Erasmo de Rotterdam Elogio a Loucura
Eu não vou me perder na tua loucura,
nem me curvar diante do teu vazio vulgar.
Minha essência não se vende, não se dobra,
sou raiz que cresce em solo limpo,
sou chama que arde sem se apagar.
Habito um mundo que não conhece contaminação,
onde o silêncio é sagrado
e a verdade é meu único escudo.
Não me alcançam tuas sombras,
não me ferem tuas máscaras.
Eu caminho erguido,
com passos firmes sobre a terra da minha própria criação.
Sou dono da minha paz,
guardião da minha liberdade.
E nada — absolutamente nada
vai me arrastar para fora do meu horizonte.
Hum homem fraco, implora para sentar na mesa das aparências.
Hum homem forte não mendinga atenção.
Afinal o homem tem suas próprias decisões.
O Grito da Existência
Minha loucura não condiz com minha sensatez.
Caminho na contramão do mundo,
sozinho, desafiando a ordem das coisas.
Sou louco? Talvez.
Pois poucos ainda derramam sentimentos em papéis,
acreditando que palavras frágeis
tenham o poder de abalar a imensidão da realidade.
Minha sensatez, porém, não aceita a lucidez —
essa tirana impiedosa que me sussurra,
sem compaixão:
o mundo é podre, e sempre será.
E, ainda assim, é a loucura que me sustenta.
É ela quem me obriga a crer
que, mesmo nos detalhes mais insignificantes,
residem fragmentos de bondade, amor, caridade.
Mas a tensão me consome:
quando a sensatez domina,
ela caminha de mãos dadas com a lucidez,
vasculhando as entranhas da sociedade
e só encontrando escuridão.
E, ainda assim, a loucura resiste.
Teima. Insiste.
Se recusa a ceder à desesperança.
Mesmo sob a máscara da decadência,
acredita que ainda há,
por algum fio tênue do universo,
um sopro de bondade.
Errar é humano, um desvio no mapa da existência. A falha, em si, não define a jornada. A loucura genuína, porém, nasce quando erguemos um altar ao equívoco, quando insistimos em caminhar contra o próprio rio.
É a teimosia de quem, vendo a porta fechada, insiste em arrombar a parede. A sabedoria não está na infalibilidade, mas na coragem de desfazer o nó e tecer um novo fio no tecido da vida.
Dialogar, argumentar e discordar consigo mesmo é a melhor parte, da loucura remédio para conviver com lucidez, isolado na solidão.
Toma então outra dose de loucura, ao leitar-se de tédio. Toma este homeopático remédio, para não tomar da química do ódio, tão menos as toxinas do amor.
Sou louco, enfim é verdade!
Mas antes, quero esta loucura!
Do que outro estado, sem liberdade!
Porque sou livre! Neste estado, que perdura.
Louco! Mas quem é louco?! Eu?...
Ou os outros que me perseguem?
Tu também, o és. Nesse sentir teu.
Eu sou! Mas sou, porque assim, louco me fizeram!
Tu tornas-te louco! Louco!... louco!…
Eu não. Nunca fui de outro modo…
Nasci louco e continuei… Mais um pouco!
Mas tu és louco e não eras!...
Eu sendo, sempre louco, estou amando sem medo.
Com amor de loucuras de outras, eras!
No meu mais alto estágio de loucura, me declarei normal e compreendi e aceitei como normal todas as iniquidades do mundo.
Duas coisas me levam a buscar agradá-lo: carência carnal ou loucura. Em suma, sou 99% irredutível e 1% animal.
Marca-me com ousadia o desejo
que me aprisiona.
Existem pessoas que me levam a loucura...
Ferem e beijam com a mesma boca.
💋
ₛₐᵢ dₐ ₘᵢₙₕₐ cₐbₑçₐ ₑ ᵥₑₘ ₚₐᵣₐ ₘᵢₙₕₐ cₐₘₐ.
