Escritor
Eu tô caindo fora. Tô desistindo da gente, dessa vez é sério. Tô abrindo mão de você enquanto ainda dá tempo de cuidar de mim.
Entrei naquele quarto e senti uma solidão profunda. Uma dor tão devastadora e invencível, uma mágoa inexplicável por ter sido usado por quem eu confiava muito. Fiquei tão triste, tão frágil, tão inseguro, que planejei não sair dali nunca mais. Duas horas depois de soluçar um bocado, eu dormi meio chorando.
Mas não faz desse jeito. Não me olha com essa cara de bobo e diz que me quer. Não faz a cidade inteira ficar desinteressante porque estar com você é mais surpreendente. Não transforma assim a minha vida numa coisa mais fácil e divertida. Não me deixa com essa sensação absurda de que sou feliz só porque eu tenho certeza absoluta que nenhum segundo ao seu lado é perda de tempo.
Eu chorei muito, eu pedi muitas desculpas, eu ouvi bastante desaforo, eu corri atrás, eu quis encontrar solução pra cada problema.
E pra falar a verdade, eu só queria me bater com uma única pessoa no mundo, alguém que me encontrasse com cara de balada nessas festas e me dissesse: Para de querer chamar atenção. Fica na sua, conversa com seus amigos baixinho, num cantinho, escondido. Você é bonito, inteligente e engraçado, não precisa fazer tudo isso. Eu tô te observando muito, eu tô reparando muito em você, eu sei o que você tem por dentro.
Daqui a mais ou menos quinze dias, você vai se apaixonar por mim pra valer. Você vai rir das minhas complicações. Vai aturar minha bipolaridade. Vai aceitar meus berros e meus surtos incontroláveis. Vai admitir meu ciúme. Vai segurar a minha mão e dizer: eu estou com você a todo momento. E eu, insuportavelmente encantado segundo a segundo, vou acreditar que você nunca vai enjoar de mim e nem vai embora.
Não é nada com ninguém, ou quase nada. Acho que é um problema de existência comigo mesmo. Daí eu preciso de novo ficar um pouco só.
Em um país desnutrido de VALORES, famulento de CULTURA e inanimado de esperança, LIVRO deveria ser refeição principal na MERENDA escolar e ALIMENTO indispensável da CESTA básica.
Quando pensar em
desistir dessa batalha,
lembre-se que no
campo de guerra
ainda há muita gente
lutando por você.
Todos contra o Coronavírus
Meus dias ficaram mais vazios quando você decidiu que não daríamos certo. Nada preenche a sua ausência. É como se faltasse uma peça no quebra-cabeça e nada mais pode completar.
Então foi isso que eu ouvi quando fechei os olhos: o silêncio.
O silêncio de tudo que me era desfavorável, desnecessário. De tudo que me era contrário, oposto, adverso, vulnerável. O silêncio de um coração, que mesmo pulsando fortemente pelo abismo, não me traziam sons, apenas sensação de medo e fraqueza. O silêncio que me acalmava por dentro, cicatrizando feridas de abalos imagináveis causando pelo velho eu.
O silêncio permeava como voltas sem fim.
O silêncio nada mais era que a minha aflição agoniante de está perdido no que fui um dia e que no fundo continua existindo dentro de mim.
