Epígrafe sobre Fotografia
Fotografia
Não é seguro apaixonar-se por alguém em uma mera fotografia.
Nela está estampado o perfeito que queremos.
Aquilo que idealizamos. A beleza consagrada.
Nela está o melhor ângulo. Nela está o seu melhor perfil, o seu mais radioso sorriso.
Ninguém pode amar aquilo que é perfeito, o perfeito é esteril aos nossos olhos imperfeitos.
Uma fotografia é um átimo, um fragmento, um segundo de uma vida que se cadencia por anos a fio.
Fotografias não revelam mais do que o que se quer, ou se pode evidenciar no curto espaço de um segundo.
Amar alguém que se viu em foto é tão insano quanto pretender tocar o céu. É tão subjetivo quanto.
Ninguém revela nas fotos suas pequenas imperfeições, seus deslizes, ínfimos desvios de carátre, as faces que não lhe favorecem.
Em uma fotografia tudo se torna instantâneamente lindo. Mas esse efeito é apenas instantâneo, efêmero, estático.
Por tanto, eu diria que é impossível amar alguém de verdade apenas por uma foto. Assim como é impossível amar alguém apenas pela aparência. Amar apenas com os olhos.
Amor necessita da poesia que existe em cada pequena ruguinha, em cada curva meio desajeitada, mas que se compensa por um sorriso amarelo que pra o outro é a coisa mais linda do mundo! Por uma atitude do outro que te enche de orgulho.
A beleza exterior é efêmera demais pra a gente viver correndo atrás dela.
Acho que viver perseguindo uma beleza estéril envelhece muito e provoca uma ansiedade que engorda pra caramba!
O verdadeiro amor transcende ao corpo e fotografa a alma!
Necessita do dinâmico, do imperfeito, necessita saliva, cheiro, gosto.
Coisas que uma fotografia jamais poderá retratar, por mais poético que seja o fotógrafo.
O nosso amor jamais será uma fotografia
amarelada pelo tempo, esquecida num canto
qualquer, como se fosse algo que se
apaga e tão fácil se destrói. O amor não é
cinza que o vento leva e jamais nos devolve,
é fortaleza.
Na moldura do tempo
cicatriz opaca
em torno de sóbrio equilátero
eterna fotografia
que a alma guardou
no álbum da alegria
na casa dessa solidão
a bagunça é porta aberta para a saudade
os planos seguram a riqueza
do lugar da verdade
foram tempos de fartura
que o corpo poupou
a cabeça pergunta por quê?
A estrada é a mesma
a direção foi que mudou
prazeres foram Marias
Que uma estrela desenhou
Vou fazer um café
já é chegado a hora
os meninos vão trabalhar
é preciso ir agora...
"" E se ao virar a página
estiver lá a mesma história
a mesma fotografia
o mesmo desejo
quem irá explicar ao destino
que a intenção era o recomeço
e se ele disser
esquece!!
o conteúdo agora é de um novo livro...""
Uns, adoram ser a fotografia.
Outros, contentam-se em ser apenas a moldura.
Por vezes, é difícil escolher.
A fotografia parece ser a única forma, até o momento, de se poder congelar o tempo. A fotografia registra um momento que nunca mais vai ser o mesmo, nem o lugar, e nem as pessoas que aparecem nela. O tempo muda, o lugar muda, as pessoas mudam, nunca mais aquele momento será o mesmo, e uma forma de acessá-lo é através da foto, que, sem ela, não seria possível de se lembrar com riqueza de detalhes como as coisas eram, e melhor, poder lembrar e comparar com o momento atual. A escrita também é uma forma de se congelar o tempo, mas enquanto o tempo na fotografia é congelado externamente, na escrita, como também em outras artes, se pode registrar o momento de forma interna. Aquilo que se sentiu e se registrou pode ser acessado a qualquer momento, e é possível também acessar o sentimento da época, que sem a escrita registrada não seria possível nem acessar de forma correspondente a da realidade daquele tempo, e também nem seria possível comparar com sentimentos e pensamentos atuais da pessoa em questão.
Trazer no texto uma fotografia
de quando as palavras faziam
demora as margens de um fim de tarde
e as imagens descem ao ocaso da frase
supondo poesia
Impressionante como você se destaca nas fotos...Eu amo fotografia e sei discernir uma imagem perfeita emanada das lentes de uma maquina
Resgate
Uma bolsa aberta, o celular amostra, três cervejas jogadas ao chão e uma fotografia sobre a mesa do bar,
Unhas mal feitas, cabelos descuidados, rosto com a expressão de quarenta e oito horas sem dormir,
No abraço um sorriso falso seguido de dois soluços e lágrimas derramadas no meu camisão,
Depois de meias verdades ditas a respiração é controlada e o olhar volta a ter originalidade,
A noite chega, a conversa ao pé do ouvido demonstra, a conta é pedida, ao sairmos a fotografia fica, o motivo deixou de ter sentido,
No caminhar até o carro as mãos se conectam, o olhar decidido se apresenta, beijos são trocados, a reposta é bem vinda.
A eternidade é uma fotografia feita por Deus, para eternizar o momento o qual damos o nome de felizes para sempre.
