E Sempre assim toda a Noite a Saudade Aperta
ESTRELA
Enquanto houver a noite me banharão as estrelas.
Numa noite destas em que se devaneia, eu tropecei em uma.
Iluminei-me.
Procurei muitas palavras para expressar o momento, fervilhei por dentro, mas ela me deixou sereno.
Se fez carne como eu, me entendeu, me recebeu.
Me olha e vê em mim o que minhas lentes já não percebem.
Aponta. Converge comigo.
Não são quimeras tudo isso.
É sério !
Eu vivi.
Caminhando no tempo, invento.
Sigo observando nessa trama.
Sem drama.
Agora?
Seguro a estrela nas mãos e vou seguindo.
Don Tiago da Rocha Sales Piauhy - São Paulo, Sp Outubro de 2014
Cai a noite chega o frio
Estendo o braço sinto um vazio
Penso em ti bom arrepio
Sonho que és o mar e eu um rio
Correndo dias a fio
Na esperança de encontrar
Os teus braços para me aconchegar
Nada há aqui
Na terra tua
Tejo sem ti
Noite sem lua
Dias ao sul
Senda de paz
No mar azul
Refúgio capaz
Voltas um dia
Repetes tudo
Procuras magia
Num grito mudo
Reflexo no rio
E nada mudou
Espelho vazio
De quem amou
A força está na compreensão , na noite, no dia e nas marés. Mas o amor, este não tem localidade, ele mora no silêncio.
A noite chegou! Aproveite para descansar, perdoar e esquecer. Use o pincel do perdão para dar uma nova cor ao dia que está por chegar, e sobre a tela de um novo dia desenhe um novo amanhã.
Deus concedeu-me um dia de paz. Deus concedeu-me a oportunidade de ter vivido mais um dia sob a sua divina proteção. Deus me concederá uma noite abençoada, um sono tranquilo e reparador e um amanhecer sereno. Gratidão pai Celestial por mais esse dia.
Eu tenho essa mania de ficar mais velha, mas nunca mais sábia
As meias-noites se tornaram as minhas tardes
Tudo o que eles continuam me perguntando
É se vou ser sua noiva
O único tipo de garota que eles veem
É um caso de uma noite ou uma esposa
Era noite, pela estrada eu seguia
Era noite, pela estrada eu seguia
A ouvir o barulho dos bichos,
Que na noite fazem folia,
Os gritos; os cantos nos nichos.
Parei para olhar a lua no céu,
O seu brilho refletido no rio,
Deixei minh'alma vagar além do véu,
Além da rua que ao vêr-me sorriu.
Como é belo o contemplar da alma
Que aos mistérios eternos desvenda,
Levando nas mãos a palma,
A sua glória, a sua senda.
Paira no céu a lua sublime,
Como um espírito a iluminar
A essência que esta noite exprime,
A ouvir seus bichos cantar.
ENTURVAR NO CERRADO
Esmorece as caliandras no enturvar
É o dia que se despede em partida
Com seu pôr do sol em um versejar
Cá no cerrado, escuridão incontida
Galhos retorcidos, mal desenhados
Sombreiam o chão na cor garrida
Traçando uns detalhes encarnados
O céu estrelado, graça, desmedida
O horizonte com laivos cinzentos
Melancólicos, pardando o sertão
É a noite imbuída no seu manto
Pia a coruja: canto com lamentos
Ritmando o noturno com sensação
Dando ao olhar, o encanto, tanto!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29 outubro, 2022, 18’56” – Araguari, MG
Parei pra pensar
Pensei sem parar
De jeito algum encontrei
Uma maneira de explicar...
Essa alegria que me invade
Essa dor que me consome
O dia que já entardece
A noite que seu véu desce
Esse momento de intimidade
Essa doce e breve vontade...
Lá estávamos nós de novo, no meio da noite
Estamos dançando na cozinha sob a luz da geladeira
No andar de baixo, eu estava lá
Eu me lembro disso tudo muito bem
NOITE DE INSÔNIA
Sob a rútila luz da lua no cerrado
Nesta noite de primavera, e fria
Meu tratear, sentinela acoimado
Provoca, acossa e ao sono arrepia
Pende do pensamento um passado
Memória, sussurros e louca utopia
Tal um desalento nuvioso e velado
É está minha sensação, de ti vazia
Na janela o vento na fresta, ali chia
Um perfume seco irrompe o quarto
E cá, um aperto, me faz companhia
E a tua lembrança não fala, se cala
Para um trovador que o amor sentia
Noite de insônia e a saudade entala!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
21 novembro 2021, 05'08" – Araguari, MG
Nem sei pois poesia é alma perdida em poema profundo que a terra admira até deferir a alma.
No delírio do desatino...
Floresce entre sombras de um infinito abraçamos verdades que morrem nós teus lábios frios.
Nem a vida próspera entre ramos do vento...
Sobras da alma prevalece pois é parte de um mundo morto.
Seresteiros os dias que atravesso sob divertido vulto do amanhecer...
Expresso diamante negro que dá a vida o desejo derradeiro momento...
Tudo que eu pensei um dia a teu respeito foi um sopro da minha imaginação perto do que me apresentastes a partir daquela noite.
Lua de papel
Em olhos marejados a lua é uma rosa branca imensa no céu
Rosa branca que acalma e conforta os perdidos na noite
Seu clarão afasta as sombras, seu formato, origami de papel
Ilude as lágrimas que vão embora.
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