Embaçado
e mesmo quando a minha imagem
não passar de um vulto embaçado
num porta-retratos empoeirado
mesmo quando o meu nome
estiver escrito apenas numa lápide
abandonada e encardida
mesmo quando nenhuma alma viva
lembrar da minha passagem por aqui
mesmo quando nada mais existir de mim
vultos, imagens, nomes ou lembranças
mesmo assim
meu coração continuará pertencendo a ti
Espelho velho
O espelho é velho
Há décadas que não é usado
O espelho está embaçado
Há tempos que ninguém o contempla
O espelho é antigo
Há anos que ele não é limpo.
O espelho está trincado.
Infelizmente tenho sonhado
Quando cochilo minhas duas horas por noite
Perante meu novo embaçado olhar
Vocês estão abraçados
Os que se odiavam
Trocam beijos
Se comem
E sabemos que não é imaginação homérica
De minha fútil mente prática
Se tudo vai meio que embaçado, confuso, bagunçado, descontrolado, confie em Deus. No final tudo dará certo.
olhos embaçados
de tanto chorar
de tanto doer
me olho no espelho
tá tudo embaçado
de tanto pensar
de tanto sofrer
olho porventura
o meu interior
tá tudo embaçado
de tanto sentir
de tanto amor
olho a chuva lá fora
tá tudo embaçado
de tanto esperar
de tanto remoer
olho a vida
com outros olhos
desembaçou
a minha alma
avistou
o amor ficou
lembranças deixou
no peito acalmou!!!
Tiro os óculos e fica tudo meio embaçado, mas a alma continua distinguindo os detalhes, mesmo no erro da máquina. Arte é política, arte é procurar novas descobertas e sensações nos erros ou no caos. Arte salva.
PASSANDO ...
Sulca-me as frontes já rugas encanecidas
Olhar embaçado eu vejo o velho cerrado
Torto, “pedregado”, arbusto tão delgado
No tempo vou em velocidades incontidas
Cabelos brancos, vá, não seja tão abusado
O meu espanto, quanto as tuas investidas
Tão fugaz, minhas queixas enfraquecidas:
Lamentos, surpresa, pavor, sem resultado
Tive antipatia, tive inocência, e repulsa
Com a estranheza furiosa da mudança:
No espelho a figura avelhantada pulsa
E, atendo ao inevitável, já, só lembrança
Passou, vai passando, e a história incursa
Ao passado, a temporada de ser criança...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Abril de 2021, 12’45” - Araguari, MG
"A inversão de valores tem sido como um espelho embaçado, a cada dia que passa a dificuldade aumenta de se ver quem verdadeiramente somos"
Eu sou como o vidro , vou refletir as vezes , dependendo do bom humor .
Talvez eu esteja embaçado ,sem humor e sem ânimo pra nada ,ou posso estar limpo que quando olharem pra mim ,vão ver dentro de mim a pessoa que eu sou . Mas tome cuidado ,se não souberem lidar comigo eu posso quebrar e te cortar , o corte pode ser fundo que você vai repensar em mexer comigo novamente .
Detesto pensar nas poesias inacabadas. Umas escritas em frente ao espelho embaçado do banheiro; ela perdeu a esperança que aqui um dia desfilou em trajes dourados. Naquela época em que eu via você passando à minha frente, você não estava entrando apenas na minha casa; estava entrando no meu mundo, mudando a minha realidade. Hoje, me lembrei da véspera de Ano Novo: tudo arrumado, a mesa pronta, resolvemos romper o ano tomando banho, para pedir ao céu para passar o ano todo juntos. O sorriso perdeu o foco, o sonho virou pesadelo: poesia inacabada. Boa noite.
Na superfície dura e fria do espelho, o reflexo embaçado de um rosto me encara de volta.
É uma visão turva de uma expressão duramente composta, criada com o propósito de aparentar uma natureza distante daquela que atormenta o meu íntimo.
Uma caricatura do eu, imagem vendida por mim e aceita pelos outros.
Mandíbula cerrada, sorriso composto, postura altiva e determinada. É o suficiente. Embalagem perfeita para a vitrine da vida, mais uma na prateleira de objetos inanimados esperando receber qualquer estímulo externo, ou ganhar vida.
Des-amar
De repente meu futuro ficou embaçado e
o rosto daquela pessoa desconfigurado por uma mancha.
De repente sua voz era apenas uma voz distante, tempos depois nem voz era, seu som - agora jogado em devaneio pelo vácuo mental - já não existia mais em meus pensamentos, sua face, como um quadro na sala de estar que fora simplesmente esquecido por quem a colocou, era agora uma lembrança, uma memória longínqua que volta e meia transborda de emoções recém superadas - ou talvez apenas trancafiada em um lugar remoto cujo nem meus pensamentos possam alcançar.
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