Ela é...

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Não se mede uma vida pelas vitórias que ela exibe, mas pelas tempestades que ela atravessa sem perder a delicadeza. Entre o peso dos dias e a luz dos sonhos, escolhi permanecer aprendendo, porque há caminhos que transformam antes mesmo de levar ao destino

Olhe a luz, ela irá te guiar ... Pelos campos de Gaia

A dor é a essência da Alma, ela pode destruir ou modificar!

"Viva mais um pouco e verá: a vida pode derrubar até o mais forte". Ela vem do aclamado filme Com Amor, Van Gogh (Loving, Vincent, 2017)

Uma vez, eu disse a uma mulher que nunca mais iria esquecê-la. Ela simplesmente respondeu:




“Vou te perturbar até nos teus sonhos, porque o tempo cura tudo, mas lembranças são eternas — menos as promessas que nós achamos que eram eternas. Promessas são quebradas!”


Releitura do Autor: Valdir Enéas
Por: KANGAL

fantasma oficial.

Ela tem um jeito estranho de fazer o mundo parecer menos barulhento.

Não sei exatamente quando comecei a perceber isso. Talvez tenha sido antes mesmo de admitir que estava olhando diferente para ela. Porque algumas pessoas chegam na nossa vida fazendo presença, ocupando espaço, querendo ser notadas. Ela não. Ela simplesmente existe, e de algum jeito isso já basta para mudar o ambiente inteiro. É como se houvesse alguma coisa nela que não precisasse pedir atenção, porque a atenção simplesmente vai até ela.

E eu gosto de olhar para ela.

Não daquele jeito apressado de quem olha só para admirar. Eu gosto de olhar como quem tenta entender. Como se houvesse alguma coisa escondida atrás dos olhos dela que eu ainda não consegui alcançar completamente. E talvez seja justamente isso que me prende. Ela não parece inteira na superfície. Existe sempre alguma coisa acontecendo por dentro, mesmo quando ela não diz nada.

Às vezes eu fico pensando no quanto alguém pode caber dentro de um olhar.

Porque quando olho para ela, não vejo só o rosto que eu gosto, o sorriso que me desmonta ou os pequenos gestos que talvez ela nem perceba que faz. Eu vejo uma história. Vejo tudo aquilo que ela precisou ser para chegar até aqui. Vejo a parte doce, a parte cansada, a parte que ainda acredita nas coisas mesmo depois de ter motivos suficientes para não acreditar mais. E talvez eu goste dela justamente por enxergar essas contradições.

Ela consegue ser forte sem parecer dura.

Consegue ser doce sem parecer frágil.

E existe alguma coisa nisso que me faz querer ficar perto.

Não para consertá-la, porque eu nunca achei que ela precisasse ser consertada. Talvez seja o contrário. Eu só queria conhecer as partes dela que quase ninguém conhece. As coisas que ela pensa quando está sozinha. O que passa pela cabeça dela quando o mundo fica quieto. Os medos que ela esconde atrás de um sorriso. As coisas pequenas que fazem o coração dela ficar leve.

Queria saber o que ela vê quando olha para o céu sem motivo.

Queria saber qual lembrança ainda mora nela mesmo depois de tantos anos.

Queria saber quais sonhos ela abandonou pelo caminho e quais ainda guarda em segredo.

Porque gostar dela, para mim, nunca foi simplesmente gostar da presença. É querer atravessar a superfície.

E talvez esse seja o perigo.

Quanto mais eu olho, mais fundo parece.

É como se eu mergulhasse nos olhos dela sem perceber que estava deixando a margem para trás. E quando percebo, já não estou mais tentando entender quem ela é. Estou apenas ali, dentro daquele sentimento estranho de querer conhecer alguém sem precisar transformar isso em posse.

Eu não quero que ela seja minha porque eu não acho que pessoas devam pertencer umas às outras.

Eu quero que ela escolha ficar.

E existe uma diferença enorme nisso.

Porque se um dia ela olhar para mim e decidir permanecer, eu quero que seja porque encontrou em mim um lugar onde não precisa diminuir nenhuma parte de quem é. Quero que ela possa chegar cansada, confusa, feliz, perdida, exagerada, silenciosa, e ainda assim sentir que pode ser exatamente quem é.

Talvez seja isso que eu sinto quando penso nela.

Não é só vontade.

Não é só saudade.

Não é só encanto.

É uma espécie de paz inquieta.

Como se alguma parte de mim tivesse encontrado alguma coisa que não estava procurando.

E talvez eu nunca consiga explicar exatamente o que existe nela que me faz sentir assim. Talvez algumas pessoas simplesmente não sejam feitas para serem explicadas. São feitas para serem sentidas.

E ela é assim para mim.

Eu olho para ela e, por alguns segundos, esqueço que existe um mundo inteiro acontecendo do lado de fora.

Talvez porque, quando mergulho nos olhos dela, eu não esteja procurando uma saída.

Estou procurando o fundo.

E, pela primeira vez, não tenho pressa nenhuma de voltar à superfície.

A cidade não é neutra: ela legisla silenciosamente sobre quem merece abrigo e quem deve sobreviver à margem.

Há uma jurisprudência silenciosa sendo escrita nas ruas todos os dias: ela se chama sobrevivência.

A norma não antecede o mundo; ela corre atrás dele tentando recuperar sentido.

“A cidade não é neutra, ela escolhe quem pode descansar e quem deve sobreviver.”

“A justiça não é eterna, ela é constantemente renegociada entre medo e esperança.”

A publicidade não convence, ela relembra o que você ainda não sabia que queria.

A publicidade eficaz não convence, ela simplifica conflitos.

No fim, a publicidade não vende coisas, ela vende relevância temporária com aparência de eternidade.

A justiça não chega inteira ao processo; ela chega traduzida por quem perdeu menos linguagem.

O processo não busca a verdade, busca um consenso suportável sobre ela.

A lei não descreve o mundo; ela o edita.

A justiça nunca é pura; ela é negociada na linguagem das limitações humanas.

A razão não perde força quando admite limites, ela ganha honestidade.

A propaganda não convence, ela reordena prioridades internas.