Ele

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"O amor nunca desaparece por completo. Às vezes, ele apenas muda de geração."

"O tempo não tem pressa: Ele desfaz rótulos, expõe interesses, remove máscaras e devolve cada pessoa ao lugar que suas próprias escolhas construíram."

⁠“Um olhar diz tanto… Precisamos saber ouvir o que ele nos diz e também usá-lo para expressar nossos sentimentos, uma vez que palavras proferidas podem causar tanto desentendimento”
Ney Paula B.

⁠⁠“Mais fácil é para o homem carnal, ser quem ele é, que deixar de ser assim. Porque para tornar-se espiritual, requer sacrifícios…”
Ney Paula B.

A Vertigem da História e o Sussurro do Amanhã


Vivemos sob o despotismo do Agora, mas ele é um tirano feito de instabilidade. A História, que antes avançava a passos largos de eras e impérios, hoje corre em um galope tecnológico, medido em ciclos de software e manchetes. Esta é a velocidade da História: não uma linha, mas uma espiral que se comprime, obrigando-nos a processar o século em uma década, o ano em um mês. O passado não se afasta; ele se torna obsoleto com uma rapidez vertiginosa.
É dessa aceleração que nasce o espanto do tempo.
O espanto não é apenas a surpresa, mas a vertigem existencial de quem se sente estrangeiro na própria contemporaneidade. O que era firme e fundamental ontem — a estrutura de um mercado, o modo de uma comunicação, a certeza de uma fronteira — desmorona sem aviso. O espanto é o choque entre a brevidade da vida humana individual e a violência da transformação coletiva. Sentimos o futuro nos ultrapassando antes mesmo que tenhamos compreendido o presente. É a sensação de que o chão da realidade é feito de areia movediça.
Mas a História, apesar de sua pressa, não é totalmente cega. Ela deixa sinais pelo caminho.
O futuro não chega com trombetas, mas como um ruído discreto nas margens do presente. Os sinais estão nas tecnologias marginais, nas ideias políticas consideradas radicais, nas fraturas sociais que ainda parecem pequenas demais para importar. São os precursores, as tendências incipientes que, ignoradas hoje, serão a regra amanhã.
O futuro não é algo que virá, mas algo que já está aqui, encapsulado como potencialidade dentro das fissuras do nosso Agora. Ele se manifesta como o paradoxo: quanto mais acelerado o tempo, mais urgente se torna a nossa capacidade de pausar e escutar os sussurros do amanhã no meio do turbilhão.
A sabedoria, portanto, não está em tentar parar o galope, mas em desenvolver a lucidez para identificar esses sinais quietos. É aceitar o espanto do tempo, reconhecer o trânsito veloz, e ainda assim, encontrar a âncora no presente para ler os avisos que o futuro, por pura necessidade lógica, é obrigado a deixar para trás.

NOSSA FINITUDE


O mundo já não basta em si, ele quer me devorar.
Ele, o mundo, comporta-se como um bicho feroz,
Sedento e faminto...
Eu já não basto em mim e tento devorá-lo, também.
Mas sou tragado, como a parreira lambida pelo fogo.
Assim, deixo-me ser consumido, pois não há porque lutar,
Pois tudo, é o que é! Já percebeu que a força
Do destino que pensamos estar em nossas mãos
É um pêndulo, como uma mão que balança o berço?
Já percebeu que precisamos de fatores externos
Para cumprirmos algo, e que existe em nós
Uma força interna e o desejo de cumprir algo?
Já parou para pensar por que as coisas acontecem?
E como surgem as boas e más ideias e as situações?
De certa forma, muitos pensam que dominam a própria vida,
Sendo que há fatores que sempre nos desapontam
Em todo momento e que somos devorados
Todos os dias por uma grande força motriz
Invisível, sem nos darmos conta da finitude
Que existe de tudo que pensamos entender...
Em algum lugar no espaço-tempo, onde o tempo se dobra,
Na sua infinitude, pode ser que exista
Um eu, um você, tentando alinhar a cronologia do tempo,
Para que as coisas por aqui progridam da melhor maneira possível,
E que o destino realmente faça jus ao seu ofício
E que tenhamos a benção dos deuses como sorte...

O Belo


O belo traz leveza na sua própria essência.
Ele não requer afirmação
e conduz as distrações
intrínsecas naquilo que ele é.
Por isso, no que cabe
às flores num jardim
e suas fragrâncias,
com seus aromas
discorrendo por tempos remotos,
revela o quanto
sobrou dos sentimentos
que ainda carregamos em vida.


Aqui, o belo cumpre seu papel,
elegantemente sondado
nos julgamentos
da história vivida,
abraçando o eu
adormecido na profunda
insônia do que desperta
lembranças esquecidas.


E que, num ato de coragem,
abarca o tempo —
esse vilão
das coisas esquecidas
e das lembranças
que forjam
o que somos hoje.

“Quando o Direito protege o mais forte porque ele já é forte, deixa de administrar a justiça e passa a administrar o privilégio.”

⁠Muitos afirmam ter lutado e vencido o sistema, quando, na realidade, se integraram a ele!

“O Ressuscitado não destrói a racionalidade; Ele a conduz até a adoração.”

O silêncio não é uma partida, é o resultado de você ter apagado o espaço que ele(a) ocupava.

Ele(a) não foi embora por escolha; ele(a) simplesmente sumiu porque você parou de acender a luz que mantinha a presença dele(a).

Deus vai abrir portas para o que você deseja, ao tempo dEle tudo irá se concretizar.
@keylak.holanda

Descanse no SENHOR e aguarde por ele com paciência; não se aborreça quando outros obtêm sucesso em seus caminhos, quando eles maquinam o mal.
Salmo 37:7

"Confia em Deus, espera nEle, por tua salvação ainda O louvarei..."

o gabrieu e o parice


Ele começou a aparecer nos dias em que nada acontecia.


Não nos dias ruins. Nos dias iguais.


Porque o ruim ainda tem alguma coisa de vivo. O ruim machuca, irrita, obriga você a reagir. O problema é quando a vida fica confortável demais para doer e vazia demais para significar alguma coisa. Quando segunda-feira parece terça, terça parece quarta e, de repente, você percebe que passou meses repetindo a mesma conversa com pessoas diferentes, usando as mesmas roupas, fazendo as mesmas promessas e chegando em casa com a sensação de que esteve em algum lugar sem realmente ter ido.


Foi nesses dias que ele apareceu.


Primeiro como uma ideia.


Depois como uma voz.


Depois como uma presença.


Ele nunca dizia nada muito complicado. Só perguntava por que eu continuava aceitando uma vida que eu mesmo não escolheria se pudesse começar de novo.


Eu odiava quando ele fazia isso.


Porque ele não gritava.


Não precisava.


Algumas verdades entram baixo justamente porque sabem que você vai escutá-las.


Eu tentava ignorá-lo. Enchia os dias. Enchia a cabeça. Enchia o silêncio com qualquer coisa que tivesse luz suficiente para não me deixar enxergar o escuro. Funcionava durante algumas horas. Depois ele voltava.


Sempre voltava.


Às três da manhã, quando a cidade parecia abandonada e os prédios tinham aquela aparência de cadáveres gigantes dormindo em pé, eu sentia que ele estava sentado em algum lugar, esperando.


Não parecia alguém que queria me destruir.


Parecia alguém decepcionado porque eu estava desperdiçando uma vida que ele sabia que poderia ser muito maior.


Ele não tinha o meu medo.


Essa era a diferença.


Eu calculava as consequências.


Ele calculava o preço de não fazer nada.


Eu pensava no que poderiam falar.


Ele pensava no que eu falaria comigo mesmo daqui a dez anos.


Eu procurava segurança.


Ele procurava alguma coisa que ainda tivesse pulso.


E quanto mais eu tentava enterrá-lo, mais ele crescia.


Até que comecei a perceber uma coisa estranha: talvez ele não tivesse surgido para mudar a minha vida.


Talvez tivesse surgido porque eu tinha mudado demais para continuar vivendo a mesma.


A gente passa tanto tempo construindo uma versão aceitável de si mesmo que esquece de perguntar se ainda gosta da pessoa que está apresentando.


Você aprende a ser pontual.


Educado.


Responsável.


Previsível.


Aprende a escolher as palavras certas, vestir a roupa certa, responder a mensagem certa, sorrir na hora certa.


E quando percebe, já não está vivendo.


Está administrando uma imagem.


Foi aí que ele começou a ficar perigoso.


Porque ele não queria melhorar minha vida.


Queria arrancar a maquiagem dela.


Queria saber o que sobrava quando ninguém estava olhando.


E eu descobri que existia muita coisa.


Raiva.


Ambição.


Curiosidade.


Desejo de desaparecer por algumas horas e reaparecer diferente.


Vontade de fazer alguma coisa que não pudesse ser explicada em uma legenda bonita.


Talvez seja isso que as pessoas chamam de loucura quando não conseguem chamar de liberdade.


O meu alter ego não era um herói.


Também não era um vilão.


Era simplesmente a versão de mim que nunca aprendeu a pedir licença.


E talvez fosse por isso que eu precisasse tanto dele.


Porque existem momentos em que a pessoa que você construiu para sobreviver é justamente a pessoa que impede você de viver.


Então uma noite eu parei diante do espelho.


Não aconteceu nada cinematográfico.


Nenhuma lâmpada explodiu.


Nenhuma música começou.


Só eu, um banheiro frio e aquela cara que eu conhecia desde sempre.


Mas pela primeira vez eu não perguntei quem estava olhando de volta.


Perguntei quem tinha passado anos olhando através de mim.


E entendi.


Ele nunca esteve atrás do espelho.


Nunca esteve escondido em algum canto da minha cabeça.


Nunca foi outra pessoa.


Era tudo aquilo que eu fui abandonando pelo caminho para conseguir continuar sendo aceito.


Cada vontade engolida.


Cada palavra não dita.


Cada caminho que eu não tomei.


Cada versão minha que eu matei só porque alguém achou mais conveniente aquela outra.


Ele era o acúmulo.


A conta.


A cobrança.


A parte de mim que continuou viva enquanto eu fingia que tinha amadurecido.


Desde então, eu não tento mais expulsá-lo.


Deixo que ele sente comigo.


Deixo que ele me lembre que conforto demais também apodrece.


Que rotina pode ser uma droga administrada em pequenas doses.


Que existem pessoas que passam a vida inteira fugindo do caos sem perceber que o caos também é onde algumas coisas começam.


E que talvez a pior coisa que possa acontecer com alguém não seja perder o controle.


Talvez seja nunca ter tido coragem de segurá-lo.


Hoje, quando a cidade dorme e aquela versão de mim aparece no reflexo de alguma vitrine apagada, eu já não desvio o olhar.


Ele continua ali.


Com a mesma cara.


O mesmo silêncio.


A mesma pergunta.


Só que agora eu tenho uma resposta.


Não preciso virar outra pessoa.


Só preciso parar de desperdiçar a que ainda está tentando nascer.

Lula sobre Trump: "Deem logo o Prêmio Nobel pra ele!" Daí param com as guerras! Lula sendo Lula e Trump sendo Trump!⁠

Quando o amor fala com o coração..
Ele aprende a amar e perdoar.
Rita Simões

Meu pai é apenas ausência física. Todos os dias consigo sentir ele no meu coração. Continua sendo uma emoção fantástica. E choro. Consigo transformar esse choro numa bonita saudade e gratidão.

⁠O revolucionário é um homem condenado antecipadamente. Ele não deve ter relações românticas, nem coisas ou seres amados. Ele deveria despojar-se até de seu nome. Nele, tudo deve concentrar-se em uma única paixão: a revolução.

Sergey Nechayev
Catecismo de um revolucionário (1869).