Dúvida
Se não for seu, não pegue.
Se não for justo e perfeito, não faça
Se tem dúvida procure saná-la
Se não for verdade, não publique.
Se não sabe procure o conhecimento ou fique quieto.
Não seja ignorante.
Respeite o seu semelhante.
Passemos revista aos instintos e virtudes do filósofo, instinto de dúvida, de negação, de expectativa, analítico, aventureiro, investigador, experimentador, comparativo, compensador de imparcialidade, objetivo, sine irae et studio; não foi isto por muito tempo contrário a todas as exigências da moral e da consciência?
O filósofo está aberto à dúvida, está sempre em marcha; o porto a que chega é apenas a etapa de uma viagem sem fim, e é preciso estar sempre pronto para zarpar de novo.
Engraçado como quem julga e duvida nunca está ocupado vencendo na vida; estão sempre disponíveis para criticar, questionar e desacreditar, como se fossem fiscais do impossível.
"A dúvida destrói mais sonhos do que o fracasso. Então, levante-se! Sua mente é a chave e o trilhão já é seu por direito!"
Não queira saber aonde estou, tão pouco para onde vou
Se não sabe aonde estou; qualquer dúvida te serve.
O amor é uma atitude, uma vontade que surge em nós, que sem dúvida, sempre nos fará bem, pois ainda que não cause impacto algum na pessoa amada, com certeza vai nos fazer crescer ainda mais. Ame!
SOBRE A AMIZADE.
Não tenho dúvida sobre o valor superior da amizade, com relação ao amor romântico. Não se trata, portanto, de sexualidade, nem de gênero, os sentimentos são desenvolvidos pelas afinidades que existem entre as almas afins. Contudo, quando acontece entre sexos opostos, a amizade, muitas vezes, quase sempre é confundida. Isto ocorre pelo poder da cultura, homem e mulher devem nutrir apenas sentimentos românticos uns para com os outros.
Todavia, quando acontece uma grande amizade entre sexos iguais, tanto entre dois homens quanto entre duas mulheres, percebe-se, no entanto, que a amizade supera o amor romântico, tanto em força e maturidade emocional quanto em vigor moral, a paixão que une duas pessoas de sexos opostos. Não raro, relacionamentos assim, quando são desfeitos tornam estas duas pessoas, outrora apaixonadas em ferrenhos inimigos.
A história e a literatura nos revelam, que com as relações de amizade não acontece a mesma coisa. Dizem até, isto alguns bons poetas, que a amizade é “um tipo de amor que dura para sempre, ” não vamos, contudo, aceitar de pronto esta afirmação romântica. Algumas boas amizades já foram desfeitas, mas nunca com a mesma paixão com que se desfazem os relacionamentos românticos.
Pensando sobre isso, me veio uma expressão de outro poeta, ele diz: A amizade é tão sublime que podemos afirmar, que se trata de um tipo de amor angelical, poderíamos dizer, sem exageros poéticos, e isto encontrará consenso entre as pessoas afortunadas que chegaram a conhecer e usufruir uma verdadeira amizade, que a amizade é o amor romântico que existe entre seres assexuados, entre anjos, entre seres evoluídos, especialmente para quem entende desta forma.
Tenho dúvida quanto a se o amor suporta tudo.
Talvez seja porque nós nunca saberemos
o que é o amor que Paulo tentou explicar.
UMA PROSA SOBRE FERNANDO PESSOA
Fernando Pessoa foi um lunático, visionário, sem dúvida um esquizofrênico consciente, inofensivo e adorável. Homem subterrâneo, viveu isolado, entre aquilo que ele era e aquilo que desejava ser. Tinha, como eu, todos os sonhos do mundo. Não se achava especial, apenas superior a todos os seus contemporâneos.
Para suportar o peso do mundo inventou outros mundos, outro universo, onde ele podia facilmente se livrar do mundo real, ou pelo menos daquele opressivo em que todos vivem, onde se acham normais, pessoas comuns que se casam, têm filhos, bebem e fornicam, sem muita preocupação com arte ou metafisica.
Fernando não teve um grande amor, pelo menos não foi correspondido, por isso achava que o amor era uma perda de tempo, uma ilusão que causa muito sofrimento e dor.
Eu sou visionário, como ele, mas tenho um amor correspondido, tive filhos, publiquei mais que ele em vida. Tenho bons e maus hábitos, similares aos dele. Gosto de vinho, de café e de solidão para pensar e escrever. Sou músico, ele não foi. Vivo em uma época fascinante com muitas facilidades e distrações que poderiam muito bem me desviar do meu objetivo cósmico-divino, e com isso me diminuir, no que diz respeito ao talento do qual fui dotado. Tenho a obrigação, assim como ele de contribuir com a evolução da humanidade, no que tange ao desenvolvido cultural e espiritual do homem.
Portanto, não isento-me dessa responsabilidade, cada artista deve entender qual é sua missão, seu papel no mundo.
Não se faz necessário ser erudito, estudar em grandes faculdade, coisa que Fernando não fez, ora por não desejar isso, ora por não corresponder aos critérios exigidos na sua época. Ele poderia ter se formado em letras, mas percebeu que sabia muito mais do que seus instrutores, foi isso que lhe permitiu produzir tanto, pois sua formação intelectual era algo incomum pata qualquer mortal, ele já tinha ajuntado todo cabedal de conhecimento suficiente para compor sua obra. Este conhecimento oriundo dos livros, os quais ele lia com uma velocidade espantosa. Chegou ao ponto de dizer que não havia mais nada de interessante para ler, foi quando percebeu que era hora de observar mais a natureza e as atitudes dos homens, para completar sua magistral obra.
Eu penso assim como ele, que já li tudo que valia a pena, rejeitei, como ele a instrução formal de uma faculdade de jornalismo, onde aprendi algo muito significativo, o que é estudar. É saber ler, saber escolher o que ler... Abandonei, como ele a faculdade para me dedicar ao meu oficio, escrever, produzir conhecimento.
Fernando teve muita preocupação com o mito; leia-se Deus, religião, espiritualidade, às vezes ia muito fundo nesta busca, outra hora retrocedia e negava tudo, mesmo que por intermédio de outros, com seus heterônimos. A verdade é que ele mesmo não cria em nada além da vida, e muitas vezes duvidou de que a vida de fato fosse real, se perdia em delírios de que a vida devia ser uma grande ilusão.
De qualquer forma ele foi único a definir o mito, de forma poética e filosófica resumiu o mito e toda metafisica em uma frase: “O Mito é um nada que é tudo.”
Fernando Pessoa, mesmo não crendo em metafísica, nem em vida em outro lugar, continua vivo, e escrevendo com a mente e as mãos de muitos autores em todo o mundo.
Quem mais escreveu com a sapiência e astúcia de Fernando Pessoas, foi José Saramago. Saramago deu sequência à obra dele, boa parte do que produziu teve influência direta da mente criativa de Fernando Pessoa. Se você não sabe do que estou falando, leia este livro do Saramago. O Ano da morte de Ricardo Reis, contudo só vai inferir completamente o que eu afirmo se for capaz de se aprofundar nas obras dos dois autores portugueses geniais.
Evan do Carmo
A falta de amor, a dúvida se somos queridos, desejados, é o que faz a vida perder o sentido... sentido que um dia acreditamos
ter encontrado no amor.
