Eco

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ECO DO ABISMO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Eu sou lançado ao mundo sem essência
Sou um grito sem resposta no clarão das horas
A realidade crua arde em meus olhos
E a luz que se derrama não me cede consolo
O universo não me prometeu sentido
Eu o encontro em cada passo que escolho
E cada escolha desgarra o eu de outrora
Até que nada fique além do meu próprio ser
Sou livre como a pedra que se quebra
Sou mais livre ainda como o vento que não encontra forma
E essa urgência de escolher devora minhas certezas
Não há desculpa nem refúgio
Nada antecipa a minha decisão
Nada transforma o vazio em abrigo
Aqui estou
Respirando a dúvida
Vestindo a solidão como veste o medo
E apenas no tremor de existir
Encontro o preço de minha liberdade
Que a angústia seja a lâmina que me forja
Que a liberdade seja o aço que não se dobra
Pois não há outro que escolha por mim
E sou eu — sempre eu —
Neste mundo que ecoa meu nome sem eco — sem fim.

Sem você.
Essas duas,pequenas palavras ficaram ecoando na minha cabeça ,sem parar. Cada eco parecia fazer seu significado tornar-se cada vez mais intenso,mais triste e mais verdadeiro.
É incrível como duas pequenas palavras podem machucar tanto e fazer tantas lágrimas rolarem.

É o tipo de lembrança de que mais gosto, mais uma sensação do que uma recordação propriamente dita. O eco de uma lembrança, com seus limites pouco nítidos, suave e sem nada muito especial, se misturando em um único momento.

Ouve

Ouve o vento!
Como ele canta baixinho
Tentando me avisar
Que pensas em mim
E me chamas para te amar.

Ouve! Ouve o vento!
Ele grita, sacode as copas das árvores
Faz meu corpo arrepiar
Tenta me levar... vê
Ele parece falar...

Ouve o vento!
Ele tenta se acalmar
Olho-o pela fresta da janela
Ouço-lhe o gemido de dor
Encolho-me no canto de minha agonia.

Ouve como ele corre
Procurando-me por todo canto
Para me levar junto com ele pelas ruas escuras
Onde as estrelas piscam intensamente
Para a noite clarear.

Ouve o vento!
Como vem galopando e sacode as ondas do mar
Que lamenta num murmúrio forte
Avisando as embarcações
Que ele chegou para arrasar.

Ouve! Ouve como ele canta
Abraçando-me num golpe certeiro
Carregando para longe... bem longe
Onde só o eco de seu uivo engole
No seio da floresta a se esconder.

Mas quando alguém prega o cristianismo de tal forma que o eco responde: "Fora com esse homem, ele não merece viver", saiba que esse é o cristianismo do Novo Testamento.

" ... A vida é como um eco (ou espelho).
Ela responde com o que você faz.
Não tente mudar a vida; mude você, e sua vida se modificará ..."

“Não sei de nada. Não há nada que eu saiba. Porém certas coisas se sentem com o coração. Deixa falar o teu coração, interroga os rostos, não escutes as línguas”...

(em "O nome da Rosa". [tradução de Aurora Fornoni Bernardini e Homero Freitas de Andrade]. 2ª ed., Rio de Janeiro: Editora Record, 2010.)

Teme, Adso, os profetas e os que estão dispostos a morrer pela verdade, pois de hábito levam à morte muitíssimos consigo, freqüentemente antes de si, às vezes em seu lugar.

Umberto Eco
O Nome da Rosa

O limite entre o veneno e o remédio é bastante tênue, os gregos chamavam a ambos de Pharmacon.

Umberto Eco
In "O nome da Rosa"

Traduzir é trair!

Nem a memória individual nem a memória coletiva são fotografias do que realmente aconteceu. São reconstruções.

Quando o Estado é excessivamente poderoso, a poesia se cala.

Frequentemente a política é decidida por nós, humílimos servidores do Estado, mais do que por aqueles que, aos olhos do povo, governam...

Umberto Eco
O Cemitério de Praga
Inserida por meka

Creio que o que nos tornamos depende do que nossos pais nos ensinam em momentos estranhos, quando eles não estão tentando nos ensinar. Nós somos formados por pequenos pedaços de sabedoria.

Inserida por pensador

Não existe ligação com o Absoluto,..., que evite a mutação da moral segundo os tempos, os lugares e os contextos históricos nos quais uma vivência humana se desenvolve."

Inserida por EmOutrasPalavras

Pessoalmente desconfio daquele Absoluto que dita mandamentos heteronômicos e produz instituições incumbidas de administrá-los, sacralizá-los e interpretá-los. (...) Por isso, deixemos de lado as metafísicas e as transcendências se quisermos reconstruir juntos uma moral perdida; reconheçamos juntos o valor moral do bem comum e da caridade no sentido mais alto do termo; pratiquemo-lo profundamente, não para merecer prêmios ou escapar de castigos, mas simplesmente para seguir o instinto que provém da raiz humana comum e do código genético comum que está inscrito no corpo de cada um de nós

Inserida por EmOutrasPalavras

⁠⁠Você escolheu o orgulho,
e eu já não posso mais desistir da minha dignidade.
Inevitável adeus.

Inserida por desabafar_autoral

Sou um "cane sciolto", um cão desgarrado, que se abstém de afiliação rígida a qualquer movimento religioso ou político.

⁠“As mídias sociais deram a palavra a uma legião de imbecis que antes só falavam numa mesa de bar depois de uma taça de vinho, sem causar qualquer prejuízo à coletividade”.

Inserida por marco_aurelio_martins

⁠As redes sociais deram o direito de fala a legiões de imbecis que antes falavam só no bar, depois de um copo de vinho, sem prejudicar a coletividade. Eles eram imediatamente calados, mas agora têm o mesmo direito de palavra que um Prêmio Nobel.

Umberto Eco

Nota: Trecho de discurso dado em junho de 2015, ao receber o título de Doutor Honoris Causa.

Inserida por JorgeGuerraPires