Erudito
Cerrado Erudito II
Andei sobre o cerrado
Como os bandeirantes
Pelo vale cascalhado
Tortos galhos, gigantes
De pôr do sol encarnado
Imaginei uma poesia
Como poeta do cerrado
Devaneei na tua magia
E o teu cheiro foi inalado...
Saudades, choro e alegria
Pelo memorial empoeirado
Então, como Cora Coralina
Eu cantei versos ao luar
Neste chão, e céu anilina
Pra a sedução fascinar
Aí, me curvei
Relembrei... na recordação
Da infância que aqui me criei
Espalhadas por este sertão.
Andei sobre o cerrado (...)
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
Abril, 2018
A diferença do artista para o erudito, é que o erudito faz do conhecimento o utilitário. O artista faz do conhecimento uma porta para o transcendental. O erudito usa o conhecimento como vida; o artista, como espírito.
É mais útil um pensador dizer pouco e não nos levar a lugar algum
Do que um erudito dizer muito
E nos conduzir a lugares fechados.
Fausto, o erudito que não se conforma com supostas limitações do conhecimento. Fausto, que sela com seu próprio sangue o pacto macabro com o demônio Mefistófeles, que lhe promete as maravilhas terrenas desde que o homem seja o seu servo predileto no inferno. Fausto, que derrota Mefistófeles. Fausto, que nos mostra que até demônios experientes devem temer seres humanos ordinários. E nunca o contrário.
A sapiência e a ignorância moram no mesmo lugar, pois até o erudito torna-se idiota em face a tudo que não conhece.
O tempo é o mestre que põe os líderes de sucesso sob o seu erudito e escrutínio exame de aprovação.
José Guaracir
Para Sertillanges, o verdadeiro erudito não é vaidoso com o saber, mas sim humilde diante da imensidão do desconhecido. O homem verdadeiramente belo é aquele que, em oração e contemplação, adquire luz interior — porque o brilho da sabedoria jamais se apaga com os anos.
Seu olhar de Capitu
Deixa claro como tu é traiçoeiro!
Nem um erudito como Machado,
Entendeu o seu pecado
Quem dirá meu pesadelo!
De como o autor deste erudito livro se resolveu a viajar na sua terra, depois de ter viajado no seu quarto.
Um erudito em literatura, por mais inteligente que seja, ao tentar explicar as leis físicas, equivale a um perito em assuntos terrenos tentando elucidar a ciência espiritual, sem possuir autoridade para fazê-lo.
"Eu não sou um homem erudito.
Não me debrucei sobre Machado, Zé de Alencar, Drummond ou Conceição Evaristo.
Eu só sinto.
Sinto tanto, sinto coisas que, se não externadas de alguma forma, matariam-me em um suspiro.
São só suplícios.
As vezes são súplicas por um amor que, sei que está morto, mas ao meu eu, é um Deus vivo.
Ressurreto, como o próprio Cristo.
Eu só sinto.
Sinto muito por ela não ver-me como eu a vejo, sinto por ela não compartilhar do meu delírio.
Ao leitor sou devaneios, loucuras, fantasias, mas todo aquele que me conhece sabe; sou sucinto.
Sou sozinho.
E não somos todos nós? Uns mais que outros, quando a carne, sempre acompanhada, não encontra em outra alma, um abrigo.
Quisera eu, que as lembranças passassem, como as águas serenas, do Velho Chico.
Lembro-me dos versos do grande Vercillo.
Quando em nosso abraço se fez um Ciclo.
E eu só sinto.
Sinto por não ser o que ela queria, não ser o sonho dela, não ser dela pela eternidade e não sair desse labirinto.
Talvez um dia, quando eu for só um espírito.
Quando eu for um poliglota da carne, e saber ler as curvas da beldade que é aquele corpo, como um papiro.
Ou talvez, quando eu for um sábio, letrado, talvez de posses, um homem rico.
Quiçá, talvez, quando eu for um homem erudito..."
