Escrever uma carta a uma Criança
Chega uma fase determinada da vida, a partir da qual, a maturidade passa a ser indispensável, sendo assim, precisa estar em constante atividade num contínuo desenvolvimento para se evitar pelo menos uma boa parte do peso desagradável da própria irresponsabilidade.
Entretanto, a sanidade também tem a mesma ou talvez até mais importância e uma das maneiras de defendê-la é colocar de vez em quando a perceção madura para descansar e enquanto isso, usar o olhar de criança, aquele mesmo que é trazido desde a rica infância.
E olhando gentilmente com esta apreciação infante tão valiosa, a bela simplicidade se une com a vívida imaginação, então, é notada com mais facilidade proporcionando uma imersão maior de deslumbramento, saída momentânea da normalidade em um necessário avivamento.
Exemplificando, as nuvens no céu podem ganhar formas semelhantes a coisas familiares que se tem guardadas na memória, é possível acessar outros mundos, peceber as lições que estão em algumas páginas ou em uma simples animação que são válidas para a fase adulta, uma saudável concepção.
Portanto, que o olhar de criança não se perca com o tempo, ao contrário, que esteja cada vez mais vivo, pois às vezes o que parece ser um chapéu pode ser algo totalmente diferente, mas que seja usado no momento certo para que não venha a ser inconveniente e sim ajude a manter sã a frágil mente.
O brilho de um momento inesquecível da preciosidade da infância diante de um belo sorriso numa constância de simplicidade, que permite o lindo florescer de um regozijo demasiado, a construção de uma rica lembrança aprazível que trará muitas saudades no tempo determinado.
Vivência rara e imprescindível, cada instante é admirável, nada é exigido com uma riqueza de espontaneidade, quando o simples torna-se grandioso, a criança se alegra, a adultez renova sua vitalidade, algo valioso, amor e respeito desde os pequenos detalhes, sentimentos verdadeiros e calorosos.
Decerto, uma oportunidade singular, bastante significativa, apta para receber a sensatez de ser aproveitada com uma gratidão vívida, um abraço na alma, sensação nítida de felicidade que tanto cativa, trazendo um frescor de sobriedade, na medida certa, sem falsidade, afastando a tristeza.
Um olhar da infância, espontâneo
e curioso
numa constância de descobertas
pra quem o mundo está só começando
é uma pena que esta fase passe tão depressa,
com o tempo, vamos mudando,
mas, graças a Deus,
a vida continuará sendo uma benção
se mantivermos viva nossa criança interna.
Quero desfrutar
de cada fase da tua infância
que está passando tão depressa,
amanhã não serás mais uma criança,
confesso que sentirei um pouco de tristeza,
mas será momentânea,
pois estamos construindo inesquecíveis lembranças
que sempre poderei visitá-las
e sentir uma necessária
bem-aventurança.
Sou de muitas faces,
posso facilmente enganar,
um mestre dos disfarces,
não uso cartão de visita,
muito menos um crachá
posso ser uma criança linda,
ou talvez, um palhaço
e alguns risos arrancar
aos poucos, vou destruindo vidas
demora pra alguém, sequer, desconfiar,
mas posso ser descoberto,
tenho minhas imperfeições,
às vezes, é tarde, já tenho causado
várias perturbações,
meu principal rival Nunca Dorme,
então, sendo eu, O Mal,
também sou incansável,
seja mais precavido
e tente estar preparado.
Já imaginou como seria se houvesse um confronto entre o presente e o passado?
o entusiasmo da infância
contra o cansaço da vida adulta,
a criança ficaria decepcionada,
nem sonhava que chegaria a este ponto, que cobranças e desânimos
seriam mais frequentes,
enquanto que o adulto seria surpreendido,
nem lembrava que ela havia existido um dia,
que viver não era mais tão divertido como antes,
ambos num primeiro momento
não saberiam explicar como aquilo estava acontecendo, a razão de estarem se confrontando,
entretanto, chegariam num acordo
diante da seguinte conclusão
de que um é o reflexo do outro,
de que a vida não é feita
apenas de diversão, mas que esta
não deve deixar de existir
para que viver não seja algo em vão
e que assim, os dois possam coexistir
enfrentado juntos cada situação.
MINHA OUTRA METADE
Você veio como chuva de verão;
Me surpreendeu, encheu meus olhos de lágrimas e encharcou o meu coração de amor. De repente você foi crescendo...
E o berço já não mais lhe coube. Mas nos meus braços você ainda cabe. Assim como Deus tirou Eva da costela de Adão; você foi tirado de mim: minha outra metade. Como água; você ocupa cada espaço daqui de casa, e vai ocupando do meu peito também. Quando vejo já é noite, e você está dormindo. Nem parece aquela criança agitada de durante o dia. Você é o sonho de Deus, e eu passei a sonha-lo também.
Enquanto o mundo está se acabando lá fora, você dorme como se nada estivesse acontecendo.
Você foi crescendo e o tempo da vida foi tirando você de mim. Logo ficarei velha e voltarei a ser uma criança como tu também. E você cuidará de mim. O tempo é danado: a cada dia vai esculpindo na minha faça rugas, deixando meu cabelo da cor das nuvens. Meus olhos um dia já não mais verá você tão bem. Mas imaginarei teu sorriso gostoso sem nenhum dente...
Eu sentirei teu toque, teu cheiro, o cheiro da minha criança linda. Quero sempre ter meu rosto molhado com teu beijo...
Aparentemente, as fases mais deleitantes são as que passam mais depressa por deixarem evidente que o tempo é constante, persistente, não para um instante entre passado, presente e futuro, mudando mundos e mentes, sentimentos rasos ficam profundos, pensamentos inoportunos
e contundentes.
Seguindo nesta mudança frequente,
a infância se despede e a criança de antes cresce e passa a ser adulto
e logo os cabelos brancos aparecem,
portanto, tudo pode mudar em anos, minutos ou em frações de segundo,
não tem como evitar, o que pode ser feito é aproveitar o máximo precedendo as transições,pois não tem como voltar.
Apenas O Senhor tem o controle do tempo, humanamente não pode ser controlado, mas se for usado de forma prudente, será melhor aproveitado, a vida ficará mais consistente, terá mais valor,
um lembrete de que viver é temporário.
O forte sentimento de nostalgia é certamente inevitável quando vem na lembrança a alegria de um certo castelo mágico, que contribuiu bastante com uma parte empolgante, preciosa e passageira da minha inesquecível infância, sentado, em pé ou deitado no sofá da sala na frente da tv, foram de fato momentos significantes, que me permitiam esquecer um pouco das muitas dificuldades, de algumas fases tristes.
Então, melhorava muito os meus dias, motivando desde cedo a minha grande imaginação através de muitas curiosidades, diversas brincadeiras, diversão, lições e valores, que só depois pude compreender,o bem que a amizade é capaz de fazer, que nem toda família é de sangue, que nunca é tarde para se aprender, que a realidade felizmente pode ser adoçada enquanto a criança interior não vier a se perder.
Claro que foi um dos lugares lúdicos que gostaria de ter estado pessoalmente, convivido com aquelas pessoas queridas, personagens emblemáticos, brincar com o nino, a biba, o Pedro e o Zequinha, ouvi as histórias da tia Morgana, conversar sobre o universo com o Etevaldo, ver de perto o entusiasmo da excêntrica Caipora, as experiências do tio Victor, a Penélope toda charmosa, Bongô e o seu sorriso.
Contudo, no meu imaginário, eu estive com todos estes e com os outros neste lugar incrível, ouvi a musicalidade dos passarinhos, vi a parceria do Tíbio e do Perônio, ajudei a aprontar com o Dr. Abobrinha, até os esgotos eram divertidos, Godofredo atrapalhado e o Mau que só era rabugento, além da presença de um rato que gostava muito de banho, ainda conheci o guardião de uma linda biblioteca, o ser. Gato Pintado entre outras vivências.
Lembro gracas a Deus de tudo isso com muito carinho, nem parece que já se passaram tantos anos, tanto que continua vivo na minha mente com esta riqueza de detalhes, um reflexo bom do passado que permanece presente, envolvido pela simplicidade de uma criança alegre, que hoje sente saudades, uma consideração consistente, excelentes motivos que me fizeram fazer estes versos nostálgicos de um período que guardo na memória, pois outrora me foi dito "Porque sim não é resposta".
Ah, se eu pudesse viajar até o passado, sairia prontamente ao meu encontro, daria um conselho memorável para o meu eu criança, diria "Não tenha medo, preste muita atenção no que vou dizer, pois não tenho muito tempo, em breve, terei que voltar, então, aconselho que brinque mais um pouco ou melhor, o máximo que puder, pode ser sozinho ou acompanhado de seus amigos, mas aproveite muito esta a sua infância, não tenha pressa para ser adulto.
Considerando que esta sua fase de agora já é bastante passageira, logo será saudades, participe das brincadeiras, dê boas risadas, não desperdice seus dias chorando por causa da maldade dos outros, quando começar a chorar, seque rapidamente as suas lágrimas, também não seja egoísta, nem maldoso, mostre bondade, seja um bom filho, um bom aluno, um verdadeiro amigo,saiba que você não é inferior, nem melhor do que ninguém a não ser do que Deus.
Não se esqueça que você é um menino muito amado por um amor que não tem preço, alguém muito valioso, abençoado, motivo de muita alegria, que precisará ser muito corajoso, que Deus vai sempre cuidar de você, ainda que venha a se sentir solitário, venha a passar por momentos tristes, portanto, seja grato, use a imaginação, leia bons livros, tudo pode virar diversão, não esconda seus sorrisos, a sua empolgação, torne cada ocasião agradável em uma experiência inesquecível.
Pareço um estranho, um total desconhecido e talvez, você esteja confuso com tudo que acabei de falar, porém, conheço você muito bem e espero que você possa lembrar de pelo menos uma parte do que falei, pois chegou a hora de eu partir, sou o seu eu do Futuro. Provavelmente "Eita, como naquele filme que tem um velho, um moço e um carro que voa?", assim, responderia sorrindo "Isso mesmo, sem o carro e vim sozinho, agora voltarei, que você possa ter um grande orgulho de mim, até um dia, bons sonhos, pode voltar a dormir.
Bendita relação inexplicável, um belo marco importante, surpreendente, desafiante, incomparável desde os meses da gestação ao nascer de uma criança, quando renasce uma linda mulher e nasce uma mãe, amanhece a esperança, uma nova e forte motivação de fé, sem dúvida, uma das melhores
Seu colo será um porto seguro, seu mundo não será mais o mesmo, terá mais cores, algumas noites de sono certamente serão sacrificadas, mas provará um amor profundo bem diferente de outros que provou, que muito alegrará a sua alma, seu coração ficará mais caloroso e será felizmente uma grande morada,
O seu sorriso aparecerá mais vezes, brilharão mais do que suas lágrimas, terá uma coragem e uma força fora da normalidade com as quais não está acostumada, cada fase será significante de uma forma singular, experiências abençoadas, regradas a simplicidade, situações inusitadas, Deus presente em todos os detalhes.
Saudades de uma época não muito distante quando viver o momento era muito mais importante do que registrá-lo com alguma máquina e os melhores registros eram feitos com os olhos e bem guardados na mente,
Detalhes naturalmente cheios de amor, simplicidade, sem se preocupar com a pressão desgastante da vida adulta, vivendo o lado bom da ingenuidade, onde um simples passeio no parque podia se tornar numa aventura emocionante.
Visão cativante de mundo que chega a fazer alta em algumas oportunidades, por isso que ainda busco usar o máximo possível esse olhar lúdico de criança para aproveitar tudo de melhor ou no mínimo uma boa parte de um dia bom.
Seriedade de uma mulher determinada, inteligente, sensata, pelo menos, na maioria das vezes, mas com um sorriso bobo, desinibido de uma criança,
uma alegria que se faz presente, que já é a sua marca registrada como uma demonstração de força de quem ainda não perdeu a esperança, talvez até mais forte do que ela pensa,
uma bênção de Deus para as pessoas a sua volta, uma companhia que vale a pena, pessoa maravilhosa, portanto, aproveite se tiver a chance de conhecê-la.
Um pouco mais de natureza me faria feliz, quem sabe?
Um cavalo para afagar,
Um cachorro para rolar no chão,
Borboletas e passarinhos...
Um rio para colocar os pés,
E observar as pedras que brilham
Logo abaixo das águas cristalinas.
Um raio de sol sem pretensão,
Um tempo sem promessas,
O perfume da floresta,
Amar a quem merece,
Observar o que merece ser visto.
Não mais sonhar com o amanhã,
Só me distrair com os bichos
E ser um bicho, como eles são.
Que existe sereno no agora,
E não tem desejos,
A não ser de estar.
Um pouco mais de silêncio
E solitude me faria feliz, talvez?
Menos gente, menos gente...
Menos coisas e ideias...
Menos pressa para o abismo
Que o destino nos reserva.
Sono de melhor qualidade,
Mais céu e menos muro.
Mais natureza me faria feliz, quem sabe?
Acariciar um gato e sentir seu cheiro,
Abraçar um bezerro,
Adormecer sob uma árvore,
Sem nada para me preocupar.
Pensar menos na morte,
Sentir menos medo e saudades,
Brincar sem observar que estou sozinha.
Inocência que eu nunca tive,
Onde foste morar, antes que eu viesse ao mundo?
Coração sereno que nunca me pertenceu,
Sempre percebi tua falta.
Na minha imaginação ao menos,
Repouso sob um arco íris
Criança minha, que ficou no Céu.
“Se cuidássemos melhor das crianças e lhes déssemos mais atenção, carinho, amor… E lhes ensinassem, desde cedo, o que é dignidade, responsabilidade, autonomia, respeito, empatia, generosidade, honestidade… Não haveria tantas fobias, manias e imoralidades entre os homens”
Ney P. Batista
Oct/12/2021
O girassol e a linda menina.
Em um certo vilarejo, havia um maravilhoso jardim com várias rosas, jasmim, gardênias, violetas, cravos, copos-de-leite e um gracioso girassol.
O vento vinha delicadamente, dançando fazendo exalar o perfume das flores.
Lá só existia alegria, paz e harmonia.
Os pássaros cantavam o hino do amor e as borboletas aplaudiam com júbilo.
Ao lado corria um riacho com águas cristalinas onde os peixes transbordavam de tanta felicidade.
O sol acalentava sorridentemente iluminando o ambiente.
Porventura, surgiu de trás de uma árvore uma linda menina com seus cabelos anelados e um par de olhos parecendo dois retalhinhos do céu, que observavam o esplêndido girassol.
O girassol era de um amarelo intenso e suas pétalas de um tom alaranjado que brilhavam majestosamente.
Enquanto o girassol exibia sua elegância, a linda menina continuava a lhe observar.
Porém, a garotinha Não se conteve e foi se aproximando serenamente passando por entre os cravos, copos-de-leite, jasmim e enfim pode apreciar o girassol de perto e perceber o quão era deslumbrante.
Prontamente a linda menina começou acarinhar o girassol e dos teus lábios desabrochou um belo sorriso e o seu coraçãozinho bateu freneticamente de tanta emoção.
- Em seguida ela lhe deu um doce beijo e os teus lindos olhos azuis brilharam de contentamento.
Um pouco mais adiante, perto das rosas e gardênias estava um colorido beija-flor beijando delicadas violetas.
Para a linda menina foi inesquecível toda magia vivida naquele belo jardim que localizava-se em um vilarejo.
Foram dias fantásticos que a garotinha viveu na casas dos avós durante as férias escolares.
A linda menina morava na cidade grande e lá não encontrava o frescor da natureza, o belo canto dos pássaros e não vislumbrava flores tão brilhantes, perfumadas e muito menos um girassol tão extraordinário e magnífico igual ao que havia naquele fascinante jardim.
Crianças brincando na Internet?
Crianças empreendendo na Internet estão trabalhando?
Elas fazem conscientemente essa chantagem social ou são controladas como marionetes por interesse de outros?
Quanta credibilidade você dá para a fala de uma criança defendendo crenças de adulto?
Estamos criando pessoas saudáveis ou tudo é sobre se adaptar ao sistema financeiro?
E o sistema esta bom pra você ou tá suportando uma carga pesada pela dissonância cognitiva do arquipélago de delírios que encenas?
Eu não sou ninguém, mas sou meu proprio personagem.
Por que proíbem menores de 18 na Internet se existem crianças empreendendo?
E ficamos em casa para conseguir acabar com a Pandemia, que quer acabar com a população.
(...) Quando criança, o mais alto grau do castigo, era o confinamento: "Fica em casa e pensa no que você fez!" , em voz alta, minha mãe falava... Ecoava por toda casa. Não brincar na pracinha, me levava ao mais profundo sentimento de tristeza.
Estamos de castigo pelo que fizemos ou não fizemos...
Não temos certeza de quanto tempo vai durar...
Não sabemos quantos vão entender.
Em confinamento ou não, precisamos entender que não somos diferentes!
Muito mais do que possuir e consumir,
precisamos de empatia!!!
Que ela ecoe para sempre!
A magia do Dia das Crianças
No Dia das Crianças, somos chamados a escavar o que o tempo enterrou em nós. Crescer é como um lento naufrágio, onde nos afogamos nas correntes da rotina e no peso das horas que se multiplicam sem cor. Perdemos, entre os dedos, o assombro que outrora dançava livre em nossos olhos. O mundo, antes vasto e inexplorado, agora é uma paisagem estática, onde já não vemos a magia que as crianças respiram.
Lembro-me do dia em que observei meu filho na cozinha, como um pequeno alquimista, sorrindo ao transformar ingredientes comuns em arte efêmera. Mexia a colher com a solenidade de quem conhece segredos ancestrais, e o açúcar, dissolvendo-se, era um rio de luz. As gotas de chocolate caíam como constelações em um céu de farinha. Para ele, aquele bolo era mais que um simples bolo. Era um sonho que se formava entre suas mãos.
Nós, que já não sentimos o encanto nos gestos diários, repetimos nossos passos sem poesia. Perdemos o ritual da criação. Fazemos, mas já não criamos. Esquecemos a dança do instante, trocamos nossos olhos de espanto por uma lente endurecida, que só busca o fim, que só quer o resultado. Quando foi que deixamos de encontrar o universo em um grão de areia? Quando foi que a música da vida se calou dentro de nós?
Que neste Dia das Crianças possamos redescobrir o caminho perdido. Que voltemos a andar descalços na terra do encantamento. Que nos permitamos tocar, outra vez, a beleza das pequenas coisas – o riso de um amigo, a sombra de uma árvore no fim da tarde, o brilho de um olhar que nos acolhe. As crianças conhecem a canção secreta da vida. Elas sabem que o tempo não é uma linha reta, mas uma dança circular. Sabem que a alegria não se alcança, mas pode ser encontrada nos detalhes mais sutis.
O mundo nos ensina a sermos frios, a contarmos o tempo em segundos. Mas as crianças nos lembram que a vida se conta nos sorrisos e nos gestos despretensiosos. A criança antevê a felicidade, não espera que ela chegue para ser feliz. Elas sabem ver o voo delicado de uma borboleta como um milagre, sabem que uma flor pode conter todos os segredos do universo. Elas nos ensinam que a verdadeira sabedoria está em desaprender. Desaprender o peso, reaprender a leveza. E assim, voltar a acreditar naquilo que só o coração pode ver.
Que neste Dia das Crianças, aprendamos, assim como elas, a amar a véspera, a alegria que já habita o instante antes da chegada. Que possamos, enfim, abrir nossos corações para a inocência e para a curiosidade que nos habita, adormecida. Porque são elas que nos mostram o caminho de volta ao que sempre soubemos: a vida é um mistério a ser vivido, não resolvido. E, ao olhar novamente através de seus olhos, talvez, só talvez, reencontremos o brilho que deixamos cair ao longo da estrada.
De como me inventei
Passei meus dias em meio às coisas miúdas.
Aprendi com as borboletas a carregar nas costas o mundo,
e com os pingos da chuva, a fazer serenata no chão.
A torneira aberta dos céus
jorrava horas inteiras de poesia,
e eu, menino sem bicicleta,
inventava que as palavras tinham rodas.
Brincava de crescer pelos olhos,
onde cabia o universo e um pé de grama.
Ensinava o absurdo a se acomodar no meu quintal:
uma pedra virava amiga,
uma nuvem, brincadeira de adivinhar.
Enaltecer os ordinários era meu jeito
de me desconhecer um pouco por dia.
As frustrações, eu punha no varal.
Torcia minhas tristezas até o último soluço
e pedia ao sol que secasse tudo antes da próxima chuva.
Porque a chuva sempre volta,
mas as tristezas, se bem secas, viram outra coisa:
lençol para embalar sonhos
ou sombra fresca para esquecer o calor.
Assim fui me criando,
com as faltas vestidas de beleza
e com os vazios repletos de poesia.
Nunca esperei o fim chegar,
porque quem vive de esperar
não interage com o presente,
nem cresce pelos olhos.
Escolhi viver assim:
de mãos dadas com o invisível,
sendo mais do que sou.
Ou sendo menos.
Afinal, quem precisa de muito
quando tem o céu inteiro dentro de si?
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