Do nada
Há pessoas muito más neste mundo, e aquelas que só sabem combater o mal com o mal não conseguem ser melhores em nada daquelas que fazem mal, pois só conseguem isso, perpetuar e engrandecer as forças do mal.
Quando somamos um bem com um mau, nada resta, um anula o outro e o que há é perda de tempo, para ambos os lados. É preciso ser mais, pois bem com bem, mais bem e mau com mau, mais mau.
Nada grande ou extremamente grande assim é desde o seu princípio, e nada assim se torna senão com o ajuntado de pequenas coisas. Assim são as grandes ideias, as invenções e as descobertas. Também são os animais, as florestas, o universo. Assim é uma sociedade, um país, o mundo. Se nem família conseguimos ser sozinhos, nem sociedade ou tão pouco um grupo, de nada vale acreditar que sozinho se pode tudo. Junte, se ajunte, cresça com os outros e com tudo o mais, só assim serás grande.
E assim, as meias palavras,
as meias perguntas,
e as meias respostas
fizeram-me sentir
como se eu fosse uma meia coisa.
Somos o meio de tudo sem sermos o meio termo. Estamos aqui e ali, um pouco do nada e um todo de tudo, somos o universo, o tudo e o nada.
O beijo não encontrou os lábios e mais nada. A lua não brilhou pois não tinha céu, mas, as estrelas reluziram por ser apenas estrelas, e o céu se tornou de repente um adminículo no alvorecer, pois entre a luz e o escuro, nada se sobressai a não ser o sereno, o beijo são confidências para um nada que se transforma em prazer.
E é nesse autismo de vida parada, que só uma mãe enxerga seu mundo lá dentro de um vazio que se perde num sorriso iluminado disperso na complexidade de um tudo e do nada.
