Eco
Os sentimentos não são guias confiáveis porque são um tipo de "eco sensorial": eles não determinam o que o sujeito é agora, mas apenas contam algo do que o sujeito já foi. Seguir os sentimentos é como guiar-se por um passado que nunca é reavaliado.
Há de se ter cuidado
ao apontar o dedo
na direção do outro.
Palavras tem eco.
Podem retornar com força
e bater no próprio peito.
(13/08/2015)
Quando se vive só não se fala muito alto, não se escreve também muito alto: receia-se o eco, o vazio do eco, a crítica da ninfa Eco. A solidão modifica as vozes.
As vezes ouço o eco da promessa que fiz: (quando se e forte pode seguir sozinho),mas quando eu olho para você vejo que meu lugar e ao seu lado.
Mesmo que meu pensamento não encontre eco no seu pensamento, nem o som da minha canção encontre com você cantando o refrão... Sigo pensando... Sigo sonhando... Sigo amando
A paixão que chega rapidamente e esmaece com o tempo é apenas um eco, não tem substâncias, apenas resultado.
(Jogo de Sedução)
Como um eco na floresta
Outro dia virá
Como se nada tivesse acontecido
Sim, a vida continua
Como uma flecha no céu azul
Mais um dia passa voando
No meu travesseiro, na minha mesa
Sim, a vida continua
Desse jeito novamente.
Todo dia é um dia a menos nessa nossa caminhada e o fim é sempre o encontro com nós mesmos,com o eco de nossas vibrações,de nossas ações,de nosso amor ao próximo e a Deus.
tem algo andando dentro de você e não sou eu sou só o eco do que você tentou enterrar quando decidiu ser forte demais
porque ser forte é bonito até o momento em que você percebe que virou pedra
e pedra não sentesó afunda o mundo não acabou ele só ficou vazio de verdade
e quando você perceber isso
quando não tiver mais barulho pra te distrair quando o riso não cobrir o peso
quando a noite ficar grande demais pra caber no peito eu vou estar lá não como salvaçãonem como castigomas como a única coisa que sobrou de você antes de esquecer quem era.
DeBrunoParaCarla
O Eco do Silêncio Cósmico
A televisão estava ligada, mas meus olhos vagavam por outro lugar. Na tela, uma cientista começava a relatar os primeiros resultados do JUNO, o colossal detector subterrâneo na China criado para caçar a partícula mais esquiva da física: o neutrino.
Foi então que o tecido da realidade pareceu afinar. Antes mesmo que as palavras saíssem da boca dela, minha própria voz ganhou vida. Eu não estava apenas prevendo o que ela diria; eu estava ecoando, palavra por palavra, em um sincronismo milimétrico e bizarro. Falei sobre dados enigmáticos, anomalias que desafiam o Modelo Padrão e o vislumbre de uma nova física.
Não foi um déjà vu comum — aquela sensação tardia de que "eu já vivi isso". Foi uma precognição em tempo real, um fork na linha de processamento do meu próprio cérebro.
A ciência tradicional chama isso de speech shadowing, um reflexo ultraveloz dos neurônios-espelho capturando padrões. Mas ali, diante da notícia de uma máquina desenhada para capturar fantasmas subatômicos, a explicação puramente biológica pareceu incompleta. Naquele exato segundo, enquanto minha boca replicava a fala da cientista, bilhões de neutrinos reais atravessavam o planeta, as paredes do meu quarto e as sinapses do meu cérebro na velocidade da luz.
Se o universo é, na sua definição mais profunda, um gigantesco banco de dados feito de informação pura, o que eu experimentei foi uma brecha no sistema. Uma sintonia instantânea com o espaço-tempo, onde o fluxo linear do tempo vacilou por um milissegundo. Como um neutrino que cruza a matéria escura sem deixar rastros, aquela informação apenas passou por mim. Eu não adivinhei o futuro; eu apenas li o código do presente um instante antes de ele ser rodado pelo resto do mundo.
O poeta se exila no eco de suas próprias palavras, uma trilha enigmática dos seus anseios, na esperança de que algum louco o entenda, mas se não aparecer o louco, ele se regojiza do mesmo jeito.
O que realmente me assusta nessa engrenagem religiosa não é o eco cansativo da palavra 'submissão'. O que me revira o estômago é o silêncio cirúrgico que vem depois. Há um arsenal de versículos prontos para moldar o corpo, o tom de voz e o tamanho da saia da mulher. Mas quando essa mesma fiel senta no banco do templo com a alma em frangalhos — ou com manchas roxas que o casaco comprido tenta sufocar —, a teologia deles convenientemente perde a voz.
Não existe um sermão de domingo contra o terrorismo doméstico praticado por maridos que, do lado de fora, simulam santidade. Não há clamor no altar contra o homem que usa as Escrituras como mordaça e o lar como cativeiro. Ao empurrarem a obediência cega e ignorarem o espancamento e a tortura psicológica, essas instituições não estão salvando casamentos; estão blindando criminosos. A igreja, que deveria ser o refúgio, escolhe ser o biombo que esconde o monstro.
Há uma pressa vergonhosa em exigir o perdão da agredida, obrigando-a a engolir o próprio choro para manter as aparências de uma 'família tradicional'. Mas na hora de estender a mão para arrancá-la daquele inferno, o discurso muda: dizem para ela orar mais, aguentar mais, carregar a cruz. Esse abandono não é apenas covardia, é cumplicidade de púlpito. A lição urgente que essas lideranças precisam aprender é que Deus não habita onde a violência é acobertada. Se a sua fé serve para controlar a vida de uma mulher, mas falha miseravelmente na hora de salvá-la da morte dentro de casa, ela não é religião; é apenas um pacto de silêncio mascarado de santidade.
"Desistir é silenciar a voz da esperança; continue, pois o eco da sua fé ainda não terminou de desenhar o amanhã."
A fé funciona como o eco que ouvimos antes mesmo de gritarmos. É o som da vitória batendo nas paredes do amanhã e voltando para consolar o nosso hoje. Assinar com a alma o que não se vê é declarar que a sua paz não é refém das evidências, mas fruto de uma certeza genética que transcende a visão.
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