Efemeridade do Tempo
Nós nos despedimos daqueles que amamos milhares de vezes durante a nossa vida: a cada vez que saem pela porta de casa, a cada vez que desligamos o telefone, a cada aceno de adeus. Só não sabemos qual dessas despedidas será a derradeira. Não é para sabermos.
Durante uma viagem, a face da realidade muda com as montanhas e os rios, com a arquitetura dos edifícios, a disposição dos jardins, a linguagem, a cor da pele. E a realidade de ontem queima na dor da separação; o dia anterior é um episódio finalizado, para nunca mais voltar; o que aconteceu há um mês é um sonho, uma vida passada.
quando se faz favores durante muito tempo para uma pessoa,ele se acostuma e acaba pensando que é sua obrigação
O tempo, de fato, é relativo. Se pudéssemos prever a duração dos eventos da vida não começaríamos as coisas já certos do seu fim. Embora sejamos demasiadamente impacientes a graça da vida está na fé que depositamos nas escolhas feitas em meio às incertezas.
Você não pode medir a qualidade de um amor pela quantidade de tempo que dura. Tudo morre, amor inclusive. Às vezes morre com uma pessoa, às vezes morre sozinho.
Durante um tempo eu imaginei que os maiores desafios para se fazer qualquer coisa, inclusive coisas simples, fosse os fatores externos. Mas não, é a incapacidade que temos de sair do tradicional, da mesmice, daquilo que é monótono, da mediocridade, do medo de PAGAR O PREÇO.
O tempo é uma ilusão que foi traduzido como sendo uma duração, um período ou uma sensação de duração ou de movimento psicológico.
Já só me resta o tempo útil para gente humana. Gente que descobriu a efemeridade, a mortalidade e a bondade. Gente como aquele último quadradinho de chocolate de uma tablete inteira: só aquele último pedacinho tão ansiado... e o mais saboroso de todos. Gente tão preenchida, gente tão profundamente serena e sábia. Gente ainda ávida de partilhar e de aprender; de se dar em dádiva sem retorno. Gente que segue o seu rumo e não se demora na mediocridade do mundo. Já só me resta tempo para Gente com asas nas palavras e no gesto.
Já vivi mais do que me resta ainda viver e só quero gente que vive eternamente. Gente de alma, porque soube que a carne o osso são apenas restos da terra.
Já só preciso de gente que vem da primavera com girassóis na voz e a flor de lótus no olhar.
2019, José Paulo Santos
*Poeta e Autor de Aldeias em Mim
Hoje acordei e durante quase duas horas, fiquei olhando para o teto branco do meu quarto, e não era um olhar de admiração, não era. Era um olhar para o nada ou para tudo. Faltava-me força para levantar. As dores eram horríveis. Não sentia firmeza nas pernas, meu coração batia descompassado e num ritmo tal qual a bateria da Mocidade Independente. Meus olhos ardiam. Calafrios sequenciais. Sentia minha boca seca e meu corpo queimando em brasas. Resolvi consultar um médico, e lá fui eu sentar em frente ao computador, porque, afinal de contas, quem tem Google, não precisa de um médico real, ou precisa? Então, sentada com meu “médico”, disparei as pesquisas na página de busca, coloquei todos os sintomas, e ele, o Google, ou meu doutor, em segundos me deu inúmeras possibilidades: Chikungunya, dengue, zika, malária, pneumonia e tantas outras. Acreditei ser meu fim. Voltei para a cama e achei que chamar um padre para a extrema-unção seria o melhor a fazer, não custa nada estar preparada, mas, não o fiz. Por alguns instantes parei para pensar na vida, na minha vida, vida essa que não me deixa viver. Que me faz refém da rotina que eu mesma criei. Rotina essa que me consome dia após dia; falta de tempo ou de uma organização que não me deixe tempo hábil para fazer coisas prazerosas das quais preciso tanto: dançar, ir ao parque, cinema, teatro, rever amigos. Coisas que, por conta da correria, acabo deixando para depois, só que esse depois nunca se torna agora. Após essa breve análise, descobri que não tinha doença nenhuma para aquela imensa fadiga, desânimo, dores da alma. Realmente não era nenhuma patologia. Eu não estava doente: o que eu tinha era vida. Ou não tinha! Esse é o meu mal: não viver, só sobreviver. Esse é o mal desse século, temos tempo para tudo, menos para VIVER
Não é o tempo que marca, mas sim a força do sentimento. Nem sempre o eterno é aquele que dura muito.
Mas existem algumas células que duram a vida inteira. As células do córtex cerebral começam a gravar desde a concepção e não param até a morte. É aqui que mora sua memória. Seus pensamentos. Sua consciência. Essas células carregam consigo todos os momentos da sua vida - mesmo os que você preferia deixar para trás.
O tempo é uma duração finita debitada de nós sem direito a reembolso, portanto, não gaste-o de forma alguma com pessoas imbecis.
A criança pura se polui
Com o tempo
A esperança é morta
Com o tempo
O eterno dura cada vez menos
Neste tempo
E a força se esvai
Com o tempo
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