Era
Meu problema era que eu tinha azar. E eu falava quando via algo errado. Eu fazia isso porque podia, sem ter que me preocupar com as consequências que durariam anos. E sim, sempre existiam consequências.
A mãe de Miranda lhe ensinara que, embora os olhos fossem importantes, a música era a verdadeira janela para a alma de alguém.
Eu acho que o problema, naquele momento, era minha incapacidade de lidar com a interação humana normal.
E se ela passava mais tempo com o nariz em um livro do que era considerado ideal naquele tempo (ou qualquer outro), bem, pelo menos isso significava que ela sempre tinha uma história para contar.
A menina que guardava sentimentos
Joana sentimentos, como era apelidada.
Nunca se “opôs” contra seu apelido,
nem a xingamentos contra si
e andava sempre com o coração ferido!
A menina não só guardava sentimentos.
Fazia coleção e sofria sempre sozinha.
Chamavam-lhe de cabelo de bruxa,
gata borralheira, macaquinha!
Já não queria sair de casa,
Nem ir à igreja, nem ir à escola também;
Não se olhava no espelho,
tão pouco nos olhos de alguém.
Quem via a menina, pouco notava.
Parecer estar bem, fazia questão;
Foi definhando aos poucos.
Enquanto isso, inflava seu coração.
Até que um dia.… cadê a menina?!
Seu quarto calou, não mais se abriu
e seu semblante que guardava tudo
não mais suportou...explodiu!
E aqueles que riram da menina
Tão estarrecidos e culpados ficaram,
Apagou deles o riso maldoso
E se deram conta do mal que desataram!
O objetivo inicial das redes sociais era conectar as pessoas. Mas com o passar do tempo, elas tiveram efeito contrário: separaram mais do que uniram.
Falou tanto e nada fez.
Quando era pra acontecer,
não aconteceu...
é bem provável que tenha se escondido,
na carverna da solidão.
Ele era capaz de ver pássaros voando, mas também enxergava anjos; ou leões rugindo, mas também dragões.
Eu já era dela, antes de ela decidir que também seria minha.
Ela não percebia...
Mas, já éramos um do outro desde o primeiro dia.
Não era uma distância longa entre um olhar e outro. Mas longe o bastante para que os olhares se deturbassem, uma distância suficiente para que fosse agregado ao olhar certa subjetividade e interpretação um tanto ousadas. E foi isso que aconteceu.
Dia após dia os olhares se encontravam, abraçavam-se, mas nada diziam. Talvez porque não achassem que ali estaria se criando visões de algo, de alguma coisa. E em linha reta, a conversa continuava. Não em palavras, mas na subjetividade dos olhares. Não é preciso dizer nada para que fosse percebido que ali por meio dos olhos a comunicação se fazia. E seus interlocutores sempre certos de que estavam sendo compreendidos. Será?
Talvez sim, talvez não. Os olhos não são muito claros, vejam o trocadilho, quando se trata de sentimentos. Alerta de espolie. Sim, um sentimento nascia por meio daqueles olhares. Pelo menos da parte do dono de um dos pares de olhos. De uma pequena semente por trás daqueles olhos nascia um sentimento. E alimentado pelo imenso terreno fértil da carência cresceu tanto que já não cabia mais no corpo. Começou a transbordar.
Saia por todos os poros da pele. Fugia pela respiração. Os olhos, porém, pareciam não saber transmitir essa mensagem. O olhar não tinha a força de levar à compreensão desse sentimento a pessoa a quem estava endereçado. E a dona do outro par de olhos não recebeu essa informação. Não imediatamente, apesar dos olhares continuarem ininterruptos.
E eis que entra nessa história um terceiro par de olhos. Na verdade, um par de ouvidos. Ao escutar a confissão do amigo, não crer. Ele que acompanhou e ouviu todos os cochichos daqueles olhares, percebeu de imediato que os olhos daqueles dois jovens não estavam falando a mesma língua. E a dona do segundo par de olhos ouviu da boca do amigo o que o dono dos olhares interpretou.
Ela não acreditou. Mas ficou calada, pois nada a boca tem a ver com a conversa dos olhos. E deixou então que os olhares fugissem e que ficassem calados para que não fossem mal interpretados. Mesmo assim, vez por outra eles se encontram, pois estão sempre no mesmo caminho, desviam-se e vão embora. E o terreno fértil da carência continua suprindo o amor que o dono de um dos pares daqueles olhos pensa existir. Olhares são perigosos. Eles falam muito, no entanto, nada escutam.
Quando você se foi, achei que era apenas uma viagem de alguns dias...
Mas não havia percebido que em sua mala havia toda minha ternura e amor...
E o vazio que ficou jamais será selado diante da eternidade, pois a saudade me assola todos os dias e em minha mente há uma batalha épica para não te esquecer jamais mãe.
Não pense que não a vi me observando na festa, e que a vontade de se aproximar era imensa, pois como dois amantes nossas almas se entrelaçaram eternamente...
Mas bem sabes tu que não há nada que possamos fazer, pois além do desejo ardente em nossas mentes bem sabes que nossos olhos estavam se despedindo um do outro.
Corações angustiados, às vezes dão espaço a pensamentos errados
Já não sabiam se a vida era sorte ou se era melhor a morte
A esperança seria uma mera ilusão? Ou a força em meio a guerra, ao caos e a confusão?
De medo estavam cercados, perderam tudo e foram obrigados a viver como refugiados.
HISTÓRIA CURTA
•••••Gilberto•••••••
Tinha foguete nos pés
Era isso que os amigos diziam.
Quando descia a ladeira
Era tão rápido
Nenhum dos amigos
Conseguia alcança-lo!
Aroudo, o amigo mas velho.
15 anos.
Negrito, 13 anos
Batista, 14 anos
Eliza, 13 anos.
Gilberto, o mais novo
12 anos.
Visto pelos outros
Como o mas esperto.
O mais rápido.
Quem conseguia alcança-lo? Ninguém.
De repente a ideia do roubo.
Cabia a Gilberto a função
De deixar a porta da loja aberta.
Os amigos chegariam em seguida.
Dito e feito.
Gilberto, foguete nos pés.
Deixou a loja aberta.
Chegaram os amigos
Aroudo, Negrito, Batista e Eliza.
Gilberto, corpo franzino
Pernas finas, rápido na corrida.
Esperou, esperou...
Dormiu.
Os amigos chegaram
Não viram Gilberto.
Pegaram o que puderam.
Na saída, Aroudo, o mais velho.
Deixou o gás do fogão ligado.
Pela manhã...
Ao abrir a porta
A explosão...
Entre os destroços
O corpo franzino de Gilberto.
Me disseram um dia, que aquilo era coisa de homem, eu não acreditei e me propuz a fazer tal coisa, pois bem, consegui!
hoje conheço um bocado de "não homem".
