E Sempre assim toda a Noite a Saudade Aperta
14/10/2018
BOA NOITE
É a noite que chega na mansidão do momento
vem para aconchegar, guardar com carinho,
emoções, distrações, nuances e feições.
Um monte de coisas povoaram e tomaram conta das atenções,
umas de alegria,
outras de enfastia e,
outras de serventia.
A noite não finaliza o dia,
Ela te abraça e aquece enquanto sonhos voam e sobrevoam o altar da imaginação.
Não leve preocupações, arrependimentos e sofrimentos para o leito.
Seus sentimentos são sagrados e carecem de luz e paz,
que só o amor pode oferecer.
Harmonize-se, peça e ofereça perdão, desfaça-se do que não acrescenta,
...desnude a alma!
Vá para o leito como quem vai para o ceú e,
tenha uma noite,
maravilhosa de se ter e sonhar!
Adormeça na paz, anjo amado de ternura e paz!
O amor te abraça e se aconchega em seu maravilhoso coração!
No breu da noite
A noite chegava
Pouco se fazia
A noite chegava
E a cidade dormia
Contavam os feitos
do resto do dia
A noite chegava
e a cidade dormia
Brincavam, jogavam,
faziam folia
A noite chegava
e a cidade dormia
A noite chegava
o breu assumia
A noite chegava
e a cidade dormia
-da época em que
tudo era mais fácil
levo junto a mim
lá no fundo do peito
o verso costurado
o olhar encantado
o amor encarnado
o brilho do luar
cartão-postal ilustrando
a noite que de azul
se banha ...
Noite fria com céu nublado,
À espera da chuva cair.
Sinto a brisa do meu lado.
Sinto por aqui o clima bom ir.
Estou ao seu lado aguardando o temporal,
As nuvens sobrecarregadas de água.
O portão coberto pela ferrugem,
Com calma aprecio o café matinal.
As folhas das árvores voam com o tempo.
Sou apreciado pelos seus sentimentos.
E, a chuva está caindo do lado de fora.
O cheiro da grama se espalha pelo local.
Pode ser que não há mais temporal.
O tempo ruim foi embora e o sol está lá fora.
A NOITE
Oh! jornada negra! O silêncio debruçado
Lá fora... um raio rasgando o céu, espia
A minha alma, teimosa, cheia de porfia
Fria, chuva que cai, molhando o cerrado
No horizonte desfalece a luz do fim do dia
No céu tenebrosa, a lua, e o quarto calado
E só, trevoso e largo, o trovão estardalhado
Troando a solidão da chuvosa noite vazia
Devassa... oh! jornada escura de loucura
Que estardalhaça no peito suspiro fundo
E excarcera o medo sem qualquer ternura
Pobre umbroso de arrelia, e moribundo
O sono, pávido e prostrado de amargura
A noite, chuvosa, faz-se lento o segundo.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2018, 25 de outubro
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
A noite
Num quarto escuro
Penso em ligar
Penso que não
Lembro dos teu braços
Entrelaçados em mim
E teus lábios
Tocando os meus
O que me levar
A uma saudade sem fim.
Lembro do mais belo encontro
O encontro do teu olha no meu
A saudade apertou
E começo a pensar
Pensar que
Nós desgastados demais
Sem poder evitar.
Pensei em ligar
Me fugiu a coragem
Comecei a escrever
E fiz esse poema pra você
Mas tem um detalhe
Tu não chegaram a ler.
Sorrir é melhor que chorar! Quem disse? Se consolados por Deus, serão os que choram.
Prefiro de fato sorrir, mas tendo a ciência que meu choro durará apenas uma noite e minha alegria virá ao amanhecer.
Então escolho chorar e ser consolado por Ele. Minha verdadeira razão de viver.
As estrelas que vejo no céu são poucas comparado com a imensidão das galáxias, mas essas já iluminam minhas noites.
Tenho medo da noite, a escuridão deixa tão clara minhas imperfeições, o silêncio grita alto meus defeitos, todas as noites sou acusado, defendido e julgado por mim mesmo, minha sentença e punição é viver noite após noite consciente dos meus pecados.
Dia vem, noite vai... está acontecendo, estou morrendo, nesse vaivém. Quando sai, não durmo mais. Fico esperando... Coração me sufocando. Esse amor não é normal. Vive de dor. Nosso caso já está no jornal... Morreu de fato.
Especialistas disseram que iria chover. Meus olhos viram as nuvens encobrindo o Sol. Minha fé enxergou o Sol brilhando entre as nuvens!
Na verdade, eu gosto muito da chuva, mas às vezes eu preciso que ela dê uma trégua durante o dia e, então, venha cantar aquela canção de ninar a noite.
As noites passaram a ser lentas. Os minutos eram horas. Rolava na cama e suplicava que a manhã chegasse logo. Socava o travesseiro e me punia a cada golpe. Aos 26 conhecia a mais terrível tempestade que os meus próprios pensamentos me levavam. Gostaria de resignificar e colocar em ordem. Gostaria de calcular os tropeços e perdoar-me pelas faltas. Gostaria de tornar simples e explicar oq parecia atrapalhado. O reflexo no espelho mostrava a irritação, o ego a tornar-me pequena e o desespero contagiante. Era desesperador. Não adormecer na monotonia. Não ser possível desligar-me e desacelerar os pensamentos que viajavam incontáveis vezes e submergia loucas recordações. Me sentia talvez culpada no meu inconsciente, ou ainda meu corpo reagia a demonstrar-me o quão útil poderia ser e o quanto o ócio me parecia confortável. Não aceitaria reviver aqueles meses difíceis. Preferia estender a mão, saudar pessoas simples, sorrir das manhãs rotineiras e às vezes até turbulentas. Me reestabeleceria. Renasceria e fincaria raízes. Ouviria oratorias belas, incorporaria dentro do meu intelecto a missão que haveria de cumprir. Não fugiria do destino. Abriria espaço para felicidade e me dedicaria a ser menos opressora. Entenderia. Viveria para ser melhor e ser melhor seria o único propósito. Não seria fácil. E quem disse que seria!? Abriria espaço. Tomaria as rédeas. Abusaria da boa vontade. Traria de volta princípios da maternidade. Me equilibraria numa passarela de poucos centímetros. Me tornaria Dona de mim. E saberia optar pelo justo. Viveria a dignidade de ser o princípio, o meio e o fim.
-Marília Villela
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