Erasmo de Rotterdam Elogio da Loucura

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A ignorância dócil é desculpável, a presumida e refratária é desprezível e intolerável.

Há males na vida humana que são preservados de outros maiores, e muitas vezes ocasionam bens incalculáveis.

O luxo, como o fogo, devora tudo e perece de faminto.

Das mulheres, como das outras coisas, usa; não te fies, porém, nelas.

Nada, absolutamente nada resiste ao trabalho.

Na mocidade buscamos as companhias, na velhice evitamo-las: nesta idade conhecemos melhor os homens e as coisas.

Poucas vezes quem ganha o que não merece, agradece o que ganha.

Quem é capaz de suportar tudo pode atrever-se a tudo.

Não é dado ao saber humano conhecer toda a extensão da sua ignorância.

A igualdade repugna de tal modo aos homens que o maior empenho de cada um é distinguir-se ou desigualar-se.

A imaginação exagera, a razão desconta, o juízo regula.

Despendo mais energia numa discussão com a minha mulher, do que em cinco conferências de imprensa.

A autoridade de poucos é e será sempre a razão e argumento de muitos.

A poesia é a linguagem natural de todos os cultos.

A diligência é a mãe da boa sorte.

Por mim, teria evitado casar até mesmo com a sabedoria, caso ela me quisesse.

Os homens têm grandes pretensões e projectos pequenos.

O deleite imaginado é muito maior que o gozado, embora nos verdadeiros gostos deva ser o contrário.

O que ganhamos em autoridade, perdemos em liberdade.

A vida tem uma só entrada: a saída é por cem portas.