Enquanto o Sol Brilhar
Eu te vejo ao Nascer Sol;
Tua Presença sinto no vento, no ar.
Me Acalma a Essência em Ti,
Como as ondas Som e do Mar.
Eu te vejo ao Pôr do Sol,
Na Lua e Estrela, em todo Lugar.
Minha Fé está em Ti,
como Abraão, Jacó e Davi; ao teu lado desejo Estar.
Escuto a sua voz
Já abro meu sorriso.
Esse sorriso teu
é o meu paraíso.
É como coabitar no Sol
Quando contigo eu fico.
Meu corpo enradia amor
com teu resplendor,
que é o meu fascínio.
Mulher
Porque estás ao meu lado?
Escolhi a ti sem pensar
Num espasmo de loucura
Com medo da solidão
Afoito e imediatista
Agonizo na mesma situação.
Hoje noto que, não tens a idade que eu queria,
Não possuis o corpo que eu pretendia,
Não me agarro a ti com os olhos da paixão.
Mulher
Tira-me deste dilema
Ainda preciso de ti,
Que pretensão,
Mas, o meu esquema,
Por linhas tortas foi traçado.
Não vês mulher
Que o teu sorriso e outro sorriso marcado em minha memória
Teu cabelo não tem a seda que eu imaginava
O teu cheiro vem de aromas artificiais,
E o teu dançar não o da minha bailarina.
Mulher, o que te fiz, e agora não consigo,
Ser honesto em dizer-te
Vai-te embora.
Outono em sol
Se eu sou uma primavera sem flor, e você é o inverno a me machucar, em qual estação de verão me cansarei desse outono?
Mares que vem à bem
Só o sol é capaz de testemunhar minha dor. A noite calada trouxe consigo o silêncio. E o sono roubou-me a lucidez. Os sonhos se tornaram meu ser. Não sentia enquanto via. Não consegui me achar frente ao espelho. Tudo que meu consciente falho reservoou durante o dia, os sonhos embaralharam, e , sem fim e começo me encontro todos os dias ao despertar-me com pequenas faíscas da manhã que se anuncia. O silêncio fica cada vez mais longe. Ouço minha própria respiração. Os pássaros começam a voar para tirar de suas penas o orvalho da noite. E eu à duras penas tento aliviar o orvalho desses meus olhos chorosos cerrando-os em meio à escuridão e meia luz.
Livro:
NÃO HÁ ARCO-IRIS NO MEU PORÃO.
Capítulo X
RÉQUIEM AO SOL, PROMESSA À NOITE.
Vultos dançam nas bordas das sombras, evocando os espectros de reminiscências sepultadas sob o lodo da ausência.
São murmúrios de passos nunca dados —
rastros de uma presença que, mesmo morta, ainda transborda ruína no porão da consciência.
Eis que o sol, alquebrado em seu estertor, entoa um réquiem à lua —
Não com voz, mas com luz exangue,
como se os próprios astros sepultassem o dia em silêncio.
Talvez seja nos delírios oníricos que a existência se insinua,
ou, quem sabe, nos pesadelos que anunciam dilúvios e ruínas.
O vazio que habita estas paredes não é silêncio,
é gestação de mundos que jamais nascerão.
E mesmo assim, o oco permanece grávido.
As sementes são escassas,
mas algumas ainda dormitam sob o limo do esquecimento.
Foi então que a aparição retornou —
Camille Monfort.
Não atravessou o espaço como os vivos o fazem.
Não caminhava.
Movia-se com a gravidade de uma lembrança que nunca soube morrer.
Deslizava como as brumas que sangram das frestas de um túmulo mal selado.
A atmosfera, diante dela, contraía-se em silêncio espectral.
Era presença e lamento.
Era epitáfio em forma de mulher.
Ela se postou diante do espelho esquecido — aquele onde os reflexos recusam habitar.
Ali, não havia imagem, apenas a insinuação de uma ausência.
O espelho a temia.
E a noite, também.
— Chamaste-me do subterrâneo da memória?
A interrogação ecoou como um sussurro no interior de uma cripta.
Não foi voz — foi sintoma.
Tentou-se responder, mas as palavras, apodrecidas no palato, desmancharam-se antes de nascer.
Falar diante dela era transgredir o sagrado do silêncio.
Camille aproximou-se da madeira corrompida que geme sob os pés dos esquecidos.
— O receio ainda te habita?, murmurou ela,
como quem não pergunta, mas sentencia.
Negar foi instintivo.
Mas naquele instante, não se sabia o que era instinto ou delírio.
— Talvez a noite seja apenas o útero de realidades não encarnadas, continuou.
— E o pranto, uma liturgia mal compreendida pelos vivos.
Mas há aqueles que compreendem… os que redigem livros com a pena embebida em saudade e treva.
Ela então se inclinou sobre a alma que não ousava respirar e, com voz de sopro ancestral, murmurou:
"Os vivos sonham. Mas as sombras se lembram."
Um toque — e a razão sucumbiu.
Desconhece-se o que sucedeu.
Se foi sono ou êxtase.
Morte breve ou vida suspensa.
Apenas silêncio… e a certeza de que algo se foi,
ou veio para ficar.
Sobre o assoalho enegrecido, repousava uma rosa — não vermelha, não branca — mas negra como a ausência de retorno.
Ao lado, uma página molhada pela umidade de um mundo interior que nunca secou.
Em tinta densa, o nome que jamais deveria ser esquecido:
Camille Monfort.
Entardeceres são sempre entardeceres
Haverão tardes que enxergaremos o pôr do sol
e outras que não o veremos.
Antes do pôr do sol, Olga tateia pela casa na companhia do seu inseparável, atento e fiel cãozinho..
Olga aos oitenta e poucos anos é a mais nova de nove irmãos, a cegueira lhe tirou a luz dos dias, mas nunca a alegria de se sentir viva.
Ouvinte e participante assídua de uma emissora de rádio.
Por decepção amorosa não casou e assim filhos não teve.
Foi alfebetizadora no pequeno lugarejo onde nasceu e cresceu.
Tinha uma maestria no crochê e ornava os eletros domésticos, mesas de casa e qualquer canto que vazio estivesse.
Mudou-se para capital, acompanhando os irmãos, seu trabalho foi continuado por um período na prefeitura municipal.
Aposentada passou a fazer ações sociais para uma paróquia da região metropolitana.
Muitos sobrinhos, sobrinhos-netos e sobrinhos-bisnetos lhe visitam o que lhe trás sorrisos..
Olga mantém a tradição de decorar a casa para os festejos juninos e com a ajuda do sobrinho Bartolo pendura as banderolas coloridas no terraço; já no início de dezembro são desencaixotados os brilhos natalinos e um antigo presépio que fôra de sua mãe e havia sido restaurado por sua irmã Aurora.
O sino da igreja..badala, como de costume é hora de fechar as janelas, entardeceu e Olga o sabe...
Porquanto o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não negará bem algum aos que andam na retidão.
É mais rico quem mora em um barraco e ver o por do sol juntos em cima de um barranco, que quem mora em um castelo na montanha e ver tudo sozinho.
O amor verdadeiro é como o sol, mesmo que não seja aproveitado, é impossível se esconder dele, e o arrependimento chega e ele vai embora se tornando inalcançável.
Somos marés,luas com suas fases,sol enfrentando mudanças das estações, somos feitos de ciclos,e o que diferencia cada um,é fazer valer a pena casa fase.
Não precisa seguir apedrejando casais que encontra no trajeto da estrada,só porque escolheu ser solitário pelo caminho.
