Engano de Amor
Não sei se foi engano ou apenas o momento de viver por viver. Não questionamos aqueles dias turbulentos, onde aprendemos a lição. Talvez o que vivemos tenha sido só um engano, apenas viver por viver e nada mais.
Desde a formação, no começo de tudo, somos hackeados pelo engano. Na vida pessoal, pela religião, tornamo-nos fantoches de nós mesmos. A nossa verdade, muitas vezes, é a nossa maior ignorância. O que sabemos para seguir de cabeça erguida não traz certeza alguma. Podem me chamar de louco; eu não estou certo — mas quem está certo em um mundo de mistérios, onde não há esclarecimento sobre a verdadeira realidade.
"O engano travestido de verdade
Só é desnudo por um exame racional.
Paulo escreveu que nossa fé é racional
Se tomamos a Palavra como base
Crês no Deus das escrituras
E duvidas das escrituras de Deus?
Ó homem de mente vacilante
Ignorarás os ensinos seus?"
Por um grande momento
fui entrega...
no final,
descobri um grande engano!
Resolvi acalmar meu coração
e segui sem olhar
para trás...
eis que encontrei a paz!
A mentira é o engano da mente para vencer qualquer engano tire às coisas ruins para não se tornar vilão do seu próprio fracasso.
Amar é um cativeiro consentido,
doce engano em peito consumido;
é ver no olhar um mundo que se some
suave erro que aceito por perdido.
É feitiço sutil que a alma tome,
razão rendida ao gesto proibido;
é ter no peito o sonho que me nome
e, em seu silêncio, arder sem ser ouvido.
Deixa que eu ame, ainda que em segredo,
se amar é padecer tão doce pena,
se é delírio mortal e paraíso.
Que seja amor, ainda que com medo,
pois mais vale esta dor que me condena
que a fria paz de um coração sem riso.
Grande engano é pensar que na vida é necessário apenas aprender, quando muito temos o que desaprender.
A Iguaria do Abismo
Provei do cálice sem aviso,
como quem aceita um veneno por engano.
Não era morte o que ali estava,
mas uma mutação que não aceita plano.
Fui invadido por essa substância estranha
que agora corre onde antes era apenas sangue.
Dizem ser lenda, chamam de platônico,
falam que o que sinto é fumaça ou ficção.
Mas como pode ser nada, se pesa tanto?
Como pode ser vento, se me aperta a mão?
É real como a lâmina, como o corte vivo,
que se deixado ao relento, faz sangrar o chão.
Carregarei esse gosto para além do tempo,
em bagagens que a carne não pode segurar.
É um nó cego feito de seda e de espinho,
que não me solta, nem me deixa desatar.
Pois na doçura que cura e no amargo que fere,
descobri a verdade que o mundo ignora:
a vida, sem provar desse perigoso banquete,
seria apenas um relógio contando a hora.
Que sabor teria a existência, afinal,
sem essa iguaria que nos devora?
"Existe uma diferença abismal entre o tropeço e a negação. O engano faz parte da nossa natureza limitada; somos seres em constante aprendizado e, por vezes, as ilusões da vida nos desviam do caminho."
Deus não é responsável pela maldade, egoísmo, ambição e engano dos homens. Suas mentiras transformaram-se em “verdades” que lhes são convenientes.
Atila Negri
Trégua armada
Não é pela data, não pelo brilho vazio,
nem pelo símbolo, o engano ou o ritual.
É só por ser o dia em que é feriado,
o único em que cabem todos, afinal.
Reúno a mesa, o vinho, o gesto lento,
a carne assada e o doce já sem cor.
Mas vejo nos olhares o alinhamento
de uma guerra antiga, de uma antiga dor.
Sempre respiga algo. Um riso que se quebra,
uma pergunta acesa, um tom a mais.
A mãe que chora o filho que não volta,
o irmão que bebe o vinho dos sinais.
E o brinde soa oco como um sino
rachado no rigor do tempo morto.
Natal é o ensaio do sepulcro em família,
Páscoa é a traição de um beijo torto.
Ano novo passa a ferro as cicatrizes,
aniversário é a idade do desgosto.
Eu queria apenas juntar mãos e restos,
mas a união já vem com seu escombro.
E o que deveria ser festa é trégua armada,
onde o amor respira o mesmo ar do monstro.
Então celebra o rito, o calendário,
a desculpa maior que o sentimento.
E se outra família diz que é diferente,
mais verdadeira em cada acontecimento,
não mintas: isso é a farsa transparente.
No fundo, toda família é o mesmo vento.
Você luta como um homem mais jovem, sem nada a esconder. Admirável, mas um engano.
O PODER DE SABER SELECIONAR
Muitas vezes, cometemos o engano de tentar manter por perto pessoas que não reconhecem o nosso valor, como se a insistência fosse uma forma de provar algo. Mas, na prática, forçar presença só traz desgaste e cansaço.
É preciso entender que a energia, o tempo e a atenção que temos são limitados e precisam ser direcionados com sabedoria. Quando se investe muito em quem não sabe valorizar, acaba-se deixando de lado o auto-cuidado e afastando quem realmente poderia acrescentar. Com o tempo, esse peso fica insustentável.
Aprender a soltar e deixar ir não é frieza, é sinal de maturidade.
Nem todo mundo que cruza o nosso caminho veio para ficar. Algumas pessoas passam para ensinar lições, outras para mostrar limites, e muitas simplesmente não possuem mais espaço na fase que estamos vivendo. E isso é natural. Quem realmente quer estar presente demonstra através das atitudes, da constância e do respeito.
Não faz sentido mendigar presença onde não há reciprocidade. O que é verdadeiro não precisa ser sustentado à força, ele se mantém por si só.
No fim das contas, escolher quem tem acesso à nossa vida é um ato de respeito próprio. Não se trata de se isolar, mas de proteger aquilo que se tem de mais valioso: a paz interior. Quando se entende isso, as relações se tornam mais leves, mais sinceras e muito mais alinhadas com a verdade.
Porque o que importa não é a quantidade, mas a qualidade e a sinceridade de cada conexão. E quem realmente merece estar, permanece sem esforço.
(Autor FRANÇA, Fernando em 05 de maio de 2026)
“Entre o engano e o pedido de socorro existe uma zona delicada onde a ética precisa caminhar junto com a compaixão.”
Do livro Síndrome de Munchausen — A Dor Fabricada, o Sofrimento Real: Uma Jornada entre o Engano e o Pedido de Socorro, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
