Enquanto
Enquanto não execrarmos o pecado, o céu nunca será um anseio para o descanso, mas um local para fuga.
A justiça é um pequeno objeto no espaço preenchido de arrogância e medo, enquanto houver na humanidade o desejo de sobrepor os demais a justiça jamais será justa.
"Enquanto houver erros, haverá aprendizados a serem descobertos. Os seres humanos são inerentemente propensos a cometer erros, mas enquanto houver humanidade, existirá uma busca incansável por respostas. No final, resta-nos a compreensão de que nada no mundo é tão desolador quanto a solidão."
Porque será que só os ingênuos
carregam o fardo da ideologia?
Enquanto os idealizadores
banqueteiam-se com mordomia?
Enquanto que a razão se contenta com a lógica, o coração experimenta o extraordinário do que parecia impossível.
Enquanto a razão remói, o coração sonha. O equilíbrio entre a razão e o coração é o que torna o homem transcendente. A transcendência é a capacidade e o desejo de romper limites, de ir além, superar e violar os interditos. A fé é aquela que ilumina a dúvida entre ouvir a voz da razão e o apelo do coração.
sou o tudo do nada despido
vestido com vestes nuas
imaginando destinos possíveis
enquanto dorme na rua
Permita-se sofrer enquanto sofre
Absorva todo o sentimento impudico
Impulsivo
Imprudente
Envolva-o como ele envolve sua alma
Consuma-o como ele consome seu corpo
Inteire-se dele como ele se apossa dos seus sentidos.
Como posso considerar a não boniteza
bela?
Eu posso tudo enquanto caio
em direção ao desconhecido,
afinal, estou morrendo, lembra-se?
Reconheço minha ignorância
Mas não me conformarei enquanto não puder ajudá-la!
Ajudar a quem?
A mim ou a minha ignorância, talvez...
Ajudá-la a olhar outros olhos
Verdadeiros reflexos de quem sou
Ajudá-la a enxergar outras faces
Herdeiros do mal e do bem, do não e do sim...
Ajudá-la a desterrar as máscaras
A soberba
A preguiça
A vaidade
Ah, como a ignorância é vaidosa!
Ela se esconde em si mesma.
A última gota
Eu estou aqui ainda
O que posso eu fazer
enquanto vivo?
Eu estou aqui ainda
Posso ser juiz
ou ser juízo!
Eu estou aqui ainda
Posso lamentar
ou saltar o abismo.
Eu estou aqui ainda
Posso enfurecer
ou tornar-me aprisco.
Eu estou aqui ainda
O que posso eu fazer
enquanto a vida pulsa
em meu peito
em minha face
em minhas mãos?
há decisões que – ainda -
podem ser tomadas
e escolhas que prescindem dos nãos!
É bom ser criança
E ser amada
E, antes de dormir,
Ouvir um Eu te amo
Enquanto se derrama num abraço
Cheio de aconchego e abrigo.
Ah, como é bom ser criança!
Desse jeito assim...
Perco os melhores poemas enquanto mastigo o pão
entro no devaneio das preciosas palavras
– Para quê?
Não me recordarei depois…
E, enquanto mastigo a massa cozida, coesa, comprida
invento canções e alaridos
das rimas sou anjo cupido
e não há caneta e papel
nem mesmo azeite com mel
para celebrar a poeta
– a poeta que sou lá!
no mundo onde ninguém me vê
na escuridão das intempéries
no exausto labor do encontro
de tudo o que poderia vir
e nunca veio
de tudo o que poderia ser
e nunca é
com tempos verbais débeis
ou verborragias
com lacunas e frestas
com enfeites ou peças
nada existindo outra vez
e o pão escorrega seco goela adentro
talvez ele encontre os versos em mim
que eu
… eu ainda não me dei.
Riem os deuses do ouro e do poder,
Enquanto a esperança se deixa morrer.
Lacram os olhos dos pobres que ficam no escuro.
Mas na rima da vida, há um verso de revolta,
Que desafia os dogmas, e a todos os cultos.
Assim, com humor, eu brinco e satirizo,
As correntes da fé que o mundo precisa.
Que a liberdade venha, que a mente se abra,
E que o amor verdadeiro seja a nossa caminhada.
