Do nada

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O que mais me impressiona
É perceber que nesta vida
Nada mais me pode impressionar
Deixei meu viver de lado
Parei de sonhar acordado
Eu, que tanto quis saber
Agora acho tudo assim...
Sem graça
As emoções me abandonaram
Eu não sinto mais falta de nada
Coração oco
Alma vazia
Não entendo como foi que um dia
Eu pude gostar da vida
E querer bem a este mundo
Que me esqueceu
Assim
Pra mim tanto faz
Por favor, vida
coisa abandonada
Me esqueça no meio da estrada
me deixe sumir em paz

Inserida por edsonricardopaiva

O tempo passa, corrói a ferrugem, rói a traça
porém há belezas ocultas, mesmo que nada se faça
nem tudo na vida perde a graça.

Inserida por edsonricardopaiva

Pra eu gostar
não é preciso ter nada demais
me basta aquela beleza
que não se vê
pois esta não se desgasta
Uma franqueza única
daquelas que não se explica
tampouco sabe que tem
simplesmente existe
Quando tudo mais se vai
é isso que fica
aquele tipo de alegria
que não carece de sorriso
Que não quer e nem se ocupa
Em pensar no que a gente pensa
Deixa a gente feliz
com sua modesta presença
Não é preciso fazer festa
nem ter nada que mande buscar
aquilo que o mundo venda
As pessoas de maior valor na vida
São aquelas que não se compra
A pessoa mais bela
nada diz e nem pergunta
sabe daquilo que a gente gosta
e faz
sabe o que a gente não gosta
e não faz
e gosta do que eu faço
sem fazer propaganda
Não obedece e nem manda
e mesmo assim, faz tudo certo
Se eu gostar
Quero que esteja por perto
e conte comigo
Praquilo que vier e não vier
e que me faça sentir saudade
Sempre que não estiver

Inserida por edsonricardopaiva

Se por promessas vazias
Fiaste em vão tua vida
E se tudo agora
nada mais significa
Te lembres sempre
De uma Promessa anterior
De que do teu coração
Seria varrida toda dor
Esta promessa não morreu
Esta Palavra é a que fica.

Inserida por edsonricardopaiva

Quando nada mais houver
E se não restar
nem mesmo a dor
Agradeço pelo que tive
Mesmo estando assim
tão distante do começo
fico feliz pela tarde
Quando chove
Observo o alarde que faz o mundo
e agradeço, mesmo quando
dentro de mim
Nada mais se move
Me apego ao apreço
Que um dia, porventura
houver existido
pela pessoa que eu era
A vida não passa
Nós passamos pelo Mundo
a vida espera
às vezes fingida e mentirosa
e há dias em que é sincera
e claramente fria
Quando mais nada houver
e acabar-se o que havia de melhor
assim como também não existir
amor, calor ou dor
estio ou frio
Nada pra sentir
e nenhum lugar aonde eu ir
Ainda assim
Espero que ainda possa ver
as aves no Céu
Simplesmente pra se olhar
Mesmo que em meu caminho
haja apenas as quedas
E esta vida eu já nem viva
Nesse dia talvez eu compreenda
Que por mais que a vida tente
e a gente jamais aprenda
Seja ela gentil, sutil ou incisiva
haverá de existir pra sempre
A alternativa de vivê-la
desta maneira
um tanto contemplativa

Inserida por edsonricardopaiva

A tarde me convida a fazer nada
Olho pro Mundo, obra mal acabada
Esse convite tem um sentido profundo
é chegada a hora dos noves fora
Meu conhecimento, muito raso nesse assunto
Mesmo no Céu, nada se move
O dia todo eu passo à toa
A noite perde a validade
Este tempo sem qualidade
Não permite ao menos que a garoa
Que vejo cair distante
Me possa servir de distração
Fazer desenhos com a ponta dos dedos
Nos vidros da janela
de maneira singela
Disfarçar esses meus medos
Ledo engano
Nem mesmo a água de todos os mares
Seria capaz
de convercer-me a desistir
de todos aqueles planos
Ano a ano, a cada dia mais longe
Perto de mim, somente a tarde
Que me faz lembrar
Que agora é tarde
Pra fazer desenhos
Fazer planos
Pintar vasos
De repente a chuva vem
e nesse caso
Haverá de ficar por anos

Inserida por edsonricardopaiva

Nada além disso
Só isso
Nada além de arte
Pequenos pedaços de vida
Pequena vida
dividida em partes
Em constante movimento
No mesmo momento em que algo chega
Algo também parte
Mas partindo, deixa sempre algo de si
Aquilo que passa, se não deixa marcas
Não tem graça
E nenhuma utilidade
E eu não quero
Não pretendo e não procuro
Nada além disso
é so isso
Não vivo e nem quero jamais
Viver, se não existir
Algo que me faça sentir
Que existe sim, um compromisso
Leve e breve
Porém profundo e duradoro
como a morte
Que por sorte ainda não veio
Enquanto isso
Vamos todos vivendo
Rindo, amando e fazendo poesia
Se chove hoje
Não me esqueço
Que ainda ontem
Ardia um lindo Sol
Esta lembrança
Me provoca, então
Forte alegria
Lindas e simplíssimas palavras
dançam ao redor do coração
Que apesar de tudo
Ainda é de criança
Apesar de já não ter o mesmo viço
E é isso que me faz feliz
Nada além disso
Apenas isso

Inserida por edsonricardopaiva

Outro dia, a caminho do nada
Cara amarrada, coração fechado
de repente olhei pela janela
Não estava longe e nem perto
Estava exatamente onde tinha que estar
Um lindo Campo de Flores Amarelas
Até hoje eu me pergunto
Que flores seriam aquelas
Sem perceber, quando dei por mim
de repente eu já sorria
Uma simples paisagem
Alguma coisa muda na gente
E acaba por mudar tudo no dia
Eu não criei, nem ao menos tentei
mas tento não perder
Essa mania que há em mim
de enxergar a beleza
Que existe nas menores coisas
Isso sempre me causa
Uma sensação muito boa
A vida sempre se encarrega
de fazer algo que dói
Mas, por mais que a vida doa
Eu creio que não seja esta
A intenção ou finalidade
Mas, sim, aprender a enxergar
Sempre beleza e qualidade
A vida existe pra que a gente
Saiba sempre abrir o coração
e se deixar invadir pela alegria
E levar sempre pra casa
Um pouco dela
Ao final de cada dia.

Inserida por edsonricardopaiva

A terra vai secando
ao calor da tarde clara
de vez em quando chove
nada se move na paisagem
Nem mesmo a imagem de um anjo
Que mesmo assim, não mostra a cara
De repente um bando de pássaros
aparece em busca de água
e a bebe aos cântaros
A tarde se torna um Pântano
Infestado de ìcaros
Maltratado por tardes passadas
Que somente silencia
No calor da madrugada
Nesse espaço de tempo
Eu percebo que perdi tudo
Não há mais nada a fazer
e eu, portanto, nada faço
Os pássaros carregam
Um curto espaço do dia
Quando vão
e eu não sei pra onde vão
se esconderam no desvão que havia
entre o Céu e o chão.

Inserida por edsonricardopaiva

A tudo que fiz em vida
Nunca fiz nada direito
Apesar de ter feito
Com todo o amor
Que tenho no meu coração
A causa dessa imperfeição
Creio que se deva ao fato
do meu coração também
Ser algo um tanto imperfeito
repleto de amor perfeito
Porém, com o tempo
Esse amor
Por tanto ser preterido
Foi ficando
Cada vez mais escondido,
machucado, rarefeito
Eu acho que todos pensam
Ser de pedra ou de borracha
Essa coisa que eu trago no peito
e por mais que eu tente
demonstrar
Eu sempre erro, não tem jeito
Resignado, então, eu aceito
Esta porção de ingratidão
Que me chega todo dia
Faço cara e alegria
Engulo a tristeza
e digo a mim mesmo:
-Bem feito!

Inserida por edsonricardopaiva

Nesses anos que eu tenho de vida
Nunca vi nada perfeito
Pois eu jamais busquei a perfeição
Se algo assim passou por mim
Simplesmente não dei-lhe atenção
Nesses anos que vivi sem atenção
Nem nos meus piores pesadelos
Tive a pretensão de parecer
Artista, Poeta ou algum tipo de eleito
Me contento em ser apenas
Este ser, que alguém fez de qualquer jeito
E que depois desses anos
Enxerga mal, caminha lento,
não dorme de madrugada,
acorda cedo e passa o dia a fazer nada
E tem vivido dias perfeitos
Ciente que a perfeição não existe, pois
Se há no mundo algo perfeito
é exatamente aquilo
Que a gente sabe
Quais são e onde estão
Todos os seus defeitos.

Inserida por edsonricardopaiva

"Não existe nada perfeito, o que mais se aproxima da perfeição são as coisas nas quais a gente sabe quais são e onde estão, todos os defeitos"

Inserida por edsonricardopaiva

Sob meus pés
O pó da Estrada
Onde eu leio meu nome escrito
Amanhã ou depois
Não resta nada
Fica o dito
pelo não dito
E isso vale pra nós dois
Há de se apagar a tinta
e o tempo corrói o pincel
Se tudo isso existe de fato
Não passa de Fato Cruel
Que não vale o pó dos sapatos
Tudo passa
Como passam
as nuvens do Céu

Inserida por edsonricardopaiva

No seio
da Floresta encantada
Não existe nada
No meio desta história
Existe
na minha memória
um triste sorriso de fada
Que apagou-se
e que se foi
Não existe mais encanto
Nem fada, nem nada
Esta história se acabou
antes do fim
Hoje, pra mim
Mais nada resta
Nem Floresta.

Inserida por edsonricardopaiva

Quando o choro vem
Ninguém tem nada com isso
E quando a gente ri
Faz isso sem compromisso
A tristeza está sempre atada
Ao fato da compreensão
O ato de ser feliz
É porque finalmente
Eu não quis saber de nada
Eu olho ao redor e percebo
Que a vida é uma obra de arte
E eu faço parte deste Universo
Sou um verso à parte
desta poesia perfeita
Escondida na luz
Uma pauta de sete cores
e dá vida ao perfume das flores
Quando olho pros lados
O traçado do voo dos pássaros
Finalmente faz sentido
Porém, está tudo escondido
Aos olhos de quem não sente
Amor e gratidão suficientes
A fatalmente iluminar o coração
e despertar nele a certeza
de que a vida
É a mais perfeita canção
e nela está inserida
em cada oração de letras escondidas
Muita beleza
a passar despercebida.

Inserida por edsonricardopaiva

Não sei dizer
Quantos anos vivi
E creio que ninguém saiba
Eu acho que nada explica
Aquela coisa pequena
Pura e boa
Que em dado momento
a gente vive como coisa à toa
Mas...por mais que o tempo passe
Ela fica:
Minha mãe ao meu lado
Nós dois escorregando num Tobogã
A primeira vez
Que eu vi cada irmã
A namorada me dizendo
Que estava tricotando pra mim
Uma touca de lã
Esses pequenos pedaços
de coisas alegres e bonitas
Que não deixamos escritas
é que definem quem somos
E vão morrer junto com a gente um dia
Pois se desta vida algo se leva
Não é rancor nem sofrimento
Porém, aquilo que a alma eleva
Resume e faz valer uma vida
Mesmo que dure
Somente um momento

Inserida por edsonricardopaiva

Como se fosse
Um poema onde nada rima
Algo além do limite
Um dia sem Sol
Quando termina
A gente permite que Ele se vá
E chega a hora da despedida
Há coisas na vida
Que parece começarem pelo fim
E vai correndo ao avesso
desde o começo
Não se encaixa...desafina
Quando o coração se permite
Permanecer eternamente
Qual coração de criança
dança e ri
Com a canção desafinada
E sem querer saber de nada
Segue rindo da cara da sorte
Pois não há corte
Que não cicatrize
diante de uma boa risada
Ria sempre de volta pra vida
Não há tristeza que suporte
Um sorriso insistente
de sorte
Que um dia
A tristeza acaba rindo com você
E tudo acaba em alegria

Inserida por edsonricardopaiva

Sinceramente
Não existe nada de moderno
Nas coisas que eu sinto, que eu vejo
e que eu digo.
Porém, eu as simplesmente digo
São estas as regras que eu sigo
E se alguém vai aceitar ou concordar
Honestamente: Nem ligo
Vou seguindo modestamente
meu rumo
Dizendo discretamente
quais são aquelas coisas
Tantas...não sei dizer quantas
Com as quais
Eu morro
Mas não me conformo
e desesperadamente
Não posso aceitar
e humildemente
não me acostumo.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu sou alguém
Que não duvida de nada
Porém,
ao longo desta longa Estrada
Aprendi
Que não existem certezas
Nem Neste e nem Noutro Universo
Pois mesmo este Imenso Infinito
Pode nem ter sido escrito ainda
De Sorte
Que eu não duvido da morte
Mas creio somente em vida
E duvido
de todo mundo que diz
Que duvida
Portanto
Minha dúvida mais acertada
Por enquanto
É aquela que diz
Que Neste Universo
Antes que haja certeza
da existência
desta vida
Não há que se duvidar
de nada

Inserida por edsonricardopaiva

Hoje eu não tenho nada
E mesmo se hoje eu tivesse
Não sei se saberia o que fazer
Assim como fui fazendo sem saber
As coisas que fiz
Agora eu entendo que não sabia
A vida nunca depende somente
das coisas que a gente faz
Muito menos do que deseja
Cada vida é um mundo
E todo mundo, igual a mim
Também não tem nada
Além da ilusão
Em ter aquilo que não tem
Mas poucos mais
Além de quase ninguém
Procura perceber
Que por mais imagine ser
Não passou de possuir uma mera ilusão
Uma espera ansiosa
Uma palavra mal falada
Um egocentrismo
A busca por algo além
Que somente os levou a nada
E hoje, sem nada
Igual a mim
Dentro de um Universo vazio
Eu olho de longe posso ver
Se conseguisse, eu poderia rir
das promessas sem sentido
Que seduzem
As mentes de quem somente
Tornou a vida a cada dia mais vazia
devido às próprias decisões
Eu hoje não tenho nada
Mas posso ver e sentir
Tamanha aflição
de quem um dia pensou ter tanto
Enquanto perdia
Por obra das próprias mãos
O que um dia pensou ter de sobra
A vaidade é uma cobra de duas cabeças
e destila o veneno que te mata
Na saudosa visão do que se foi
Que começa a doer
A cada palavra e cada mentira vã
A cada vez que a própria ira
Te faz cair de joelhos
E sentir vergonha
Em olhar o próprio rosto
No espelho de cada manhã.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva