Encontro entre Amigos

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O pensamento amadurece quando deixa de escolher entre os opostos e começa a investigar aquilo que produz a oposição.

A alma é a ponte entre o mundo que percebemos e o mundo que ainda buscamos compreender.

Toda civilização é uma negociação inacabada entre aquilo que o homem é, aquilo que teme ser e aquilo que imagina poder tornar-se.

A natureza não possui departamentos: somos nós que inventamos fronteiras entre a física, o Direito, a medicina e a filosofia.

Devemos atravessar fronteiras entre áreas do conhecimento e procurar, nas conexões entre elas, uma compreensão mais ampla do ser humano e da realidade.

O verdadeiro intelectual não constrói muros entre os saberes; constrói pontes por onde as ideias possam atravessar.

Conhecer é aproximar aquilo que parecia distante até que a relação entre as coisas revele uma verdade maior.

Entre a razão que calcula, a filosofia que questiona, a arte que contempla e a ciência que investiga existe uma mesma inquietação: compreender.

Toda fronteira entre saberes é provisória quando uma pergunta suficientemente profunda atravessa seus limites.

O homem renasce intelectualmente quando deixa de escolher entre os saberes e começa a compreender suas relações.

Entre Duas Marés


Há caminhos que se fecham
muito depois de termos partido.
Ficam a respirar atrás de nós,
como portas que não sabem aceitar o silêncio.


Tu voltaste quando eu já era
memória dobrada dentro de mim,
um eco que a vida tentou apagar
mas que insistia em pulsar
como uma luz antiga de farol
a procurar um barco que já não volta.


E eu, que tantas vezes te esperei,
aprendi a caminhar com os pés feridos,
aprendi a ser terra firme
depois de ser tempestade.


Mas quando disseste “volta”,
o tempo abriu-se como um rio dividido.
Toquei-te ainda, como quem toca
uma fotografia viva,
mas o meu destino já tinha nome,
e a minha palavra já tinha dono.


Ainda assim, há noites
em que o teu nome sobe à superfície,
como uma ilha perdida
que o mar insiste em mostrar.


Não é arrependimento.
É apenas o coração a lembrar
que algumas histórias,
mesmo quando acabam,
continuam a respirar dentro de nós
como marés que não sabem
deixar de voltar.

escrever sem pressão
entre pausas
surge uma lembrança na memória
entre respiros
um suspiro
e uma nova forma de me reconectar comigo
diferente
única
e acolhedora


eu gosto de escrever
isso me liberta
me traz de volta
para as melhores partes de mim
De quem sou
do que gosto
e o novo eu descubro,
de mim.
e me liberto
das correntes
que me aprisionam
uma nova versão renasce
como se ela estivesse adormecida
esquecida
empoeirada
guardada dentro de um baú
para ninguém ver como brilha
como inspira


Como é possível?
Ficar tão escondida!


agora sua luz ilumina o caminho
consigo ver a direção que eu devo tomar
e que a luz me leva


enxergo o céu sobre a minha cabeça
sinto os pés no chão
e o cheiro das flores por onde passo
o mundo do qual sempre fiz parte


é estranho como havia caminhos nebulosos
dentro de mim
mas como é bom estar de volta
para quem sempre fui.

Entre luzes de velas que iluminam os meus aposentos,escrevo em páginas envelhecidas, sentimentos que adoraria não sentir...Mas é no lago dos cisnes onde minha alma é livre de verdade!


-Hellennah Bourbon:Cidade de Rosas.

A diferença entre admirar e invejar alguém inteligente está na decisão de transformar a admiração em estudo.

Não demonstrar Deus não significa refutá-lo: entre a certeza da fé e a certeza da negação permanece o território epistemicamente mais honesto da dúvida, onde a razão, sem abdicar do rigor, ainda pode admitir a possibilidade de uma inteligência transcendente ou de um princípio ordenador do real. Se é que houve um princípio de tudo.

Compreender profundamente uma coisa exige atravessar as fronteiras entre várias formas de conhecimento.

Compreender verdadeiramente uma realidade exige atravessar as fronteiras artificiais entre os campos do saber e reconhecer, na diversidade dos conhecimentos, a unidade profunda que os atravessa.

A solitude não é o vazio entre dois relacionamentos; pode ser o espaço em que o indivíduo finalmente escuta a própria voz sem a interferência das expectativas alheias.

Há uma diferença entre desejar companhia e temer a própria companhia; confundi-las é transformar carência em filosofia.

O homem que aprendeu a viver sem aplausos começa finalmente a perceber a diferença entre reconhecimento e valor.