Encontro entre Amigos
Entre absolver um culpado e condenar um inocente existe uma assimetria moral que nenhuma conveniência jurídica deveria ignorar.
A inteligência incomoda porque não respeita fronteiras construídas pela autoridade entre aquilo que pode ser pensado e aquilo que deve permanecer acreditado.
O homem moderno colocou uma máquina entre si e quase tudo, mas ainda não inventou uma tecnologia capaz de separá-lo de sua própria vaidade.
Entre a fé que admite sua natureza de crença e o dogma que exige ser tratado como evidência existe toda a distância entre humildade e poder.
O mundo que conhecemos não chega à consciência em estado bruto; entre a realidade e aquilo que acreditamos ser realidade existe sempre a estrutura de nossa própria percepção.
A existência humana oscila entre a dor provocada pelo que desejamos e o vazio que pode surgir quando já não encontramos algo pelo qual desejar.
A solidão não é necessariamente ausência de pessoas; às vezes é a distância entre uma consciência que pensa profundamente e um mundo que não consegue acompanhá-la.
A aparência de virtude pode convencer os homens; somente a coerência entre consciência, palavra e ação convence a própria consciência.
Entre preservar a própria vida e trair a própria consciência, Sócrates ensinou que existe uma forma de sobrevivência que pode custar ao homem aquilo que torna sua existência digna.
Entre o excesso que destrói e a deficiência que paralisa, a virtude procura o ponto em que a razão consegue transformar medida em equilíbrio.
A amizade não é apenas afeto entre indivíduos; quando fundada na virtude, torna-se uma forma de reconhecimento mútuo e responsabilidade recíproca.
O caráter de um homem revela-se menos naquilo que proclama do que na distância entre suas palavras e suas ações.
A palavra revela intenção; a ação revela caráter. Entre ambas, a verdadeira medida do homem está quase sempre naquilo que ele faz.
A razão é distribuída entre os homens; o que frequentemente os diferencia é a disposição de submetê-la ao método antes de submetê-la às próprias convicções.
A razão aproxima os seres humanos porque procura aquilo que existe de comum entre eles, enquanto o fanatismo frequentemente transforma diferenças em fronteiras.
A alegria amplia nossa potência de agir; a tristeza a reduz. Entre ambas existe uma parte silenciosa da política: aquilo que uma sociedade produz na capacidade de seus indivíduos viverem, pensarem e agirem.
Entre o altar, o palácio e o indivíduo, o Direito iluminista ergueu uma fronteira chamada liberdade de consciência.
A propriedade nasce, em Locke, da relação entre o indivíduo, seu trabalho e aquilo que a natureza disponibiliza, estabelecendo uma conexão entre esforço, apropriação e responsabilidade.
A desigualdade entre os seres humanos pode nascer da natureza, mas a desigualdade transformada em privilégio jurídico, econômico ou político é também uma construção social.
A propriedade privada não é apenas uma relação entre indivíduo e coisa; historicamente, também se tornou uma das bases pelas quais riqueza, poder e desigualdade passaram a organizar a sociedade.
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