O QUE DIFERENCIA TER UMA OPINIÃO DE TER... Carloseduardobalcarse

O QUE DIFERENCIA TER UMA OPINIÃO DE TER RAZÕES PARA ACREDITAR?

Todos temos opiniões.

O problema começa quando confundimos o direito de ter uma opinião com a qualidade das razões que a sustentam.

Podemos acreditar em alguma coisa por experiência pessoal, tradição, intuição, autoridade, medo, esperança, evidência ou simplesmente repetição.

Essas origens não possuem o mesmo valor para todas as perguntas.

Uma experiência pessoal pode ser extremamente relevante para dizer como determinada situação nos afetou, mas insuficiente para concluir como a mesma situação afeta milhões de pessoas.

Uma autoridade pode ser excelente fonte dentro de sua especialidade e pouco confiável fora dela.

Ter uma opinião descreve um estado. Ter razões exige justificá-lo.

É justamente nesse intervalo que aparece a responsabilidade epistêmica.

Não precisamos possuir certeza absoluta para acreditar. Mas precisamos aprender a perguntar se a força da nossa crença é proporcional à força das razões disponíveis.

Essa proporcionalidade está próxima do que denomino calibração discernitiva.

Quanto mais frágeis as evidências, mais provisória deveria ser a conclusão. Quanto maior a incerteza, maior deveria ser nossa abertura à revisão.

O problema não é dizer “eu acho”.

O problema é transformar “eu acho” em “é assim” sem perceber a distância percorrida.

Toda pessoa tem direito à própria opinião. A realidade não tem obrigação de concordar com ela.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador