Ele
Eu entristecia por Borges, Camões, Jonh Milton, James Joyce, Aldous Huxley, Roberto Bolãno... Ele tocou-me no ombro, era a ternura a falar por si.
- Temos um exemplo ainda mais árduo de limitação que cantou tantas histórias, Beethoven! Se a perda de visão não impediu os escritores de escreverem, imagine compor música sem ouvir... Tentei imaginar o inimaginável.
Ele saiu da manada.
Pequeno, preto e branco, andando com aquele passo desajeitado que a natureza lhe deu, atravessou a praia como quem atravessa um pensamento. Enquanto os outros seguiam juntos, no fluxo seguro da repetição, ele escolheu a direção oposta. Não corria do grupo. Corria para algo.
O vídeo rodou o mundo: um pinguim-de-Magalhães caminhando sozinho em direção a um aglomerado de pessoas numa praia da América do Sul. Turistas curiosos, celulares erguidos, risadas contidas. E lá vinha ele, decidido, como se carregasse no peito uma pergunta maior que o medo.
Não era bravura.
Era curiosidade.
E talvez também cansaço.
Porque até os animais, em sua simplicidade, nos lembram que existe um momento em que seguir apenas por seguir deixa de fazer sentido.
A manada protege.
Mas também limita.
A manada orienta.
Mas também silencia a inquietação.
Enquanto seus semelhantes permaneciam agrupados, repetindo a coreografia instintiva da sobrevivência, ele caminhava em direção ao desconhecido — em direção ao barulho, à luz, ao estranho. Em direção àquilo que não fazia parte do roteiro natural da sua espécie.
E ali, naquele gesto simples, quase cômico, estava uma das cenas mais humanas já registradas por uma câmera.
Quantas vezes nós também não sentimos esse chamado silencioso?
A vontade de sair do caminho previsível.
De atravessar a praia enquanto todos seguem para o mar.
De ir em direção às perguntas, mesmo quando o confortável seria permanecer nas respostas prontas do grupo.
O pinguim não sabia que estava sendo filmado.
Não sabia que se tornaria símbolo.
Não sabia que sua pequena rebeldia atravessaria continentes em forma de reflexão.
Ele apenas seguiu o impulso de olhar para outro lado.
Talvez estivesse perdido.
Talvez estivesse curioso.
Talvez estivesse cansado de andar para onde todos andavam.
Mas, naquele momento, ele fez algo que poucos têm coragem de fazer:
Ele escolheu a própria direção.
E isso, para nós, humanos, é quase revolucionário.
Porque sair da manada não é um ato de desprezo pelo grupo.
É um ato de fidelidade a si mesmo.
É reconhecer que, em algum ponto da caminhada, a consciência pede um passo diferente. Um passo solitário. Um passo que não pode ser explicado, apenas sentido.
O pinguim caminhou até as pessoas, olhou ao redor, parou, observou. Depois, com a mesma simplicidade com que saiu, voltou para o mar.
Como quem diz:
“Eu só precisava olhar o outro lado.”
E essa talvez seja a lição mais delicada daquela cena real, capturada por acaso e eternizada por milhares de compartilhamentos:
Nem sempre sair é abandonar.
Às vezes, sair é compreender melhor para onde se deve voltar.
E há momentos na vida em que precisamos ser esse pinguim:
deixar a segurança do coletivo por alguns passos,
enfrentar o olhar curioso do mundo,
e permitir que a própria inquietação nos conduza.
Porque quem nunca se permite atravessar a praia sozinho
jamais descobre
o tamanho do próprio horizonte.
Autor: John Presley Costa Santos
Não despreze o pequeno sinal que a vida lhe dá hoje, pois ele pode ser a oportunidade real de começar a escrever o primeiro capítulo de algo imenso.
Acesso
Jamais imaginei que chegaria a este lugar, o interessante é que eu gostei do ar que ele oferece não precisando me preocupar com que os outros pensam ou deixam de pensar.
Neste lugar tem algo diferente, tem um cheiro e uma essência diferente e que na oportunidade de entrar, eu com todo respeito pediria licença e retiraria meus calçados, sei que às vezes fica sujo, porem me responsabilizo de cuidar e limpar. Neste lugar não tem exaustão, preconceito, desumanidade, neste lugar tem alegria, compaixão, tem muitos problemas, defeitos e qualidades. Neste lugar muitas pessoas passam, porem poucos ficam. Neste lugar o sentimento é constante como o amor, paixão, ódio, rancor, carinho, ciúmes, etc. Este lugar é muito sensível, um escorregão pode acabar machucando, porem não posso fazer isso, pois vai acabar machucando os dois lados, mais me compadeci com o jeito que ele recebia as pessoas, não se importando com classes ou cores. Muitas pessoas têm preconceito, mais esquecem que do mesmo jeito que tratam as pessoas, podemos ficar na mesma situação. “Não desejo mal há ninguém” (mentira), pois sempre estamos desejando algo há uma pessoa seja boa ou ruim mesmo inconscientemente, porem o que eu quero e te peço é: “Por favor, deixe-me entrar em seu coração?”.
Assim como,
Para Deus não existe
pecado MAIOR e nem
pecado MENOR...
Também o AMOR D'Ele
para conosco
não é alterado.
O meu coração vai sobreviver até a próxima vez, mas ele não vai se mostrar, para quem quer apenas se mostrar e às vezes nada, mas para quem quer guarda-lo!
Aprendi com os espinhos e não com as flores: quando se corta algo, volta sempre inteiro; a função dos espinhos é apenas proteger sua flor!
Gosto de quem faz algo por mim, e admiro, mas me perco em meu sentir, por quem faz algo pelo meu coração!
No instante de uma troca de olhar, com dois olhares que se abraçam... vale um pedaço de mim; é leve a sensação de quem carrega o próprio mundo em um mundo!
A Mão e a Caneta
Ela conhece o seu homem como ninguém;
sabe quando ele falha por dentro
e quando está inteiro.
Não o decifra pelo que diz,
mas pelo peso da mão,
pela tensão do toque,
pela forma como o silêncio pulsa entre os dedos.
Quando ele a toca, ela dança sem nota,
porque não há partitura para o desejo consciente.
Move-se em gestos simples e discretos,
como quem aceita o caminho sem lutar contra ele.
Não há culpa, nem espetáculo.
O amor se mostra direto,
no atrito breve entre pele e ideia.
Marcante e perfeita, ele nunca a rejeita,
pois rejeitá-la seria negar a si mesmo.
É uma união de outro plano:
não de posse, mas de rendição.
A mão não comanda a caneta.
A caneta não domina a mão.
Ambas se entregam ao traço
e deixam que o sentido aconteça.
O tempo…. Ele passa e abre distâncias, com o passar dele constroem se dias, semanas, meses... o tempo não cura nada realmente, na verdade ele enferruja, envelhece, tira a cor de tudo o que um dia foi vivo. Ele mata, e por mais que existam coisas que atravessam os tempos, ele sempre se encarrega de tentar destruir. Com o tempo algumas necessidades pesam mais, algumas certezas já não são mais necessárias, a gente se obriga a retirar a atenção daquilo que não é pra ser, guarda a esperança para ser usada em si mesma e abraça a realidade. Se isso é curar, não foi o tempo, foi eu, que vi o tempo destruir as coisas que acreditei existir. O tempo transforma ingenuidade em racionalidade, esperança em aceitação, ensina que tempo mesmo, tempo real foi aquele momento que passou muito rápido diante dos nossos olhos e acabou. E muitas vezes depois dele passamos a lamentar por termos deixado passar, por termos feito tudo errado, por não termos aproveitado momentos que nunca mais voltarão. O tempo passa e o que fica? Quem fica? O que sobra do que o tempo tentou destruir? Quem sou eu quando o tempo acabou?
Ninguém inventou Deus. Nem sequer, Deus existe. Existir pressupõe que foi criado.Ele não foi criado. Ele é. E não tem nada que ver com religiões. Deus é, era e virá. Deus é acima de qualquer religião. Deus é a verdade, maior que a própria eternidade.
Insuficiente
Dizes-te presente —
mas permaneces?
Há um vazio que não se cala.
E ele pergunta
com a voz que não tens.
Se te ofereces,
por que não te revelas?
Se te dizes suficiente,
por que te ausentas
no gesto?
Não peço excesso.
Peço constância.
Um corpo que fique.
Uma presença que não oscile.
Alguém capaz de preencher
o espaço vasto
que se abriu em mim
e aprendeu a chamar-se morada.
Se és esse alguém,
não tardes.
O tempo aqui é lâmina.
Age.
Socorre-me.
Estou à beira
de um abismo que não promete retorno.
E se não vens,
se não és,
se não ficas —
Adeus.
R. Cunha
Vocês têm que parar de tratar Deus como se Ele fosse uma espécie de gênio da lâmpada, ou uma fada madrinha que te prometeu que tal coisa aconteceria. Deus não deve nada a ninguém e não vai atender ao prazo que você estabeleceu. Casamento não deve ser algo idealizado, fantasiado cujo noivo é um detalhe ínfimo em relação a toda narrativa que construíram em suas mentes. Deus não prometeu NADA a vocês, busquem a ele genuinamente, construam suas vidas, foquem em sua construção pessoal e direcionem seus corações às coisas simples, puras e retas. Não se distraiam do foco maior que é a limpeza espiritual.
Ele amanheceu revoltado.
virou a casa pelo avesso sem pensar.
Xingou o mundo, fechou a cara.
Arrumou confusão em todo lugar.
Discutiu com os vizinhos da rua,
fez barulho antes do sol raiar.
Saiu dizendo que ela não dorme em casa.
Bateu o desespero: ele vai brigar.
A língua do povo corre ligeiro,
cada esquina tem uma versão.
Dizem que ela sumiu na madrugada,
deixou ele falando sozinho no portão.
Refrão
Segura esse corno, Chico.
Ele vai procurar a mulher pra brigar.
Já discutiu com o sogro,
Bateu no o cunhado.
Na confusão a sogra caui torceu o pé.
Ele vai bater na mulher.
Ele bebeu todas no balcão do bar,
fala alto, ameaça, quer se mostrar.
Diz besteira no calor da raiva,
quem vê de longe manda ele se acalmar.
Enquanto isso ela tá longe,
na casa errada resolveu ficar.
Ele perdido na própria dor,
vira assunto da cidade inteira outra vez.
O ser humano passa a vida desejando que os outros mudem, que a realidade mude. Até que um dia ele muda. Só então percebe que não há nada que precisa ser mudado
Vem cuidar de mim, baby
Sanguessuga boa do amor
Deixa aquele cara pra lá
Ele não presta, não te representa não, doutor
Vive prometendo o mundo
E te entrega só solidão
Homem sem palavra é vento
Não segura coração
Ele fala bonito em público
Mas em casa só dá dor
Eu sou simples, sou direto
Mas te trato com amor
Oh mulher virtuosa
Esquece aquele malfeitor
Manda ele embora hoje
Que a noite é nossa, é de amor
Amor sem fronteiras, debochado
Sem frescura, sem censor
Vem pra mim, mulher da vida
Mulher minha, mulher do amor
Você deve ignorar urgente
Esse homem sem compromisso
Quem brinca com sentimento
Não merece nem aviso
Aqui tem café quente
Abraço e proteção
Tenho pouco no bolso
Mas tenho muito coração
Se ele te fez sofrer demais
Hoje é dia de decisão
Vira a página da história
E vem morar na minha canção
Oh mulher virtuosa
Esquece aquele malfeitor
Manda ele embora hoje
Que a noite é nossa, é de amor
Amor sem fronteiras, debochado
Do jeito que você gostou
Vem pra mim sem medo algum
Que eu cuido de você, meu amor
Existe o amor que não se rende.
Ele apanha da vida, sangra em silêncio, mas não recua.
É teimoso, firme, não por orgulho,
mas porque acredita que sentir vale mais que desistir.
Esse amor permanece quando tudo diz “chega”,
e resiste não por fraqueza,
mas por coragem.
Há também o amor que busca respostas.
Ele questiona, observa, sente dúvidas.
Não se contenta com migalhas nem com palavras vazias.
Quer entender gestos, silêncios e distâncias.
É um amor inquieto, porque sabe
que amar sem verdade é se perder de si mesmo.
E existe o amor indeciso na caminhada.
Caminha com o coração em conflito,
dando passos curtos, olhando para trás.
Não sabe se fica, se vai, se espera.
Não é falta de sentimento,
é medo de errar o caminho
e se machucar outra vez.
Amor que se diz amor
busca ser verdadeiro.
Não se esconde, não engana,
não vive de meio termo.
Amor de verdade pode até falhar,
mas nunca trai aquilo que sente.
