Engano de Amor
Já entreguei meu afeto, já me doei… Hoje, sou frio, um escudo erguido para sobreviver. Doar amor a quem não valoriza é soprar feridas abertas, não deixá-las cicatrizar. Esse gelo me protege, mas deixa uma saudade aguda
do calor humano que um dia foi natural… e hoje me trai em julgamentos e abandono.
O amor em excesso não escorre, não transborda, ele pesa como um lençol molhado sobre o peito. Afeto demais vira névoa densa, cobrindo meus passos, roubando o ar onde eu queria aprender a respirar sozinho. O que era abraço vira amarra. O que era cuidado vira cárcere disfarçado de zelo.
Como posso amar alguém verdadeiramente, sendo que nem amor próprio eu tenho?
Talvez o amor ao outro comece quando eu aprender a olhar para dentro, com a mesma paciência e cuidado.
O amor-próprio não é um ponto de partida, mas uma construção que cresce, a cada gesto de cuidado e compaixão comigo mesmo.
O amor é um cavalo xucro, selvagem, ferido, em fuga. Não teme o outro, teme ser preso. Mas o amor verdadeiro chega sem rédeas, espera em silêncio, acolhe sem moldar. E o cavalo, enfim, permanece. Não porque foi domado, mas porque, livre, escolheu confiar, escolheu ficar.
O amor, em sua natureza mais crua, é um paradoxo temporal e emocional, sua verdadeira dimensão só se revela na experiência da perda. Enquanto presente, é banalizado pela rotina, negligenciado pela falsa segurança da permanência. Somente na ausência é que suas camadas mais profundas se tornam perceptíveis, como uma arquitetura invisível que só se desenha no vazio.
Na sociedade contemporânea do século XXI ficou cada vez mais difícil encontrar o amor e a felicidade em par sem saber para isto bem administrar o interesse pessoal acima de todas as coisas, um inabalável egoísmo selvagem sobrevivente e a vida sempre em torno e à partir de nos mesmo.
Aprende se desde cedo pela própria caminhada que só há de se encontrar o verdadeiro AMOR se involuntariamente, DAMOS, fortuitamente à outrem o melhor que internamente e espiritualmente, se tem, se possui por nata virtude.
Amor. É mais dar para receber mas sem contar o tempo...consequentemente recebe se sempre mas no tempo do tempo....que é lento...nem sempre no nosso momento...se não pode evitar o rebento, afaste se e refresque se com o vento deixando passar o tempo."
O amor perfeito nasce incompleto e diferente.
Se completa a cada hora e e a cada dia assemelha se a nos na nova jornada da vida.
As doenças sexualmente transmissíveis no seculo XXI aniquilaram por vez o então frágil franco amor sincero e a confiança solidaria pactual no amor carnal, livre prazer e encontro espiritual entre os pares.
Não acredito em celebração natalina cristã alguma em qualquer parte do mundo sem o amor incondicional ao próximo, muita oração pela paz, celebração da vida e a caridade.
Como eram felizes e coloridos meus dias de sonhos, fantasias e ilusões perante a vitoria do amor incondicional e irrestrito pela vida e pela humanidade.
Nunca existiu métrica no verdadeiro amor pois o coração que ama, transcende até a existência e a dimensão.
Muitas das vezes o amor me parece ser um complicado jogo de quebra-cabeça com encaixes imperfeitos entre o sonho e a realidade.
Ninguém pode prometer a qualquer direção de forma lucida e verdadeira o eterno amor, o tênue carinho, o central interesse para sempre e a completa atenção. A figura e o cenário se alternam de lugares a cada nova percepção e emoção. A vida em plenitude só é justificada em um constante imprevisível movimento. Ser e não ser, entender e ter o desconhecimento.
