Enchente
Pobre Rio Grande
Pobre Rio Grande...
Despercebido, vem a chuva
Desacordado, chega a tristeza
Desvinculado, vem a nobreza
Pobre Rio Grande...
Chega a noite, e vem o dia
Virado em uma ventania
Ninguém anda, ninguém vai
Pois o mar que antes não havia
Chegou, mas não para a alegria
Na manhã de trabalho
Que era, para alguns
Ao redor, o pessoal, ilhado
Não, pois havia os pães
Que de ontem, não foram entregados
Mas achar que governo ajuda?
Claro, lugar afetado capital não foi
Pois civil ajuda civil, sim
E achar que ajuda, do céu veio
Mas não, matéria para jornal falta
Apesar de ser tosco
Pessoas morrendo salvando outras
Diante daquele dia, nunca mais
Resgate é uma ova!
Dia que se importaram em resgatar
Homem não foi, animal sim!
A nação que antes via como gloriosa
Não passa de uma piada
Motivo de chacota, peixe-palhaço
Tanto, que multam doações
Pobre Rio Grande...
Lutar, foi parar em vão
Afogar, é óbito com razão
Pagar, mão de obra é "lesão"
Pobre Rio Grande...
Nas suntuosas avenidas, muita casa para pouca gente; desceu a viela, muita gente sem nenhuma casa... E a chuva cai!
GÔNDOLAS EM VENEZA
Qual a Força da Natureza
E qual seria o Seu Tamanho
Uma Gigante com certeza
Chega soar um tanto estranho
Poder trazer tanta tristeza
Mas quantas vezes eu me acanho
Pensando só em miudezas
E o que aqui hoje acompanho
Não são gôndolas em Veneza!
Se as tubulações da rede de esgotos foram calculadas para receber volumes de chuvas, qual é o problema das enchentes nos bairros populares?
