Era
Virei frangalho,passarinho ferido sem encontrar um galho,voei alto,asa machucada era apenas um detalhe.
Era uma vez dois,
O ter,
Que termina pobre.
O ser,
Que permanece rico.
E a moral da história é,
Que ninguém tem nada.
O tempo constrói labirintos,faz muitos que disseram que era pra sempre se perderem,prepara poções de esquecimento,apagando quem era presente.
No envelope continha apenas um papel perfumado em branco, foi quando me toquei que era um cheiro enviado a distância.
Até pensei que fosse amor, mas era uma cópia de um rascunho mal feito,uma piada sem graça,uma intimidade não autorizada,um esculacho no coração,uma esculhambação não interpretada.
Era sobre a gente,sobre perceber a verdade olhando no olho,era sobre sentir a sinceridade em cada toque,era sobre presenciar a boa intenção em cada ação,era sobre a gente,que os poetas queriam falar,era sobre a gente que tentaram compor uma canção,era sobre a gente que o físico tentou encontrar a lógica da física,era sobre o que nos atraia,que o químico tentou explicar nossa química.
Uma hipérbole foi pensar poder ter-te em meus braços, minha paixão, admiração, amor era como metáfora de diamante, é fábula dizer que isso irá se desfazer no tempo, algo tão indelével como o sentimento que tenho por ti, o que me resta é as marcas das boas coisas que sonhei para nós.
