Encontro entre Amigos
A dor é estranhamente democrática: não escolhe entre culpa e acaso, homem ou animal. Chega, fica e cobra o seu preço.
Entre a liberdade e a submissão, às vezes existe apenas a coragem de questionar as respostas que recebemos prontas.
Talvez o amor seja uma de nossas escolhas mais arbitrárias: encontramos uma pessoa entre milhões e damos ao acaso o nome de destino.
Estar sozinho é uma situação; sentir-se sozinho é outra coisa. Entre as duas existe quase toda a complexidade de ser humano.
Entre a norma que ordena e a consciência que questiona existe o território onde o homem começa, finalmente, a tornar-se autor de si mesmo.
A dúvida não é inimiga da inteligência; é o espaço respirável entre aquilo que pensamos e aquilo que podemos demonstrar.
A existência oscila entre a ferida do desejo e o vazio que nasce quando o desejo finalmente se cala; entre uma dor que nos move e um tédio que nos devolve a nós mesmos.
Entre aquilo que somos biologicamente e aquilo que podemos tornar-nos existe o território aberto da liberdade.
O corpo não é um objeto entre objetos; é a condição silenciosa para que qualquer objeto possa aparecer diante de nós.
O homem é uma criatura dividida entre a lucidez que lhe anuncia a morte e o desejo indomável de que sua existência não termine no silêncio.
Há quem confunda liberdade com a possibilidade de escolher entre aquilo que o algoritmo já decidiu oferecer.
O Direito procura a justiça entre os homens; a ciência procura evidências sobre o mundo. Confundi-los é tão perigoso quanto separá-los completamente.
Entre o dogma religioso e o dogma cientificista existe uma fronteira preciosa: a humildade epistemológica.
A ciência conhece por aproximações; o dogmatismo conhece por decretos. Entre ambos está a honestidade de dizer: “ainda não sabemos".
Não é preciso escolher entre razão e mistério. É preciso saber em que momento estamos investigando, em que momento estamos interpretando e em que momento estamos simplesmente acreditando.
A dúvida inquieta o espírito, mas a certeza absoluta o aprisiona; entre ambas, a razão constrói sua liberdade.
O senso comum talvez seja a mais celebrada das virtudes e uma das menos distribuídas entre os homens.
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