Erasmo de Rotterdam Elogio da Loucura
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Todos os homens são bestas; os príncipes são bestas que não estão atreladas.
Há opiniões que nascem e morrem como as folhas das árvores, outras, porém, que têm a duração dos mármores e do mundo.
Onde intervêm o favor e as doações abatem-se os obstáculos e desfazem-se as dificuldades.
É tal a falibilidade dos juízos humanos, que muitas vezes os caminhos por onde esperamos chegar à felicidade conduzem-nos à miséria e à desgraça.
Há injúrias que temos de ignorar para não comprometermos a nossa honra.
Há dois poderosos destruidores: o tempo e a adversidade.
As coisas maiores só devem ser ditas com simplicidade; a ênfase estraga-as. As menores precisam de ser ditas com solenidade; elas só se sustentam pelo modo de expressão, pela atitude e pelo tom.
Os pintores só devem meditar com os pincéis na mão.
Do ódio à amizade a distância é menor que do ódio à antipatia.
Abandonando nobremente quem nos deixa, colocamo-nos acima de quem perdemos.
São sempre desatinadas as vinganças por ciúmes.
A indiferença ou apatia que em muitos é prova de estupidez pode ser em alguns o produto de profunda sapiência.
A glória só chega àqueles que com ela sonharam.
Os velhos que se mostram muito saudosos da sua mocidade não dão uma ideia favorável da maturidade e progresso da sua inteligência.
Não podemos deixar de ser difusos com os ignorantes, mas devemos ser concisos com os inteligentes.
A fortuna troca às vezes os cálculos da natureza.
O amor é um egoísmo a dois.
Pouca ou nenhuma vez se realiza com a ambição coisa que não prejudique terceiros.
O insignificante presume dar-se importância maldizendo de tudo e de todos.
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