Encontro entre Amigos
Entre o Asfalto e o Sol
No meio da tarde cinza
um girassol nasceu do asfalto
Ninguém esperava nem o vento
nem o tempo nem o salto
do pássaro que ali passou
e hesitou como quem pensou
Isso é sonho ou erro do mundo
Um senhor de terno escuro
parou o passo e sorriu
como se o passado inteiro
nele tivesse se redimido
Uma criança desenhou ao lado
o sol com lápis partido
e disse
Ele brotou porque cansou de esperar no campo
E o girassol sem saber que era milagre
ficou ali
Entre buzinas pressa e concreto
erguido amarelo desobediente
como quem diz ao universo
Também posso ser poema
Entre as Montanhas de Minas
Entre os veios de pedra e sonhos,
Nos caminhos serenos de Minas,
Ergue-se Sucanga, joia escondida,
De entardecer cinzento e alma aquecida.
Vales que dançam ao som do vento,
Campos que abraçam o tempo bom,
Ali, onde a ternura é sustento,
Habita o povo de coração bom.
Um café fumegante em tarde suave,
E um pássaro livre no céu a cantar,
Chilreio sem medo, voo sem trave,
Liberdade a se eternizar.
Gente humilde, educada, encantadora,
De palavras doces e gestos de flor,
Lhaneza que brota, pura e acolhedora,
Num abraço que semeia amor.
Um afago, um sorriso, um convite singelo,
Para que o regresso não tarde a chegar,
No campo de futebol, o verde mais belo,
Zelo que é prece sem precisar falar.
Não Está Aqui
Guardo labirintos de palavras.
Entre sombras e colunas antigas,
mais que livros repousa o mistério.
Sem buscar, mãos tocam
o mais espesso dos tomos,
aquele que murmura entre poeiras:
decifra-me ou devoro-te.
Olhos distantes, o objeto contempla.
Folha a folha, uma alma se abre.
Cada página, um suspiro,
cada linha, um abismo.
Leitura feita em silêncio sagrado,
onde o tempo se curva
diante da persistência.
Mesmo o guardião da palavra
não ousa compreender.
Um menino detém o gesto.
O corpo se cristaliza.
O silêncio se parte:
— Que houve?
Lábios tremem:
— A página… em branco.
Mas eis que o branco se move.
Letras nascem do que se vê.
No convento onde tudo cala,
escreve-se o invisível.
E assim,
o manuscrito respira.
A distância entre nós tem sido um desafio, mas quero que saiba que estou aqui para apoiar você em tudo. Cada dia que passa, conto os segundos, os minutos, as horas até chegar o momento em que estaremos juntos de novo. Saiba que vou esperar o tempo que for preciso! Mal posso esperar para te ver, te abraçar e dizer o quanto você é especial. Siga forte! Saudades!
“Pensamento crítico não é luxo de intelectual… Mas vamos falar baixo,
só entre nós. Vai que dói em alguém.”
Andei semeando por aí.
Entre a palavra e o pensamento existe o meu ser. Meu pensamento é puro ar impalpável, insaisissable. Minha palavra é de terra. Meu coração é vida. Minha energia eletrônica é mágica de origem divina. Meu símbolo é o amor. Meu ódio é energia atômica.
Tudo o que eu disse agora não vale nada, não passa de espumas.
Padecente.
Faminta e friorenta e humilhada.
Eu te recebo de pés descalços: é esta a minha humildade e esta nudez de pés é a minha
ousadia.
Não quero ser somente eu mesma. Quero também ser o que não sou.
Tudo muda
Tudo passa
Bons momentos
Maus momentos
Tudo passa
Assim envelhecemos
Entre acertos e erros
Vamos caminhando lentamente
Em direção ao fim da estrada
Sendo que não sabemos quando será e é nisto que está a magia da vida.
Viver todo dia como uma dádiva de Deus por estarmos aqui e podermos usufruir de nossa jornada vivência.
Cada um de nós tem uma história a ser cumprida
Flores nascem entre os espinhos,
alegria e tristeza são seus vizinhos.
Entenda, busque as soluções com devoção, supere os desafios com fé e dedicação.
Livro: O respiro da inspiração
Se fosse para eu escolher entre não te amar e te esquecer, minha escolha seria te esquecer, pois eu não consigo viver sem amar você.
Entre o Silêncio e o Vento
No fio da tarde, o tempo se dobra,
carrega lembranças no sopro do ar.
O mundo respira, mas quase não fala,
tudo que importa começa a calar.
Os passos se perdem nas sombras do chão,
mas dentro de mim, há fogo e caminho.
Mesmo na dor, renasce a esperança,
feito uma flor brotando sozinha.
O olhar se levanta, encontra o infinito,
não pelo céu, mas pelo sentir.
Pois quem já caiu, aprende o segredo:
é no silêncio que a alma decide existir.
Se Deus está sempre entre nós, o que ele está fazendo na guerra da miséria? Usando inocentes para exemplificar os assassinos?
A vida corre ligeira,
é um breve intervalo entre nascer e partir. O que vale é o trabalho. Família, amigos, ética, e o bem que se faz. Ame, perdoe, seja feliz; a vida é curta demais.
Livro: O respiro da inspiração
"Qual a diferença entre assassinato e tirar a própria vida? É o ato mais egoísta e sem consideração aos que ficam para trás."
**Entre instantes e eternidades**
Num sopro nasce o dia, num sopro ele se vai,
Como folhas ao vento que o tempo desfaz.
A vida é caminho não reta, mas curva,
Feita de silêncios, partidas e voltas turvas.
Há beleza em cada ruga do tempo,
Em cada erro que virou ensinamento.
O sorriso do agora, o choro do ontem,
Constroem o ser que somos e que seremos também.
Medimos a vida em horas, minutos,
Mas seu valor mora nos instantes absolutos:
Um olhar sincero, um abraço apertado,
Ou o suspiro que precede o inesperado.
A vida não pede promessas eternas,
Só presença nas breves cenas.
E quando tudo parecer sem razão,
Talvez viver seja só… sentir com o coração.
"A Pistis Sophia, (texto gnóstico que descreve diálogos entre Jesus e seus discípulos após a ressurreição, abordando temas espirituais e a natureza divina), apresenta uma visão profunda da natureza divina, revelando uma realidade espiritual complexa. Nela, encontramos a Mãe Divina, Pistis Sophia, (personificação da sabedoria divina e aspecto feminino da divindade), e o Pai Desconhecido, (o Absoluto, fonte divina incognoscível e transcendente, além da compreensão humana), distinto do Deus criador do Antigo Testamento, conforme interpretado na teologia gnóstica. Juntos, eles se manifestam através dos Aeons, (emanações divinas que nos conectam ao divino transcendente). A centelha divina dentro de nós é uma emanação dessa realidade divina, que foi aprisionada na matéria pelo Demiurgo, (ser inferior que criou o mundo material e é frequentemente identificado como Javé, o Deus do Antigo Testamento), sendo visto como obstáculo à iluminação espiritual, pois nos mantém presos às leis e regras do mundo material, impedindo-nos de reconhecer nossa verdadeira natureza divina. Nesse contexto, a busca pela gnose torna-se fundamental para a libertação da centelha divina, permitindo que ela retorne à sua fonte divina e experimente a unidade entre o interno e o externo, o humano e o divino.
[sem título]
manhãs sem plateia também contam.
há um intervalo entre acordar e obedecer
onde ainda não se é função,
nem imagem,
nem ideia mastigada de beleza.
apenas corpo e respiração.
o que vem depois disso
é o que sustenta.
não o que produziu, entregou, agradou.
mas o que silenciou
o impulso de se esconder
no que já deu certo.
há dias em que o silêncio fede.
há dias em que a sombra
pesa mais que o vestido.
há dias em que nada encaixa.
e ainda assim, não se grita.
não se implode.
não se performa dor.
apenas se insiste.
não por heroísmo.
mas por uma espécie de pacto secreto com o próprio eixo.
o mundo não aplaude
quem não cede ao papel.
mas existe um tipo de vitória
que não sobe em palco:
aquela que acontece
quando o salto aperta
e, em vez de sorrir pra foto,
opta-se por tirar o sapato.
ninguém repara,
mas é ali que mora a liberdade.
no não contar.
no não provar.
no gesto pequeno de sair do personagem
sem pedir desculpa à narrativa.
não é sobre força.
é sobre não fingir mais leveza
onde se carrega concreto.
é sobre sentar-se reta na cadeira
sem torcer o corpo pra parecer menor.
é sobre encarar o espelho
e não ver projeto, nem fracasso,
só estrutura.
quando isso acontece,
quando já não se quer ser preferida, escolhida, notada
quando já não se mede valor pelo reflexo
quando não se escreve mais
pra ser entendida
mas pra não adoecer..
então sim:
há paz.
não como prêmio.
como consequência.
Juliana Umbelino
Capoeira
“Ser mestre na capoeira é fazer do corpo uma ponte entre o passado e o presente. Dominar a arte é ouvir com os pés, falar com os braços e ensinar com o coração.”
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