Ela é...
Droga
A minha casa eu conheço há tempos. E ela sempre fica maior. Já sonhei sonhos de álcool, mas ao primeiro gole eu vi que não era nada disso, era algo deprimente até na alegria forçada. Como se eu fosse uma múmia química ganhando a consciência da minha pequenez e do enjoo misturado com a tontura. Parei por aí e deixei as drogas antes de começar a usá-las. A minha droga é a imaginação e a sensibilidade. Os sonhos que me vêm da massa de árvores verdes acinzentadas. Das manchas do teto e daquele facho de luz quando estou na cama e olho para cima e vejo que é Deus.
Sim, Deus vem toda a noite por sobre a minha cama e toma a forma de um triângulo de luz amarela, silencioso e imutável. É um raio de luz, e eu sei que é Deus. Poderia ser qualquer outra coisa, mas quando eu levanto os olhos ele se revela e fico a pensar e admirar a sua imperfeição. As noites de insônia são muito estimulantes. Eu viajo e mantenho contato telepático com a pessoa ao lado. Uma vez eu pensei que dormia ao lado de um demônio, e eu tinha razão. Que saudades do súcubo!
Não existe a realidade por si só, ela precisa ser construída para funcionarmos, por isso ela só existe na mente do homem.
Não adianta fugir porque a felicidade não está aqui, nem adiante. Ela é o reconhecimento de si mesma.
A ave que vive de catar o lixo é magnífica. Ela é simples e pobre, como todos os animais. O urubu levanta o pescoço para que eu o veja.
Combatente
A Maya quer me enganar. Por que permite que eu saiba que ela existe? Será mais um dos seus truques? Somos pequenos bonecos diante das ilusões. Para mim a realidade foi construir ilusões. Por isso eu me importo com o pote cheio de canetas e presto atenção em cada taco do parquê. Entre os objetos existe algo. Não é o ar. Existe uma ligação que faz com que brilhem na luz amarela. Eu posso tocá-los com os olhos, posso cheirar uma história. A medida em que eu vou escrevendo os meus órgãos internos se agitam, as vozes agridem os meus ouvidos, a sede repuxa os meus nervos. Alguém que morreu há algum tempo teima em aparecer. Sou eu que estou morto porque vivo de lembranças. E enquanto eu estou aqui teimo em perceber o mundo profundamente, dum jeito que cansa, me faz um soldado, do batalhão da mente, do exército dos insatisfeitos.
Não leve ela tão a sério
Não considere tudo o que ela fala
Preciso te contar que ela
Viciou-se em intensidades
Anda de mãos dadas com o desgoverno
Acostumou-se a impermanência
E que, por hora, já não a reconheço mais.
“A pessoa com TAG não quer sofrer; ela quer descansar de uma mente que aprendeu a vigiar demais.”
Do livro Transtorno de Ansiedade Generalizada, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“Toda criança em sofrimento pede, antes de um rótulo, uma presença capaz de escutar o que ela ainda não sabe dizer.”
Do livro Psicose Infantil: Transtornos e Espectros no Divã, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“A clínica infantil começa quando o adulto deixa de perguntar apenas ‘o que ela tem?’ e começa a perguntar ‘como ela vive o mundo?’”
Do livro Psicose Infantil: Transtornos e Espectros no Divã, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“A criança psicótica não está perdida; ela pede uma forma de presença que a ajude a não desaparecer de si mesma.”
Do livro Psicose Infantil: Transtornos e Espectros no Divã, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“Quando a teoria se torna mais importante que a criança, ela deixa de ser clínica e se transforma em violência simbólica.”
Do livro Psicose Infantil: Transtornos e Espectros no Divã, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“O diagnóstico não deve transformar a criança em rótulo, mas abrir caminhos para que ela seja compreendida sem culpa.”
Do livro TDAH: A Mente que Não Descansa, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“A criança que esquece o material não esquece porque não se importa; muitas vezes, ela ainda não possui ferramentas internas para sustentar a própria organização.”
Do livro TDAH: A Mente que Não Descansa, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“A criança não é o transtorno; ela é uma vida inteira tentando se organizar dentro de um funcionamento que precisa ser acolhido.”
Do livro TDAH: A Mente que Não Descansa, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“Nenhuma mãe nasce sabendo ser mãe atípica; ela aprende no susto, na urgência, na falta de apoio e no amor que não desiste.”
Do livro Mães Atípicas: As Filhas do Silêncio, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“A mãe atípica não precisa ser chamada de guerreira quando o que ela mais precisa é de rede, descanso e acolhimento.”
Do livro Mães Atípicas: As Filhas do Silêncio, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“O TDAH não apaga a inteligência; muitas vezes, apenas impede que ela apareça de modo organizado.”
Do livro TDAH: A Mente que Não Descansa, de Nina Lee Magalhães de Sá.
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