Era
Quando eu era criança eu não enxergava tantas coisas ruins assim. Não que não soubesse da existência de algumas, e na verdade nem sabia mesmo. Meu mundo era limitado demais ao cuidado que minha mãe tinha pra que eu não me corrompesse com o que havia depois do portão.
A curiosidade que abria um leque de possibilidades sobre valores adulterados e vontades erradas me foi apresentada, em variadas doses, talvez inevitavelmente quando completei idade suficiente pra ultrapassar aquele portão por mim mesmo e me expor ao que o mundo sutilmente me ofereceria. Agora posso entender as vezes que fiquei envergonhado entre amigos ao minha mãe ir me buscar na rua depois das 21hs. Me questionava o que estaria por detrás dos pensamentos dela nessa atitude que me envergonhava enquanto eu era só um menino ansioso por sensações novas.
O que me moldou em tantos anos e se passou em frações de segundos até o presente e inexistente momento foram consequências do que decidi viver quando me desgrudei do que queriam pra mim e comecei a querer por mim mesmo. Mas o que foi ensinado, complemento do que foi herdado em conceitos de moralidade não se apaga facilmente; sabedoria bíblica nas palavras de Salomão.
Quando a gente é pequeno ouve dizer dos que puseram aqui que quando crescermos, e talvez tivermos filhos vamos entender tudo que fizeram pela gente, até as surras, palmadas, castigos. E não precisei ficar tão velho pra perceber que, mesmo não concordando com tudo, a maneira como fui criado me deixou segredos que levo até hoje e me ajudam em decisões que nem eram pra ser decisivas, já que decidimos o que de alguma forma temos dúvidas, e eu gostaria de não hesitar em decidir certas coisas quando o certo é tão óbvio, mesmo sob conceitos relativos.
Gostaria de nunca ter passado daquele portão, da mesma casa que morei a vida toda até querer ir embora e me lançar ao universo de sonhos pré-estabelecidos por uma sociedade que te faz querer coisas sem a mínima importância. Eu queria nem tá pensando nisso, eu queria minha vida de volta onde dormia despreocupado no sofá e as vezes acordava atordoado sendo levado pra cama pelos braços de quem mais se importa comigo. Não ter crescido seria, sem dúvida, o segundo pedido que eu faria se não ter nascido não pudesse ser escolha.
Pra onde for minha vida nos anos seguintes e ao que me tornar, espero, se caso depois de muita reflexão eu coloque uma criança nesse mundo tão incerto, que consiga transferir a ela em palavras e principalmente gestos e atitudes o que minha mãe me fez pensar, as vezes sem compreender, o que realmente importa. Nossa maior luta é em continuar sendo nós mesmos, se tudo a nossa volta nos pressiona a adquirir vontades que não temos e fazer o que não queremos. Somos jogados despreparados e indefesos nessa guerra de prioridades inúteis com pessoas completamente desequilibradas sob uma máscara de educação, que afogam suas solidões em álcool e vícios. São os melhores profissionais, mas vivem nos porões de suas mentes angústias e decepções que não estavam preparados a ter porque foram criados por pais ou pessoas que não se preocuparam em deixar no mundo alguém mais capaz do que eles mesmo foram. Como um círculo de desequilíbrio, um processo impossível de se impedir. E as vezes me irrito em ter que demonstrar simpatia quando estou emocionalmente instável ou triste. Viver de aparência me incomoda, o "oi, tudo bem?" das pessoas é tão falso quanto sorriso que levam no rosto quando estão na verdade desmoronando por dentro. E não confunda com pessimismo ou descrição dramática da realidade, nem sensacionalismo. Conheça um pouco do que acontece além desse mundinho de ilusões, converse com um mendigo ou um garoto de rua, com um idoso ou até mesmo leia num canto sozinho o que tá em Eclesiastes.
Pra racionalidade, ricos ou os que têm motivos que os prendem aqui, sou um louco escrevendo besteira porque me incomoda e me frustrei na luta pelo status de bem sucedido, o de subir nos degraus da vida mesmo por cima de outros pra se sentir passageiramente satisfeito. E confesso que ainda tô nisso, não sei até quando minha consciência permitir, mas insisto em levar meus valores nesse caminho que nos engole sem restrições.
Gostaria de convencer as pessoas do que eu penso ou que pelo menos me entendessem pra notar um pouco do que eu vejo e passassem a deixar de ignorar o que acontece por aí a todo momento e nos acostumamos tanto que somos adestrados a não perceber. Não perceber que as prioridades estão todas invertidas, que isso aqui é um manicômio gigante, mas a mudança ocorre na mente de cada um.
Na distância me culpo constantemente em não ter dito com mais frequência a minha mãe que amo ela e abraça-lá mais vezes. Quando estamos perto somos condicionados a pensar que sempre vamos estar... Nossa fragilidade é tão grande, mas nossa pretensão é maior ainda. Hoje só queria deitar ao colo dela e dormir mais uma vez, pela última vez e não acordar.
Já não recordava como era sentar sozinho e olhar a rua, com o sol em despedida no horizonte ou mesmo a escuridão de todos aqueles pensamentos. Pouco sentido fazia a ordem dos ponteiros na parede, e as quais circunstâncias do tempo influencia tinha nas tempestades interiores.
Pessoas passam em diferente pressa, indiferentes a si mesmas; vidas se vão, nem sempre a morte significa o fim, há quem caminhe morto... Histórias conexas, algumas tão vazias e transparentes do que é uma existência inútil.
Permaneço inerte onde sempre estive e por algum tempo me afastei, mas o fisicamente tocável não diz mais que lembranças aparentemente imutáveis. Sou só eu a espera de um tempo que não volta.
Cada passo pra trás, marcados por saudade que ficou no chão, dizem mais do que posso expressar em palavras que ninguém vai entender, frases que ninguém vai ler... E ainda que fuja do início da dor, é só maneira de desafogar minha psique; que sirva de alívio a todos que olham pra esse mesmo quadro de pintura figurativa em moldura velha e quebrada.
Subscreva o passado. É tua única chance.
Eu já estive perdido, num oceano de dúvidas sem fim, onde tudo era fácil demais, e todos lhe sorriam a noite. Eu já fui ferido, por um coração frio, que me maltratava me amando, e que me sufocou tanto tempo. Eu já tive medo, no meio da noite, onde me pegava chorando sozinho, sem ter pra onde ir. Eu já voei por ai, sem destino, por lugares inimagináveis para muitos, que parecia um sonho. Eu já corri na chuva, como uma criança com uma bola nova, só pra renovar a alma, cansado de tanta dor. Eu já sorri por sorrir, só pra não ter que falar o que pensava, e me arrependi depois. Já pulei, nadei, caí em lugares que ninguém acreditaria, nem mesmo quem estava lá parecia acreditar que era eu. Eu já fui bom, já fui mau, já menti, já fui enganado por mim mesmo, várias e várias vezes, sem motivo aparente. Já fiz coisas que nunca poderei revelar, nem mesmo aos meus mais íntimos confidentes, que pelo mundo me acompanham. Já fui herói e vilão da minha vida, e hoje já nem sei o que eu sou. Eu já senti o peso do desprezo em um olhar, já vi a covardia de perto. Já fui pro outro lado do mundo sem sair do lugar, viajei meio mundo, numa vida curta. Eu já me encarei num espelho e não me reconheci. Aquele olhar não era meu. Eu já segui a vida que o meu coração quis viver, e agora nunca mais vou ser eu mesmo de novo. Eu já fui e já voltei no caminho da felicidade, tenho toda caminhada em minha mente. Agora só me resta deitar e dormir, para sonhar com tudo isso outra vez.
Era estranho, eu sabia, mas eu queria. E continuava a querer pelo resto do dia; da noite. Passei a o desejar perto/longe de mim.
E todas as vezes em que me via só naquele quarto, era como se algo me guiasse a ele. Meu pensamento ia longe e tudo voltava, como agora.
O inesperado aconteceu quando eu comecei a lembrar daquele sorriso. Era como um insight. E foi ficando cada vez mais intenso. A freqüência fazia com que seu rosto transparecesse diante de mim. Algumas vezes eram assustador, outras não, mas ainda que fosse eu me sentia viva, à espera de outra aparição sua.
Nos tempos de fortuna era boi gordo na invernada,leitoa no manje-irão de todo tipo,amigos nas festas saindo pela janela de tantos,hoje tempos de infortúnio só me resta a cachorra,e na minha choça nem ladrão entra pela janela.
O lado dela:Eu não conseguia mudar a situação. Tentei deixá-lo sozinho, afinal, parecia que era o que precisava. Eu agüentei, com todas as minhas forças, e esperei tudo isso passar ao seu lado. Mesmo sem saber o que era. Porque eu não ia ficar insistindo pra saber – mesmo querendo, e muito – iria apenas irritá-lo cada vez mais. E a cada palavra que me machucava, eu sorria silenciosamente dizendo a mim mesma que ele tinha um motivo. Fingia não me importar pra não passar pra ele que estava fazendo errado. Mas eu cansei de esperar isso passar. As forças esgotaram-se. Não tinha mais tanta certeza em suas palavras... Eu já não falava mais eu te amo, com medo de não ter o ‘eu também’. Tive que deixar tudo acabar, sem ao menos poder falar que queria ficar
O lado dele:
Ela desistiu de mim. Pensei que não iria fazer isso, pensei que mais uma vez teria um plano pra me deixar melhor. Mas desistiu. Me deixava solto tempo demais – fazendo muita falta. Isso já fazia um tempo... Nem se interessa mais no que estava acontecendo comigo. Deixando pra lá, como nunca havia feito. Sua persistência em tentar descobrir o que passava em mim, havia sumido. Já não se entristecia com alguns erros. Ela não me ama mais. Nem ao menos me falava
isso... Deixou tudo acabar sem ao menos terminar a frase que queria me dizer. Às vezes fico pensando na continuidade, mas melhor mesmo foi seu silêncio. Afinal, ela não queria ficar.
Não conseguir chorar é ruim, e antes eu que achava que lágrimas era sinal de fraqueza, mas hoje vejo que é só um melhor jeito de colocar pra fora o que atormenta lá dentro.
Não consigo deixar e eu preciso de ajuda. Preciso ligar para um menino, agora, ele me pediu, era só apertar o botão verde e acabou, mas eu não consigo. Quando resolvi ligar, meu celular sumiu, depois consegui encontrar e agora, a bateria dele acabou.
Talvez, isso era o começo de tudo. Finalmente estaria tudo acabando, mas não consigo ver por esse lado. Peço ajudam, conselhos, tiro cartas no tarô, escolho uma concha em búzio, leio, escrevo e mesmo assim, não sei para onde devo ir. Não consigo achar uma solução coerente. Não consigo encontrar nada mais. Na verdade, não quero mais encontrar nada. Tudo que poderia encontrar, já encontrei. Vejo a vida acontecendo, mas não me infiltro nela, fico de longe, faço o que gosto que é observar.
Você era um amor para durar apenas uma noite, ou quem sabe duas, ou quem sabe para durar só quando me sentia tão sozinha, mas acabou virando isso, um drama cômico que me parece tão intenso e tão duradouro.
Era amor, depois de todas as dúvidas pude tirar uma conclusão, era realmente amor. Depois da falta, da saudade, do desespero, chega o amor, que sempre me parece duradouro. Era isso, depois de tentar encontrar todas as respostas, depois tentar encontrar soluções em tarô, búzios, textos, conselhos. Sentia amor como se tudo fosse transbordar a qualquer momento, e que até mesmo, esse bicho de sete cabeças poderia me engolir. Sim, o amor.
Ele era o meu sem coração preferido, até que eu caí na besteira de gostar dele. Ele era a dor mais gostosa de todas, até que eu escolhi sofrer de verdade. Ele era o assunto até que virou o motivo de tudo.
Palavras ao vento Parte II
Era como se não fosse mais eu
Como se o som da tua voz
Não fosse capaz de me encantar mais
Eu não te ouço como antes,e nem pensava mais em voce .
Me sento livre dessa prisão,que antes me torturava .
Agora não me importo mais se voce me liga ou não
Meu coração está livre... livre pra voar...
Até o sol foi gentil comigo
Já não me faz ter medo .
Passar por tudo me fez entender
Que nada dura para sempre,
Nem uma rosa comtempla tanto o céu
E nem o sol fica parado ao mar .
Mais que enquanto,durar...
Será único e especial o momento .
De uma forma ou outra
Aprendi da pior maneira
O tal do amar, e não ser amada
E que se voce procurar... nem sempre voce acha o que desejava Mas sim... é surpreendida por aquilo que não espera . E voce descobri que a noite não é tão fria como pensava .
E que sempre há uma nova manhã,com um céu azul
Onde voce possa abrir os braços,olhar pro céu e comtempla -lô
Sem medo,sem dúvidas .
E que ao fim do dia
Se renova as alegrias a fé...para uma nova conquista de um simples Amar e ser Amado .
Eu assisti você morrer (metaforicamente)
Eu ouvi você chorar
Toda noite no seu sono
Eu era tão jovem
Você deveria ter pensado melhor antes de confiar em mim
Você nunca pensou em ninguém
Você só viu a sua dor
E agora eu chorava
No meio da noite
Pela mesma maldita coisa
Por sua causa
FELIZ CARPINEJAR
Feliz aniversário!
Dia dezessete de julho, minha vontade de comemorar era exatamente nula, zero e nada mais.
A negativa de comemorar o que não era para ser comemorado, afinal um ano a menos para se fazer tantas coisas, já era uma coisa comum dentro de minha mente, o difícil era só explicar aos parentes e amigos, pois minha vida parece sempre tão mais atraente aos olhos alheios.
O “Feliz Aniversário” já não é mais um desejo, é mais um cumprimento, uma força de expressão. Aniversários não são felizes, é o aviso de chegada dos cabelos brancos, das rugas, das responsabilidades e cobranças por empregos, compromissos, família e etc. Etc. Etc.
Em um desses dias dezessete de julho recebo de presente um livro desconhecido, atraente. Pelo tamanho já pensei que poderia lê-lo em poucos dias. Porém quando vi o titulo me senti ofendido.
Como pode essa insinuação tão mesquinha, deprimente, tão comum talvez. Uma rebeldia disfarçada com um toque de originalidade admito, afinal era a primeira vez que era ofendido através de um livro, mas mesmo assim só gosto de joguinho no flerte, fora isso insinuações são desnecessárias. Ou diga logo o que pretende ou cale-se, insinuar é covarde.
O livro que eu recebi de presente foi o “Canalha!” de Fabrício Carpinejar.
Se fora a dona do presente, ficou o presente. Amei o livro, já li três vezes. Não me arrependi pelo prejulgamento porque acredito que nem a dona do presente conhecia seu conteúdo.
Pensei em devolver o presente com “Mulher Perdigueira”, do mesmo autor, mas ela não merece tanto.
Bento.
Móveis Usados.
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Outro dia me perguntaram se eu era feliz.
A minha resposta, por motivos que não sei ou talvez não almeje explicar eu não direi aqui.
Nós nascemos, vivemos e morremos, e nascer e morrer é a parte mais fácil.
O que eu não entendo é, porque somos obrigados a sermos felizes?
Onde é que está escrito que seremos felizes?
Alguém em algum lugar garantiu isso como é prometido um bom desempenho do seu computador novo, ou a economia de energia da sua geladeira nova?
A vida não tem manual de instruções assim como também não tem garantia.
Você não poderá reclamar com o fornecedor ou fabricante por que nada lhe é prometido. Então porque essa obrigação? Porque temos que ser felizes? Os aparelhos de TV deixam de existir quando o controle remoto quebra? Um armário deixa de ser armário quando aparenta defeito em uma gaveta? Quando nascemos temos cinqüenta por cento de chances de sermos felizes ou não, os cinqüenta por cento que não são param de funcionar ou são colocados a venda e substituídos por outros mais novos e de tecnologia superior?
Tudo bem, eu posso concordar que surge um pingo de inveja quando os móveis usados passam em frente às vitrines e vêem as ultimas novidades em felicidade dos outros cinqüenta por cento de móveis sendo disputados por uma odisséia de compradores e seus carnês de doze ou vinte e quatro vezes sem entrada, sendo anunciados por vendedores vestidos de Silvio Santos com microfones em mãos a contar as vantagens dos móveis felizes que acabaram de sair do forno.
Porém, ainda acredito que há espaço para aquela poltrona velha, com um calço em um dos pés e forro rasgado em algum canto de qualquer casa.
Bento.
“Ele se foi...”
Ele se foi, ficou com medo e se foi
deixou para traz uma vida que não era sua,
viveu intensamente.
Viveu cada dia como se fosse
um belo presente.
Ele se foi, ficou com ciúmes e se foi.
Teve ciúmes da vida ,
Vida que viveu sem reservas,
Mas agora está de saída.
Ele se foi, sentiu-se desgastado e se foi.
O tempo o levou,
O tempo o desgastou,
Ele então nos abandonou.
Ele se foi, o nosso amor, ele se foi.
Será que vai voltar?
29/12/2010
