Escrevo
Das palavras que escrevo, tiro menos de um milésimo do que realmente quero dizer. Algo prende a essência do lamentar, não posso tirar nada frutífero do que escondo. Talvez seja esse o verdadeiro e complexo eu, que vive sorrindo e escondendo tudo, para não machucar ninguém. Cada linha que transborda no papel representa apenas a ponta de um iceberg emocional, há tanto temor de ferir quem lê que as verdades mais profundas ficam guardadas num cofre trancado pela própria insegurança. Reconhecer essa lacuna entre o que sinto e o que mostro é o primeiro passo para, talvez um dia, soltar as amarras que me impedem de expor meu eu por inteiro.
Os meus melhores poemas
são os que escrevo
quando as nossas bocas
melodicamente se unem
e as nossas línguas dançam.
Escrevo-te
Escrevo-te para silenciar a distância.
Escrevo-te a imaginação telepática
do teu beijo com a minha boca.
Escrevo-te cardíacos pensamentos.
Escrevo-te as polpas dos luares.
Escrevo-te a epiderme das reticências.
Escrevo-te este amor em carne-viva.
O Amor Sem Palavras
Escrevo para dizer-te
que o Amor não existe
dentro das palavras.
O Amor existe dentro
de silêncios que gritam.
Quando escrevo não sei o que estou a escrever, mas quando escrevo sobre ti, o Amor diz-me que é poesia.
Eu escrevo mais como um desabafo, mas as vezes eu volto a ler meus escritos só pra me lembrar da minha sensibilidade em tempos difíceis. Isso funciona como terapia até. Digo em tom de bom humor que é quase uma espécie de auto psicanálise. Além de me lembrar o quão importante é seguir no caminho do bem, mesmo que alguns tempos nos revele algumas faces mais ocultas.
Quando não sei pintar, eu escrevo; quando não sei escrever, eu pinto. E quando nenhuma dessas linguagens me basta, eu esculpo. Se não há nada para escrever, pintar ou esculpir, uso meu corpo como instrumento, expressando meu ativismo através da linguagem. Essa é a essência da minha arte: uma busca constante por comunicar o que palavras e formas não podem captar plenamente. É a tradução das profundezas do meu ser em atos criativos, sempre explorando as possibilidades infinitas da expressão.
Sou reflexo do que o homem desfaz; pinto e escrevo a memória do que resta, traços de uma criação consumida pela própria destruição.
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