Escrever
não caibo, a palavra me transforma e me transborda
a palavra me transtorna.
não saio, a palavra me devora e me devolve
a palavra me demove.
Bloqueio criativo. Já ouvi relatos de pessoas que sofrem do mesmo mal que eu.
É terrível ter algo lindo para dizer, uma ideia linda para mostrar, uma cena perfeita para descrever, e ser bloqueada loucamente por muros que te impedem por dias, meses, de encontrar belas palavras para serem postas em um papel.
Que inveja sinto do dicionário com tantas palavras derramando-se em suas folhas. Só precisa olhar para dentro dele mesmo e enxergar o que já está La. Escolher uma e usa-la. Ah! Que inveja sinto de Aurélio Buarque de Holanda..
Minha escrita não é para mim. Quando escrevo penso em quem deveria ler. Se digo algo, minhas palavras saem tão confusas quanto o pensamento. Mas se uso o lápis que desenho, desenho minhas palavras como quem imagina o momento. E tem quem olhe e diga que com ele acontece exatamente assim. Por isso repito: minha escrita não é para mim.
Se escrevemos sobre os momentos que vivemos então decididamente o paraíso que meus olhos não vêem realmente está ao meu redor.
Sou um deserto fazendo monólogos, de braços cruzados brigando com o mundo. Mas as palavras me emancipam!
Muitas pessoas se perdem em meio há um rascunho, e esquecem de passar a limpo sua verdadeira história.
Ando meio em dúvida, se sou o que escrevo ou se escrevo o que sou... Ou mesmo, nem uma coisa e nem outra.
Publicar uma poesia é o mesmo que tomar uma decisão de tornar público aquilo que você guardou para si e tinha vergonha de mostrar.
Sei que alguém já disse: É quando escrevo que me sinto livre". Contudo, essas palavras preenchem minha alma e não tem como não repetir palavras tão sábias.
Se escrevermos somente sobre: Amor, beleza e ternura; estaremos omitindo o lado cruel; contudo, real e inerente a essa vida...
