Do nada
Há quem atravesse a vida sem enxergar milagres em nada. Mas existem aqueles que aprendem a olhar o mundo com o coração e então descobrem que o amor, os encontros, o tempo e até os pequenos instantes são milagres acontecendo em silêncio todos os dias.
Grave isto:
Você não precisa provar nada a ninguém; os seus atos e conquistas ecoam por conta própria. Pessoas incapazes de reconhecer o seu valor sempre existirão. Não se abale por elas. Em vez disso, continue demonstrando a sua capacidade diariamente, focado no seu próprio crescimento.
Aprenda uma coisa:
Você não precisa provar nada para ninguém. Seus atos e seus feitos já falam por si mesmos. Pessoas que não reconhecem o seu valor sempre vão existir, mas não se abale: prove diariamente a sua capacidade apenas para você.
No início, o silêncio dançou,
entre o nada e o tudo se criou.
A palavra, som não dito, brotou,
e a luz oculta em faíscas brilhou.
Do ponto surgiu a linha infinita,
o Nome esculpido no tempo, bendito.
Quatro letras, sopro eterno da vida;
e no sopro, o mistério não dito.
Yod é a chama que nunca se apaga,
Hei é o ventre onde o cosmos repousa.
Vav, a ponte que une o céu e a estrada;
Hei final, a vida que floresce formosa.
Ó viajante, que busca o segredo,
no coração a chave do Todo está.
No reflexo da alma, o espelho do Éden,
e o Tetragrama em seu ser pulsará.
A nós, seres orgânicos, nada interessa originalmente numa coisa, exceto sua relação conosco no tocante ao prazer e à dor.
Se a História tivesse uma finalidade, como seria lamentável o destino daqueles que, como nós, nada fizeram na vida. Mas no meio do absurdo geral, nos erguemos triunfantes, nulidades ineficazes, canalhas orgulhosos de haver tido razão.
Quando nem sequer a música é capaz de salvar-nos, um punhal brilha em nossos olhos; nada mais nos sustenta, a não ser a fascinação do crime.
Nada supera a satisfação da própria vaidade e nenhum machucado dói mais do que o ataque a ela.
A democracia, maravilha que não tem nada a oferecer, é, ao mesmo tempo, o paraíso e o túmulo de um povo. A vida só tem sentido graças à democracia, mas a democracia carece de vida.
Quem não conheceu a tentação de ser o primeiro na cidade não compreenderá nada do jogo político, da vontade de submeter os outros para convertê-los em objetos, nem adivinhará os elementos de que se compõe a arte do desprezo.
Nada nos torna mais infelizes do que a obrigação de resistir a nosso fundo primitivo, ao apelo de nossas origens.
Quando conhecemos o equilíbrio, não nos apaixonamos por nada, não nos apegamos nem à vida, porque somos a vida; se o equilíbrio se rompe, em vez de identificar-nos com as coisas, só pensamos em subvertê-las ou em modificá-las.
Que orgulho descobrir que nada nos pertence, que revelação!
A sorte de ter sido quem sou, de estar onde estou, não é nada se comparada ao meu maior gol: sim, acho que fiz um monte de gente feliz.
Não há nada pior que um Estado possa fazer do que punir um inocente.
Certamente, o encanto de morrer está no fato de que nada se perde.
Acaso não tem nada a ver com o sobrenatural nem é o que não pode ser explicado hoje pela ciência e amanhã será conhecido. Acaso são fatos comuns, frequentes, que podem ocorrer a qualquer momento, sem avisar. A bola entra também por acaso.
'MORTE XX... '
O que acontece quando morremos? Talvez o 'nada' tome proporções maiores. Sonhos se esvaem? Sonhos... Nunca tivemos sonhos. Nunca tive sonhos. O que tive (emos) foram sensações esporádicas de uma vida (se é isso que temos) cheia de infelicidades (se é que isso também existe)...
A morte vem como se nunca tivéssemos existido. Existimos, mas pouca diferença faz. Plantamos, mas não colhemos. Ninguém vai colher absolutamente nada, porque o nada é precedente. É anterior ao que éramos. Nasci em fevereiro de 1978, e voltarei anterior a essa data, pois nunca existi de verdade...
O que quer que eu faça, ficará nas datas que sobrevivi, nesse intervalo entre morrer, e morrer uma segunda vez. Lembranças... Lembranças para quê? Se os que tiverem lembranças, ficarão ao meu lado um dia. Enterrados com suas memórias que nunca existiram. Nascemos com o choro e morremos agonizando. Precisamos aprender a viver e a morrer pacificamente, como a pior aversão do sol, que faz bem... mas queima a pele...
--- Risomar Sírley da Silva ---
