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Drummond Melancolia

Cerca de 2079 frases e pensamentos: Drummond Melancolia

Entre os vales
E os buracos
Encontro calado
O preço dos passos.

Com a voz ignorada
Em um desastre espiral,
Amo a dor presente
Da vida melancólica e carnal.

Preso ao som
Da solidão aparente,
Deslumbro as lagrimas
De uma livre mente.

Sou apenas uma mera sombra nesse mundo de obras mortas.

Sob a sombra do teu sorriso habitei
Foi minha moradia, meu refúgio, o meu mundo.
Foi...

Aos poucos este mundo foi se fechando para mim, e abrindo-se por completo para ela.
Mas, ela é uma peregrina.
Por que com tantos mundos para visitar ela se prenderia ao seu?
Tantas portas abertas, tantos lugares a serem visitados...
Sim, o teu mundo foi desprezado.

Hoje, vejo de longe desmoronar-se, pois já não tem alguém para cuidar e ser suporte.
E dói… dói ver que não posso salvar aquilo que um dia já me pertenceu.

Mas querido,
prometo-te que quando tu não tiveres onde habitar, na sombra do meu sorriso acolherei-te

Adeus, meu pobre amor. Jamais a esquecerei ou substituirei. Seria absurdo de minha parte procurar persuadi-la de que você era o amor puro, e que esta outra paixão não passa de uma comédia da carne. Tudo é carne e tudo é pureza. Mas uma coisa é certa: fui feliz com você e, agora, sou infeliz com outra. E assim prosseguirá a vida (...) de um modo geral, agirei como sempre agi. Mas isso não significa que serei feliz sem você... Todas as pequenas coisas me lembrarão você (...) tudo isso me parecerá sempre a metade de uma concha, a metade de uma moeda, de que você possui a outra parte. Adeus. Vá embora, vá embora. Não escreva. Case com Charlie ou com qualquer outro homem bom de cachimbo entre os dentes. Esqueça-me agora, mas lembre-se de mim depois, quando a parte amarga estiver esquecida.

Confissões de passageira

Cá estou, na janela do avião,
Admirando a luz energizante deste sol que nos ilumina,
Analisando os prós e os contras de manter-te em minha sina,
Comparando-te a esta imensa vastidão (de ambos, conheço tão pouco!)

Longe de ti, o mundo parece vago,
Vivemos um romance nunca escrito,
Mas, ah que autor maldito!
Mantém-te longe de tudo que trago.

Até meu cigarro tornou-se morno
Quero tua boca, o gosto do teu corpo,
Descobrir em ti caminhos, desses que conheço pouco.
Devolva-me o o prazer de uma vida sem você!

Como um sopro de epifania traduzo tuas línguas,
Minhas mãos leem-te como braile,
Te acariciam de um jeito que bem sabes,
Ainda que não digas.

Hora quero-te perto,
Noutra, mais ainda
É loucura que não se finda,
Muito fogo pra pouca palha,
Seja meu pecado incerto.

Difícil é saber o que queres,
Mais difícil saber como podes brincar com meu pensamento
Logo eu, tão frígida no assunto sentimento...
Já não sei mais a que santo rogo para atender minhas preces

Teu corpo atrai,
Tuas curvas enlouquecem,
Conheço-te por completo sem nunca ter-te tocado.
Trago-te comigo, em minha pele gravado.
Tuas palavras me aquecem
Meus lábios de ti não saem.

És minha contradição favorita,
Anseio-te de cabelos assanhados
Nossos corpos suados, colados,
És o paraíso que mais me excita

Quem tem sentimentos sabe que vive a perecer...
Sou louca por ti, mas imploro,
Me ame, me use, me tenha,
Só não faça-me enlouquecer!


Thaylla Ferreira Cavalcante (Sou nós)

Saudade

A saudade não me deixa te esquecer
É a única coisa que me resta de você
Tenho medo de te procurar
Pois sei que iria me ignorar

O tempo passa
E a saudade só aumenta
O que fazer para te ver?
Sei que meu coração já não mais aguenta

Quando os outros falam de você
O que mais sinto é meu peito doer
Quero te encontrar
Mas sei que você não iria gostar

Você não quer me ver
Nem se meu coração parar de bater
E é isso que acontecerá
Se um dia eu não parar de te amar.

⁠Quando vejo coisas frágeis, coisas indefesas, coisas quebradas, eu vejo o familiar. Eu era pequena, era fraca, também era perfeita... Agora sou um espelho quebrado.

⁠Se mergulho na ociosidade, o tédio aparece sem aviso; abro espaço no sofá e encho a xícara. Quem duvida? Ele é o mensageiro das fantasias mais descabeladas.

⁠você foi a ferida
que mais tive
prazer em cicatrizar
e a mais difícil de suportar.

Tem dias na vida que a tristeza bate na nossa porta, e a gente pensa que não vai sair dessa tristeza, tentamos fugir, mas parece que ela corre atrás da gente. Então você para e pensa: amanhã será outro dia, espero que ela vá embora e me deixe ser feliz.

As lágrimas que teimam em cair,é quando não suportamos nos fechar e desatamos no choro até expelir tudo que nos pesa na alma.

Que Deus ilumine as almas teimosas em ser infelizes,é a vida acontecendo com infinitas possibilidades e a pessoa só pensa em sofrer,acorda criatura...acorda pra vida,acorda pra fé em si,que Deus espera que reajas.

COMO FAZER FELIZ MEU FILHO - Drummond

Como fazer feliz meu filho?
Não há receitas para tal.
Todo o saber, todo o meu brilho
de vaidoso intelectual

vacila ante a interrogação
gravada em mim, impressa no ar.
Bola, bombons, patinação
talvez bastem para encantar?

Imprevistas, fartas mesadas,
louvores, prêmios, complacências,
milhões de coisas desejadas,
concedidas sem reticências?

Liberdade alheia a limites,
perdão de erros, sem julgamento,
e dizer-lhe que estamos quites,
conforme a lei do esquecimento?

Submeter-se à sua vontade
sem ponderar, sem discutir?
Dar-lhe tudo aquilo que há
de entontecer um grão-vizir?

E se depois de tanto mimo
que o atraia, ele se sente
pobre, sem paz e sem arrimo,
alma vazia, amargamente?

Não é feliz. Mas que fazer
para consolo desta criança?
Como em seu íntimo acender
uma fagulha de confiança?

Eis que acode meu coração
e oferece, como uma flor,
a doçura desta lição:
dar a meu filho meu amor.

Pois o amor resgata a pobreza,
vence o tédio, ilumina o dia
e instaura em nossa natureza
a imperecível alegria.

Inserida por Pequenosol

ÁPORO

Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.

Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?

Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata:

em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se.

Inserida por Pequenosol

SONETO TÚBIDO

O que fazer desta melancolia primitiva
que adentrou minh'alma vorazmente
haurindo o prazer num ato contundente
como se fosse uma serpente viva?

Como sustar deste "ser" frente a frente
que me alicia e do meu eu não esquiva
me oprimindo numa redoma passiva
invadindo meu sentimento de repente?

Busco por outras alternativas à deriva
me afastando pra além da má mente
e nada, só amargo me vem na saliva...

E como se fosse parte de mim, ciente
ousa induzir que esta minha negativa
é túrbida, e que na fé sou pendente!

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
agosto, 2016
Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Do lado de lá, a França, o continente. Deste lado, a grande ilha, o Reino Unido. No meio, neste oceano, tantos medos, tantas esperanças, tantos sonhos. Que nenhum naufrague. Que cheguem todos à terra tranquila e nela façam morada, criando raízes profundas como uma árvore que só quer deixar bons frutos em jardins que contém nossas histórias futuras.

"No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho…” (Carlos Drummond de Andrade)
Resta-nos saber o que fazer com esta pedra no meio de nosso caminho...
Destruí-la,contorná-la,ignorá-la ou enfrentá-la? Depende do ângulo e da situação de vivenciamos e o que pretendemos fazer diante da mesma já que, de acordo com nossa visão poderá ser somente uma simples pedra ou não…As pedras em nosso caminho sempre aparecerão,resta-nos tomar a melhor atitude para não fazê-las de impedimentos árduos em nossas vidas, buscando com serenidade desvencilhar-se de algo que nos submeta àquilo pelo qual não desejamos passar.
Somente contarná-la poderá ser uma solução imediatista e branda isso, sem preocupar-se em responder os possíveis porquês que possam surgir em nosso consciente afinal,a decisão é nossa, é soberana portanto, sem receios,sem rodeios desnecessários…siga adiante,siga o seu coração.

Não perco meu tempo aprendendo coisas desinteressantes. Como discorre Drummond “perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes.". E assim vou caminhando, catando em meu caminhar aprendizagens significativas, coisas interessantes que a vida me presenteou!

POETA CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE E A PEDRA...


Dia desses, andava displicentemente pelo caminho:
- O mesmo que, um dia, o poeta Carlos Drumond,
entre uma pedra e outra, também passou!

Foi, então, que notei uma pedra no meio do caminho
e sem querer desviar-me de meu trajeto...
Por alguns instantes, sobre está mesma pedra
me assentei, para um pequeno momento de reflexão.

Nunca me esquecerei dessa experiência,
do dia em que por esse caminho também passei.
Apesar de ter em minha mente a imagem do poeta
que algum dia, por ali, distraidamente caminhava...
Confesso que a imagem da pedra no meio do caminho,
além de despertar a minha curiosidade,
é também uma cena e acontecimento,
que jamais esquecerei.

Li certa vez um texto de Carlos Drummond de Andrade que falava sobre o encerramento de um ano para o início de 365 novas oportunidades. Que a pessoa que inventou essa divisão do tempo em períodos de anos era um gênio, pois assim conseguimos parar e avaliar o que fizemos e deixamos de fazer, e renovar as promessas para o ano que está para chegar. É como se fosse possível sair daquela rotina diária e contemplar os efeitos dessa época de festas.... Ficamos mais felizes. Com os sorrisos das crianças, com o brilho nos olhos daqueles que traçaram seus projetos. Se prestar bem atenção, verá a "terra respirar". Você pode ser o que quiser, mas para isso é preciso saber quem você é. É necessário limpar as gavetas, seja dos armários, do coração, da alma... Carregamos coisas inúteis que ocupam espaço imprescindível para viver a vida. Então, aproveitando essa época de festas, desejo que renovem o ser, que tenham sonhos possíveis de realizar, que a saúde infecte a todos sem clemência, que a paz reine em seus espírito, que sejam abençoados com a sabedoria Divina, e que a felicidade seja sempre uma constante em suas vidas... Boas festas!