Ela é...

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A verdadeira força de uma Constituição mede-se menos pelo que ela promete do que pelo que consegue impedir.

Ela cansou.
Cansou de acreditar
que as pessoas poderiam mudar.
Que um dia iam olhar pra ela
e ver o valor que ela sempre viu nelas.

Cansou de esperar respeito
que nunca chegava.
De esperar um "eu gosto de você"
que morria na garganta dos outros.

Cansou da humilhação.
Da ironia disfarçada de brincadeira.
Do tom de voz que diminui.
Da mão que aponta e do dedo que acusa.

Cansou de mendigar amor.
De mendigar atenção.
De se fazer pequena pra caber
no espaço apertado que davam pra ela.

Ela conviveu com gente
que só sabia agredir.
Que só sabia diminuir.
Que tratava com falta de respeito
como se fosse normal.

Mas um dia ela entendeu:
Amor não se implora.
Respeito não se pede duas vezes.
E quem gosta de verdade, cuida.

Então ela parou.
Parou de esperar.
Parou de provar.
Parou de sangrar pra ver se alguém notava.

E começou a se escolher.
Porque ela cansou dos outros.
Mas não cansou de si.

E agora ela caminha sozinha,
mas de cabeça erguida.
Porque quem aprende a se respeitar,nunca mais aceita menos.

Sabedoria não é escolher o orgulho ao invés da humildade.
Não é ter razão e usar ela como arma.
Não é reagir no impulso só pra "mostrar quem manda".

Sabedoria é perceber quando a reação vai machucar mais do que ajudar.
É engolir o orgulho pra proteger a paz.
É ter humildade de dizer: "isso aqui não vale meu sono".

Porque reagir é fácil.
Escolher não reagir... isso sim é força.

Os anjos não decidem como a História acontece, apenas anunciam e acendem a fogueira para que ela seja contada.

A água se adapta sem perder a essência do que ela é: equilíbrio.

"É melhor, muito melhor, contentar-se com a realidade; se ela não é tão brilhante como os sonhos, tem pelo menos a vantagem de existir."
(Machado de Assis)

A vida é mais do que a beleza que se imagina; é a força que se tem para enfrentar o que se vive.
MARCELO CASTILHO ASSIS ⁠

Ou seja, a fé não te faz esquecer a lógica do pássaro, ela te mostra o propósito eterno daquele pássaro que a lógica sozinha não consegue alcançar.

Quem diz ter fé, mas se esquece de que tem uma alma, permite que ela vague na ilusão e se torna cúmplice da sua própria queda.


Marcelo Castilho Assis

A verdadeira nobreza não se engana com aparências reluzentes; ela enxerga o coração e sabe que mais vale uma caminhada simples com amor do que a ilusão de quem vive de mentiras.

A Riqueza Infinita neutraliza o mal de forma silenciosa: ela prova que a pureza do caráter e a fé inabalável sempre prevalecerão sobre a ilusão daqueles que vivem de aparências.

A verdadeira riqueza de trilhões não disputa espaço com quem é pequeno; ela simplesmente transborda até apagar a escuridão dos críticos.

⁠"o Real - o fato - é universal! A realidade é individual! Ela é a interpretação dos fatos pelo indivíduo, mediante seus desejos, sentimentos e expectativas. Para compreender se sua vida é real ou fantasia, cada um tem que entender se os fatos coincide com a realidade!"

"Me atacam só porque nos amamos, mesmo ela estando noiva de outra pessoa e querendo ficar comigo."

"Ela pode me amar de verdade, mas as pessoas criticam e espalham ódio só porque ela está noiva de outro."

​"Julgam com ódio o fato de ela estar noiva de outro, mas esquecem que ela pode amar quem ela realmente quer."⁠

"Por que se incomodam tanto se ela pode me amar? Ela está noiva, mas muitos atacam por puro preconceito e maldade."

"Mesmo estando noiva de outro, ela pode ter sentimentos por mim. Ninguém tem o direito de julgar essa escolha com tanto ódio."

"Sofro ofensas só porque ela quer se casar comigo e não com quem está noiva, mas isso é a nossa escolha."

Chega de Margens

A chaleira começou a gritar antes de mim.

Fiquei olhando para ela no fogão, esperando que alguém tomasse alguma providência. Ninguém tomou. A casa continuou quieta. O gato estava sentado no corredor, olhando para mim com aquela expressão de quem já descobriu que os humanos fazem muito barulho para resolver coisas simples.

Desliguei o fogo.

Passei café.

Era uma manhã comum. Dessas que não prometem nada e, por isso mesmo, costumam ser mais honestas.

Sentei à mesa.

O gato veio até a porta da cozinha, parou e ficou me olhando. Não pediu comida. Não pediu carinho. Apenas ficou ali. Talvez estivesse esperando alguma coisa. Talvez não. Gatos têm a vantagem de não precisarem explicar a própria presença.

Eu devia ter aprendido isso antes.

Olhei para minhas mãos.

A idade estava ali.

Não como número. Número é coisa de formulário. A idade aparece nas pequenas coisas. Na maneira como o corpo levanta da cadeira. Na demora para encontrar uma posição confortável. No joelho que reclama sem ter sido consultado. No espelho, principalmente.

O corpo começa a diminuir.

É uma espécie de ironia.

Passamos metade da vida tentando ocupar espaço e a outra metade descobrindo que o corpo já não pretende colaborar.

Mas alguma coisa acontece nesse mesmo período.

A cabeça começa a fazer o movimento contrário.

Ela aumenta.

Não sei se isso acontece com todo mundo. Talvez não. Algumas pessoas envelhecem apenas. Continuam obedecendo às mesmas regras, repetindo as mesmas opiniões e chamando isso de experiência.

Eu também fiz isso durante muito tempo.

Aprendi a ser aceitável.

É uma habilidade bastante valorizada.

Você aprende a medir as palavras. A esconder certas vontades. A escolher o que dizer e, principalmente, o que não dizer. Aprende a ser fácil de carregar. Fácil de entender. Fácil de amar.

É cansativo.

E ninguém entrega um certificado quando você termina.

Apenas esperam que continue.

O mundo gosta de gente previsível.

Hoje existe uma palavra nova para isso. Várias, na verdade. Há sempre alguém na internet explicando como devemos viver, envelhecer, pensar, comer, vestir, desejar e até fracassar. Os antigos chamavam isso de conselho. Agora tem nome em inglês, câmera frontal e milhares de seguidores.

Talvez eu esteja velho demais para isso.

Ou finalmente velho o suficiente.

O gato atravessou a cozinha.

Passou por mim sem qualquer cerimônia e subiu na cadeira ao lado.

Ficou olhando para a mesa.

Não parecia preocupado com a opinião de ninguém.

Pensei que talvez houvesse alguma coisa a aprender com aquele animal.

Não era a independência.

Era a ausência de necessidade de justificá-la.

Foi aí que comecei a entender uma coisa que demorei décadas para entender.

Eu passei muito tempo vivendo nas margens da minha própria vida.

Não completamente fora dela.

Isso seria fácil de perceber.

Eu estava dentro.

Trabalhava, fazia planos, cumpria obrigações, amava algumas pessoas, suportava outras. Ri quando era conveniente. Fiquei calado quando era necessário. Fiz o que precisava ser feito.

Mas havia sempre uma parte de mim sentada um pouco mais distante.

Observando.

Esperando.

Pedindo licença.

Talvez esse tenha sido o meu maior erro.

Pedir licença para existir.

Não estou falando de fazer tudo o que dá na cabeça. Isso é apenas outra forma de imaturidade.

Estou falando de não precisar transformar cada escolha em uma defesa.

De não precisar explicar por que quero determinada vida.

De não precisar reduzir minhas opiniões para que alguém não se sinta ameaçado.

De não precisar esconder minhas contradições para parecer uma pessoa coerente.

Aos 62, 63, começa a ficar estranho continuar fazendo isso.

Há uma certa falta de sentido em passar tantos anos aprendendo quem você é e, depois, gastar o resto da vida tentando convencer os outros de que não é bem assim.

O espaço nunca foi o problema.

O problema era que eu insistia em caber.

E talvez o espaço fosse pequeno demais.

Essa conclusão demorou.

Porque admitir isso também significa olhar para trás.

E olhar para trás não é sempre bonito.

Há versões minhas que eu não gostaria de encontrar novamente.

Não porque fossem ruins.

Algumas eram apenas assustadas.

Outras queriam ser aceitas.

Algumas confundiam amizade com aprovação. Amor com concessão. Educação com silêncio.

Eu fui me ajustando.

Pouco a pouco.

Até quase esquecer que ajuste demais também deforma.

O curioso é que eu não quero voltar no tempo.

Não tenho esse interesse.

A juventude tem sido superestimada desde que inventaram os espelhos.

Não quero o corpo de antes.

Não quero repetir os erros com mais energia.

Quero outra coisa.

Quero a liberdade que existia antes de eu aprender a me diminuir.

Talvez seja por isso que envelhecer possa ser um retorno.

Não uma partida.

Um retorno.

Há uma criança escondida em algum lugar desse homem que passou décadas tentando parecer adulto. Não é uma criança inocente. Essa parte já morreu algumas vezes.

É apenas aquela que ainda não sabia que precisava caber.

O gato pulou da cadeira.

Foi até a janela.

Ficou ali, olhando a rua.

Pensei que talvez ele também estivesse cansado de mim.

Seria compreensível.

Terminei o café.

A casa continuava a mesma.

A mesa.

A chaleira.

A janela.

O gato.

Nada havia mudado.

Mas alguma coisa tinha mudado.

Não era uma revelação grandiosa. Não houve música. Nenhuma luz atravessou a cozinha no momento certo. A vida não costuma ter esse tipo de educação estética.

Foi apenas uma compreensão silenciosa.

Eu podia ocupar espaço.

Sem tirar nada de ninguém.

Podia querer mais.

Sem precisar chamar isso de ambição.

Podia não querer certas coisas.

Sem precisar inventar desculpas.

Podia envelhecer sem transformar a idade em pedido de desculpas.

O corpo talvez encolhesse.

A consciência não precisava acompanhar.

Talvez fosse esse o acordo possível com o tempo.

Ele leva algumas coisas.

Eu paro de entregar outras.

Olhei novamente para o gato.

Ele continuava na janela.

Não parecia impressionado.

Ainda bem.

Talvez fosse melhor assim.

Aos 62, 63, não estou me tornando alguém novo.

Estou apenas deixando de me afastar de quem sempre fui.

Isso muda muita coisa.

Porque crescer, nessa idade, já não significa subir.

Às vezes significa ocupar.

Ocupar a própria cadeira.

A própria casa.

A própria cabeça.

A própria vida.

Sem pedir licença.

Sem pedir desculpas.

Sem precisar ser compreendido por quem passou a vida inteira confortável dentro da mesma moldura.

Talvez seja isso que ainda estou aprendendo.

Que posso viver uma vida que me caiba.

E que, se ela finalmente ficar grande demais para algumas pessoas, talvez o problema não esteja mais em mim.

Talvez seja apenas a velha margem chegando ao fim.

A chaleira estava fria.

O café também.

O gato continuava olhando pela janela.

E eu fiquei ali.

Sem pressa.

Pela primeira vez em muito tempo, não senti necessidade de diminuir nada.

Nem a voz.

Nem a vontade.

Nem o espaço.

Nem eu.

A virtude de uma fé bíblica e ortodoxa reside em sua imunidade ao engano: ela impede a alma de capitular diante dos modismos deste mundo.