Epígrafe Monografia
“EstranhaMENTE, a MENTE mente; mais estranho é acreditar nela apenas porque ela pensa em primeira pessoa.”
“EstranhaMENTE, a MENTE mente. Metadiscernir é perguntar à própria mente por que ela acredita naquilo em que acredita.”
“Pensar por si mesmo começa quando deixamos de acreditar automaticamente até em nós mesmos.”
Carlos Eduardo Balcarse
Vivemos na era onde: Aceitar o inaceitável, tolerar o intolerável, acreditar no inacreditável e defender o indefensável é prática comum!
Carlos Eduardo Balcarse
“Quando o interesse pensa por nós”
Gostamos de acreditar que primeiro pensamos e só depois escolhemos. Mas talvez, em muitos momentos, façamos o caminho inverso. Primeiro, algo em nós escolhe, e só depois o pensamento trabalha para justificar a escolha.
Interesse não é apenas dinheiro ou vantagem material. Pode ser o interesse em pertencer, em ser aceito, em manter uma identidade, em não decepcionar um grupo, em não admitir um erro.
Talvez os interesses mais poderosos sejam, justamente, aqueles que não reconhecemos como interesses.
Não se trata apenas de más intenções ou falta de caráter, mas de perceber o quanto o pensamento pode ser convocado para defender conclusões que nunca foram realmente examinadas.
Conhecimento, sozinho, não resolve isso. Uma pessoa pode ter muito repertório e ainda assim usá-lo para proteger conclusões que jamais permitiu serem questionadas.
Talvez por isso o diálogo esteja tão difícil. Não apenas porque faltam ouvidos, mas porque ouvir de verdade ameaça interesses que nem sempre estamos dispostos a perder.
Talvez a pergunta mais difícil não seja “o que eu penso?”, mas “o que, em mim, precisa que eu pense assim?”
Há interesses que não compram nossas opiniões. Eles apenas nos convencem de que elas são nossas.
Carlos Eduardo Balcarce
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
Discernir não é apenas decidir em que acreditar. É calibrar quanta autoridade cada informação, pensamento ou influência merece receber antes de participar da decisão.
Carlos Eduardo Balcarse
O problema não é apenas aquilo em que acreditamos, mas quanta autoridade epistêmica concedemos ao que acreditamos. Discernir começa quando o peso de uma convicção deixa de ser automático e se torna examinável.
Carlos Eduardo Balcarse
POR QUE LEMBRAR DE ALGUMA COISA NÃO SIGNIFICA QUE DEVEMOS ACREDITAR NELA?
A memória possui uma característica extraordinária. Ela consegue fazer o passado parecer presente.
Uma lembrança surge acompanhada de imagens, sensações, palavras e emoções. Quanto mais nítida ela parece, maior pode ser nossa sensação de que estamos recuperando exatamente aquilo que aconteceu.
Mas lembrar não é reproduzir uma gravação.
A memória humana reconstrói.
Isso significa que aquilo que recuperamos pode carregar elementos do acontecimento, interpretações posteriores, conhecimentos adquiridos depois e estados emocionais presentes.
Nada disso torna a memória inútil. Torna necessário discerni-la.
Existe uma diferença importante entre “Eu me lembro disso” e “Isso aconteceu exatamente como estou lembrando.”
A primeira afirmação descreve uma experiência presente. A segunda faz uma afirmação sobre o passado.
Entre ambas existe uma distância epistemológica enorme.
O problema surge quando a vivacidade da lembrança passa a funcionar como prova de sua precisão.
Sentimos a memória com tanta intensidade que lhe concedemos autoridade proporcional à intensidade da experiência.
Mas intensidade e precisão não são sinônimos.
Por isso, recuperar um conteúdo não deveria significar automaticamente autorizá-lo.
Essa distinção participa daquilo que venho desenvolvendo como desautorização epistêmica reconstrutiva.
O conteúdo recuperado pode ser acolhido sem ser imediatamente convertido em conclusão.
Podemos lembrar e investigar. Sentir e verificar. Reconhecer e revisar.
A memória merece ser ouvida. Mas ouvir não significa obedecer.
Nem tudo aquilo que retorna à consciência deve retornar com a mesma autoridade.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
O QUE DIFERENCIA TER UMA OPINIÃO DE TER RAZÕES PARA ACREDITAR?
Todos temos opiniões.
O problema começa quando confundimos o direito de ter uma opinião com a qualidade das razões que a sustentam.
Podemos acreditar em alguma coisa por experiência pessoal, tradição, intuição, autoridade, medo, esperança, evidência ou simplesmente repetição.
Essas origens não possuem o mesmo valor para todas as perguntas.
Uma experiência pessoal pode ser extremamente relevante para dizer como determinada situação nos afetou, mas insuficiente para concluir como a mesma situação afeta milhões de pessoas.
Uma autoridade pode ser excelente fonte dentro de sua especialidade e pouco confiável fora dela.
Ter uma opinião descreve um estado. Ter razões exige justificá-lo.
É justamente nesse intervalo que aparece a responsabilidade epistêmica.
Não precisamos possuir certeza absoluta para acreditar. Mas precisamos aprender a perguntar se a força da nossa crença é proporcional à força das razões disponíveis.
Essa proporcionalidade está próxima do que denomino calibração discernitiva.
Quanto mais frágeis as evidências, mais provisória deveria ser a conclusão. Quanto maior a incerteza, maior deveria ser nossa abertura à revisão.
O problema não é dizer “eu acho”.
O problema é transformar “eu acho” em “é assim” sem perceber a distância percorrida.
Toda pessoa tem direito à própria opinião. A realidade não tem obrigação de concordar com ela.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
A mente não precisa MENTIR para nos enganar; basta que acreditemos nela sem interrogá-la.
Carlos Eduardo Balcarse
POR QUE ACREDITAMOS EM NOSSOS PRÓPRIOS PENSAMENTOS?
Pensar alguma coisa não torna essa coisa verdadeira.
Mas existe uma armadilha silenciosa: como o pensamento acontece dentro de nós, frequentemente tratamos sua origem interna como certificado de confiabilidade.
A mente produz.
O discernimento avalia.
Entre uma coisa e outra deveria existir uma pergunta:
Por que este pensamento merece ser acreditado?
Pensamentos podem nascer do medo, da memória, do hábito, da expectativa, do preconceito, da informação correta ou do erro.
Por isso, pensar por si mesmo exige algo aparentemente paradoxal:
Aprender a desconfiar de si mesmo sem deixar de confiar em si.
Autonomia não é acreditar em tudo o que pensamos.
É aprender a decidir quanto do que pensamos merece continuar pensando por nós.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
POR QUE PESSOAS INTELIGENTES TAMBÉM ACREDITAM EM COISAS ERRADAS?
Inteligência não imuniza ninguém contra o erro.
Às vezes, inclusive, nossa capacidade de argumentar pode ser utilizada para defender com enorme sofisticação aquilo que nunca examinamos com a mesma sofisticação.
Saber argumentar não garante saber revisar.
Conhecimento não elimina vieses.
Formação não elimina interesses.
Memória não elimina distorções.
E inteligência não elimina a necessidade de discernimento.
Talvez uma das formas mais perigosas de ignorância seja aquela capaz de construir excelentes argumentos para não reconhecer a própria ignorância.
Quanto melhor pensamos, maior deveria ser nossa responsabilidade de pensar sobre como estamos pensando.
Porque a inteligência pode construir argumentos.
Mas somente a revisão permite descobrir quando os argumentos começaram a construir a inteligência que os defende.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
LEMBRAR NÃO É O MESMO QUE CONTINUAR ACREDITANDO
A memória recupera.
Mas recuperar uma informação não significa provar que ela continua correta.
Talvez um dos maiores problemas do conhecimento esteja justamente aí: confundimos aquilo que conseguimos lembrar com aquilo que ainda merece ser utilizado.
Aprendemos alguma coisa. Guardamos. Recordamos. E, quase automaticamente, concedemos novamente autoridade ao conteúdo recuperado.
Mas por quê?
Uma lembrança pode ser fiel ao que aprendemos e, ainda assim, carregar uma informação falsa, ultrapassada, incompleta ou inadequada para a situação atual.
A memória pode funcionar perfeitamente e o conhecimento recuperado estar errado.
Essa diferença é fundamental.
Lembrar é recuperar um conteúdo. Acreditar é conceder peso a ele. Utilizá-lo é uma decisão posterior.
É nesse intervalo que o discernimento se torna necessário.
Quando uma informação retorna à consciência, talvez a pergunta não devesse ser apenas:
“Eu me lembro disso?”
Mas também:
“Quanto daquilo que lembro ainda merece decidir o que penso?”
A evocação não precisa terminar em autorização.
Podemos recuperar uma ideia sem obedecê-la.
Podemos reconhecer uma crença sem reafirmá-la.
Podemos preservar uma lembrança e retirar dela o direito de continuar comandando nossas conclusões.
Chamo essa possibilidade de desautorização com preservação mnêmica: o conteúdo permanece disponível na memória, mas seu peso funcional pode ser reduzido quando evidências, contexto ou conhecimento posterior justificarem essa mudança.
Daí surge outra distinção importante: autoridade funcional não é a existência da informação na memória, mas o peso que permitimos que essa informação tenha sobre nossos julgamentos posteriores.
Nem tudo aquilo que permanece em nós precisa continuar governando-nos.
Talvez aprender não seja apenas adquirir conhecimentos.
Às vezes, aprender é reaprender quanto poder concedemos ao que já aprendemos.
Porque a memória pode recuperar o passado.
O discernimento precisa decidir se o passado ainda merece autoridade sobre o presente.
Carlos Eduardo Balcarse
Texto derivado da matriz conceitual desenvolvida no artigo “Da evocação à desautorização: regulação discernitiva do conteúdo recuperado no processo educacional”, publicado na Revista JRG de Estudos Acadêmicos, 2026. DOI: 10.55892/jrg.v9i21.3800.
Palavras-chave: memória, aprendizagem, evocação, recuperação da memória, crenças, revisão do conhecimento, pensamento crítico, metacognição, discernimento, desautorização, autoridade funcional, educação, mudança de crenças, conhecimento, informação.
O problema não é acreditar em tudo. É não saber quanto acreditar em cada coisa
Nunca tivemos acesso a tanta informação / desinformação. E talvez nunca tenha sido tão difícil decidir o que fazer com ela.
Uma notícia chega pelo celular. Um vídeo apresenta uma explicação aparentemente convincente. Alguém compartilha uma denúncia. Um especialista afirma determinada coisa. Outro especialista afirma o contrário. Uma imagem parece comprovar um acontecimento. Uma inteligência artificial responde com segurança. Milhares de pessoas repetem a mesma versão.
Em poucos minutos, não estamos apenas diante de informações.
Estamos diante de disputas pela nossa confiança.
É comum imaginar que o grande problema da desinformação seja acreditar no que é falso. Evidentemente, isso faz parte do problema. Fake news, golpes digitais, conteúdos manipulados e informações deliberadamente enganosas dependem, em alguma medida, da capacidade de obter credibilidade.
Mas existe uma dificuldade anterior e mais profunda.
Mesmo quando uma informação é verdadeira, ainda precisamos decidir quanto peso ela merece.
Verdade e relevância não são a mesma coisa
Uma informação pode ser verdadeira e irrelevante para determinada decisão.
Outra pode ser verdadeira, relevante, mas insuficiente.
Uma terceira pode estar parcialmente correta e conduzir a uma conclusão equivocada porque omite elementos essenciais.
Isso significa que verificar se algo é verdadeiro constitui apenas uma parte do problema.
A pergunta seguinte é:
O que essa informação me autoriza a concluir?
Essa distinção parece simples, mas altera profundamente a maneira como pensamos a alfabetização midiática, o pensamento crítico e o combate à desinformação.
Não basta separar verdadeiro de falso.
Precisamos aprender a distinguir evidência de conclusão, informação de decisão e presença de um argumento do peso que concedemos a ele.
O perigo daquilo que confirma o que já pensamos
Há ainda outra dificuldade.
Não recebemos informações como recipientes vazios.
Interpretamos aquilo que encontramos a partir de expectativas, experiências anteriores, emoções, crenças, interesses e referências sociais. Uma informação que confirma aquilo em que já acreditamos tende a encontrar menos resistência do que outra que ameaça nossas convicções.
É por isso que combater fake news apenas oferecendo mais informação pode não ser suficiente.
Às vezes, o problema não está na ausência de dados.
Está na maneira como atribuímos autoridade aos dados que recebemos.
Duas pessoas podem acessar a mesma informação e conceder a ela pesos completamente diferentes. E uma mesma pessoa pode exigir provas rigorosas para aquilo de que discorda e aceitar evidências frágeis quando elas confirmam aquilo em que deseja acreditar.
Pensar criticamente, portanto, também exige aprender a desconfiar da facilidade com que concordamos conosco mesmos.
Nem acreditar, nem desacreditar automaticamente
Existe uma falsa alternativa que frequentemente empobrece esse debate.
De um lado estaria a credulidade: acreditar em tudo.
Do outro estaria a desconfiança: não acreditar em nada.
Nenhuma das duas produz necessariamente autonomia.
Quem acredita automaticamente terceiriza o julgamento para aquilo que recebe.
Quem desacredita automaticamente pode continuar igualmente determinado pelo conteúdo recebido, apenas invertendo o sinal da resposta.
A questão mais importante talvez esteja entre essas duas posições:
quanto de autoridade esta informação merece receber de mim, nesta situação, diante das evidências disponíveis?
Essa pergunta desloca o problema.
Em vez de apenas aceitar ou rejeitar, passamos a calibrar.
Da informação ao discernimento
É nesse ponto que a discussão encontra o eixo das pesquisas que venho desenvolvendo sobre discernimento.
Tenho trabalhado com a possibilidade de compreender o discernimento não apenas como virtude abstrata, prudência ou expressão do chamado bom senso, mas como uma capacidade que possa ser descrita operacionalmente, examinada e submetida à investigação empírica.
Entre os conceitos explorados nesses trabalhos está a calibração discernitiva.
Em termos simples, não se trata apenas de perguntar se determinada pista, informação ou argumento está presente. Trata-se de investigar se o peso concedido a esse elemento é compatível com sua utilidade para o julgamento que está sendo realizado.
Essa diferença é fundamental.
Uma informação não deveria governar uma decisão simplesmente porque apareceu.
Uma afirmação não se torna mais verdadeira porque foi repetida milhares de vezes.
Uma fonte não se torna infalível porque possui autoridade.
Uma emoção não transforma automaticamente uma interpretação em fato.
E aquilo que confirma nossas convicções não recebe, por isso, maior valor probatório.
O desafio está justamente em aprender a ponderar sem simplesmente obedecer.
Educação contra a desinformação
Talvez por isso a educação para o enfrentamento da desinformação precise ultrapassar a orientação tradicional de “verificar a fonte”.
Verificar fontes continua sendo indispensável.
Mas podemos avançar.
O estudante pode aprender a perguntar:
Qual é a evidência?
O que essa evidência efetivamente demonstra?
Que conclusão estou acrescentando por conta própria?
Estou atribuindo peso excessivo a uma informação apenas porque ela confirma aquilo que eu já pensava?
Que informação seria capaz de me fazer mudar de posição?
Estou avaliando a qualidade da evidência ou apenas a intensidade da minha reação diante dela?
Essas perguntas deslocam a educação do conteúdo para a operação cognitiva realizada sobre o conteúdo.
É nessa direção que a Pedagogia do Discernimento, a Alfabetização do Discernimento Consciente e outros constructos que venho investigando procuram abrir uma agenda de pesquisa: não oferecer às pessoas uma lista definitiva daquilo em que devem acreditar, mas investigar maneiras de desenvolver melhores condições para que consigam avaliar quanto peso cada influência merece.
A autonomia começa onde termina o automatismo
Fake news são perigosas.
Deepfakes são perigosos.
Golpes digitais são perigosos.
Algoritmos capazes de selecionar aquilo que vemos também merecem atenção.
Mas existe um elemento comum atravessando todos esses fenômenos: Em algum momento, algo externo encontra um sistema humano que precisa interpretar, avaliar, ponderar e decidir.
É nesse encontro que a autonomia pode ser preservada ou perdida.
Por isso, talvez o enfrentamento da desinformação não dependa somente de produzir informações melhores.
Dependa também de formar pessoas capazes de não transformar automaticamente informação em convicção, convicção em certeza e certeza em ação.
Porque discernir não é simplesmente acreditar menos.
Também não é duvidar de tudo.
Discernir é aprender a decidir quanto peso aquilo que nos influencia merece ter sobre aquilo que decidiremos.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Autor e Pesquisador
quero tudo que podemos ser,
imagino cada mínima conquista ao seu lado
sei que se tornaria imensa
quero aprender amar
e me sentir amada
como sempre li nos meus livros favoritos
como sempre planejei pra mim
quero te sentir
quero me sentir
sentir tudo que sentimentos puderem inflamar
e te descrever em cada milímetro de sentimento,
em cada sorriso
e me derreter sempre que falar
então vem
sem promessas frias,
sem medo do que arde.
vem por inteiro,
porque eu já estou em brasa.
me encontra nesse delírio consciente,
onde amar é se despir da dúvida
e vestir a coragem de sentir.
me escolha,
me queira
e queira ficar
não porque precisa,
mas porque, no fundo,
também queima por mim.
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