Erasmo de Rotterdam Elogio a Loucura
A loucura da vida que mostra verdades e mentiras torna o costume da hipocrisia social irrelevante aos olhos da razão;
Quanto maior for à loucura de amar mais fácil é o caminho da frustração
Ou quanto menor for o respeito Mais difícil à compreensão;
A minha imaginação é minha maior criatividade
E minha vida é uma loucura, faz parte da minha realidade;
O Grito da Existência
Minha loucura não condiz com minha sensatez.
Caminho na contramão do mundo,
sozinho, desafiando a ordem das coisas.
Sou louco? Talvez.
Pois poucos ainda derramam sentimentos em papéis,
acreditando que palavras frágeis
tenham o poder de abalar a imensidão da realidade.
Minha sensatez, porém, não aceita a lucidez —
essa tirana impiedosa que me sussurra,
sem compaixão:
o mundo é podre, e sempre será.
E, ainda assim, é a loucura que me sustenta.
É ela quem me obriga a crer
que, mesmo nos detalhes mais insignificantes,
residem fragmentos de bondade, amor, caridade.
Mas a tensão me consome:
quando a sensatez domina,
ela caminha de mãos dadas com a lucidez,
vasculhando as entranhas da sociedade
e só encontrando escuridão.
E, ainda assim, a loucura resiste.
Teima. Insiste.
Se recusa a ceder à desesperança.
Mesmo sob a máscara da decadência,
acredita que ainda há,
por algum fio tênue do universo,
um sopro de bondade.
Errar é humano, um desvio no mapa da existência. A falha, em si, não define a jornada. A loucura genuína, porém, nasce quando erguemos um altar ao equívoco, quando insistimos em caminhar contra o próprio rio.
É a teimosia de quem, vendo a porta fechada, insiste em arrombar a parede. A sabedoria não está na infalibilidade, mas na coragem de desfazer o nó e tecer um novo fio no tecido da vida.
Dialogar, argumentar e discordar consigo mesmo é a melhor parte, da loucura remédio para conviver com lucidez, isolado na solidão.
É melhor ser salvo pela loucura da pregação do que ser perdido pelo engano das promessas de homens mentirosos e cheios de vãs filosofias.
Toma então outra dose de loucura, ao leitar-se de tédio. Toma este homeopático remédio, para não tomar da química do ódio, tão menos as toxinas do amor.
Sou louco, enfim é verdade!
Mas antes, quero esta loucura!
Do que outro estado, sem liberdade!
Porque sou livre! Neste estado, que perdura.
Louco! Mas quem é louco?! Eu?...
Ou os outros que me perseguem?
Tu também, o és. Nesse sentir teu.
Eu sou! Mas sou, porque assim, louco me fizeram!
Tu tornas-te louco! Louco!... louco!…
Eu não. Nunca fui de outro modo…
Nasci louco e continuei… Mais um pouco!
Mas tu és louco e não eras!...
Eu sendo, sempre louco, estou amando sem medo.
Com amor de loucuras de outras, eras!
