilização jurídica não é suficiente para que a sociedade deixe de ser uma máquina produtora de desigualdade racial.
O amanhã
é o hoje
que já não mais é
e sim será
num pretérito imperfeito
do futuro
é o infinito
numa tentativa limitada
de
explicar o infinito
Podia
Podia ser uma aventura boa
Deixar de estar numa vida atoa
Ser algo mais
Que alguém
Um simples ser
Ser dois
Não fosse o deixar isso pra depois
Um ser e poesia
Podia
Deixar que o coração
Siga essa disritmia
Pra paixão a emoção de amar
Nunca é coisa tardia
Até podia ser
Talves até
Mas o vento levou
O acaso foi
Levado evidenciado pela maré
Podia
Se a atitude reinasse
Tão forte quanto a vontade
De viver de querer
Mesmo sem pensar
O pensar não deixou de existir
E o vento, a maré, o acaso
Tudo levou
E na arrebentação
Um coração talves dois
Os desencontros arrebentaram
Deixando-me assim
Poesia
Em trechos de uma sinestezia
Triste como agora, madrugada só
Depois da boemia
RISCO N’AGUA
Escrevo muito,
uma hora algo que preste,
a ser vida ou defunto,
a carne corta a gilete.
Em contradição,
vive um ser a poetar,
homem hoje, inabalável,
uma criança amedrontada,
de ontem a esperar,
no colo da mãe a chorar.
E nas cordas,
digo em plural,
pois a vida de todos
que nessa terra vivem,
é um risco na água,
feito sabor doce sem caldas,
hora doce, hora amargo,
depende do que ao destino convêm.
Seres,
todos viveres,
e nem sabereis,
como sereis,
o amanhã de sabores,
ou disabores,
amores ou dores,
apenas o agora,
sabemos no respirar,
que somos ainda seres a viveres.
VERSOS PERDIDOS
Sem saber escrevo,
sem nada que de tudo sobre,
sem nexo,
no viver inexorável de um dia,
mundo a fora,
jazigo em castigo,
fazendo a cada uma coisa,
doce amarga poesia.
Um dia,
um vinho, um chatô,
um amor, uma decepção,
uma poesia,
doce amargor de perder uma paixão.
Momentos,
realentos levados,
fazendo perdidas,
currutelas em pântanos,
poesias aladas,
dormindo em prantos.
Implicados com os poetas os pagãos de leituras,
pobres de leigos,
não sorverão de doce amargo,
poesias escritas.
PREMÍCIAS DE UMA DOCE- AMARGA VIDA EM POESIA
Na espreita a luz se acende
Alma pura em impura transcende
E viva-morta ninguém sente
A dor e o prazer de ser gente
Nesses caminhos que a inspiração leva-nos
Os poetas dormem acordados
Fogem da ilusão real
E mergulham na ireal ilusão
Dos pobres apaixonados
A história conta por si so
O eterno conto das palavras
E amargas emoções doces sabores
Deixam na garganta um nó
Que se abre em flor de meio-dia
Doce amarga poesia
Que o sol nascente some
E em versos , sentimentos se consome
Doce amarga poesia
Persistir é imoral
Quando a falta nos e fatal
Aos olhos alheios
Poetar é coisa pra imortal
E nessas primicias que les
Ves um sonho real
Miha singela
Doce amarga poesia
Brotando a cada dia
Flor mais bela do jardim da fantazia
Te sigo e te vejo sorrir
As lágrimas que choro
MINHA DOCE
MINHA AMARGA
POESIA
A CONQUISTA E A DERROTA
Coisas impessoais,
o homem que nesta vida,
entre lobos, terríveis feras,
em melindrosos disfarces cordiais,
não se julga também uma delas,
inevitavelmente vira alimento,
servido sangrando vivo,
morto sem nenhuma ferida.
Presto atenção nos hipócritas,
são gente felizes,
pois vivem o que tem de mais na vida,
essa vida foi feita,
lapidada, a quem tem o dom,
de saber não ser bom.
Em meu rascunho de vida,
vejo o melhor de tudo,
pois quando ainda,
havia alguma esperança,
e nenhuma certeza,
ho0je tenho terríveis e abomináveis certezas,
e a esperança evapora
a cada amanhecer, e entardecer.
O meio do caminho que é bom,
a busca, a luta,
a conquista e a derrota,
depois de algum tempo tem o mesmo efeito,
o efeito vazio,
um vazio gerado pela falta de um tudo,
um fruto,
verde a madurar,
pois depois de maduro,
o que se espera se opera é a podridão.
Poesias pré-fabricadas
Construir uma casa
É compor uma poesia
Quero tudo no lugar
Onde sonhei desde criança
Nada de alugar
A poesia é meu lugar
Onde deposito toda minha esperança
Quero fazer uma poesia
Compor uma casa
Construindo um futuro melhor
Num compor-me desventuroso
Aventurar-me na poesia de cada dia
As idéias me vem com força de ser
Discernimento
E é impossível
A vontade de escrever conter
Da vida social
Na eterna terna construção
Se abster
No meio dessa obra
Esse canteiro de cimento verde esperança
Indomável inspiração concreta
Doce e amarga ferrugem que corrói
Os vergalhões da saudade
De um tempo de criança
Poesias são eternas
Como as moradas eternas
Poesias se reformam
Como as casas se remodelam
Coisas que vem do coração
Geradas toda hora
De instantes descartáveis
Poesias afáveis
Pré fabricadas na alma
A poesia é o grito do inominável
é o urro do imprevisto
a poesia e o inicio
é o fim e do poeta o vício
Porquê
Escrever por quê?
No tangenciar
Dias
Bastam as letras
Porquê
Inacabadas então
Poesias
Estão
Estamos a vivenciar
Porquê?
