E o Tempo da Travessia e se Nao Ousamos Faze-La

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Quem já esteve na Lua já não tem mais metas na Terra.

Covarde é aquele que não abre novos caminhos na vida, nem emprega as suas forças para enfrentar os obstáculos.

O destino é severo. Sejamos nós indulgentes. O que é preto talvez não seja escuro.

O futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais importante que isso...

É muito fácil viver com pouco desde que a pessoa não gaste muito para ocultar que tem pouco.

O progresso dá-nos tanta coisa que não nos sobra nada nem para pedir, nem para desejar, nem para jogar fora.

Carlos Drummond de Andrade
ANDRADE, C. D. Passeios na Ilha, 1952

A gratidão é um fruto de grande cultura; não se encontra entre gente vulgar.

Não merece o doce quem não experimentou o amargo.

Na realidade, não conhecemos nada, pois a verdade está no íntimo.

Há males de que não se deve buscar a cura, porque só eles nos protegem contra males mais graves.

Muitos cuidam da reputação, mas não da consciência.

Não se deve indagar sobre tudo: é melhor que muitas coisas permaneçam ocultas.

Nas nossas vidas diárias, devemos ver que não é a felicidade que nos faz agradecidos, mas a gratidão é que nos faz felizes.

A sabedoria não pode ser transmitida. A sabedoria que um sábio tenta transmitir soa mais como loucura.

A minha liberdade não deve procurar captar o ser, mas desvendá-lo.

Muitos homens, como as crianças, querem uma coisa, mas não as suas consequências.

O poeta é como o príncipe das nuvens. As suas asas de gigante não o deixam caminhar.

Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis.

Não rir, nem lamentar-se, nem odiar mas compreender.

Fumo

Longe de ti são ermos os caminhos
Longe de ti não há luar nem rosas
Longe de ti há noites silenciosas
Há dias sem calor, beirais sem ninhos

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas
Abertos sonham mãos cariciosas
Tuas mãos doces, plenas de carinho

Os dias são outonos: choram, choram
Há crisântemos roxos que descoram
Há murmúrios dolentes de segredo
Invoco o nosso sonho, entendo os braços

e é ele oh meu amor, pelos espaços
fumo leve que foge entre os meus dedos.