Disputar uma Pessoa

Cerca de 263935 frases e pensamentos: Disputar uma Pessoa

Virtude e dever são duas coisas diferentes.
O dever é uma coerção, a virtude uma liberdade.
Ambas necessárias, claro, solidárias uma com a outra evidentemente, mas antes complementares.

Não pare de pensar na vida como uma aventura. Você não tem nenhuma segurança, a menos que possa viver bravamente, de forma excitante, imaginativa; a menos que você possa escolher um desafio em vez de uma competência.

A maior burrice de um homem é dizer que ama uma mulher. A maior burrice da mulher é acreditar que o homem a ama de verdade.

Toda brutalidade se esvai com uma palavra de carinho.

O anel que tu me deste
Aconteceu em 2005. Eu estava almoçando com uma amiga na cidade onde ela mora, fora do Brasil. Era a segunda vez que nos víamos. Os contatos anteriores haviam sido sempre por e-mail, nos quais tratávamos de assuntos profissionais. De repente, olhei para sua mão e fiz um elogio ao anel lindíssimo que ela usava. Ato contínuo, ela retirou o anel e me deu. "É seu." Fiquei superconstrangida, não era essa minha intenção, queria apenas elogiar, mas ela me convenceu a ficar com ele, dizendo que ela mesma fazia aqueles anéis e que poderia fazer outro igualzinho. De fato, fez. Acabaram virando nossas "alianças": desde então nossa amizade só cresceu.

Meses atrás, Marilia Gabriela entrevistou Ivete Sangalo em seu programa no GNT quando aconteceu uma cena idêntica. Ela elogiou o anel da cantora e esta, na mesma hora, tirou-o do dedo e deu de presente a Gabi, que ficou envergonhada, não estava ali para ganhar presentes e sim para trabalhar. Mas tanto Ivete insistiu, e com tanto carinho, que recusar seria deselegância, e lá se foi o anel da morena para a mão da loira.

Nesta era de acúmulo, egoísmo e posse, gestos de desapego são raros e transformam um dia banal em um dia especial. Não é comum alguém retirar do próprio corpo algo que deve gostar muito - ou não estaria usando - e dar de presente, numa reação espontânea de afeto. Pessoas assim fazem isso por nada, aparentemente, mas, na verdade, fazem por tudo. Por gostarem realmente da pessoa com quem estão. Por generosidade. Para exercitarem seu senso de oportunidade. Pelo prazer de surpreender. Por saberem que certas atitudes falam mais do que palavras. E por terem a exata noção de que um anel, ou qualquer outro bem material, pode ser substituído, mas um momento de extasiar um amigo é coisa que não vale perder.
Estou falando desse assunto não porque eu também seja uma desprendida. Bem pelo contrário. Já me desfiz de muita coisa, mas me desfaço com planejamento, pensando antes. Assim, de supetão, por impulso, raramente. Meu único mérito é reconhecer a grandeza alheia, coisa que também está em desuso, pois sei de muita gente que, ao ver gestos como o de Ivete e o da minha amiga, diria apenas: que trouxas.

Devo estar me transformando numa sentimentalóide, mas o fato é que acredito que esses pequenos instantes de delicadeza merecem um holofote, já que andamos todos muito rudes e autofocados. Desfazer-se dos seus bens para fazer o bem é uma coisa meio franciscana, mas não se pode negar que um pouco de desapego torna qualquer relação mais fácil. E não falo só de bens materiais. Desapego das mágoas, desapego da inveja, desapego das próprias verdades para ouvir atentamente a dos outros. Não seria um mundo melhor?

Bom, o anel que minha amiga me deu seguirá no meu dedo, nem adianta vir elogiá-lo pra ver se o truque funciona. Faz parte da minha história pessoal. Mas posso me desprender de outras coisas das quais gosto, basta que eu saiba que serão mais bem aproveitadas por outras pessoas. É com esse espírito de compartilhamento que encerro essa crônica desejando a todos os leitores um Natal com muitos presentes - mas no sentido de presença. Que na sua lista de chamada afetiva estejam todos ao seu lado, brindando o que lhes for mais importante: seja o nascimento de Jesus, ou a reunião familiar, ou apenas mais uma noite festiva de dezembro, ou um momento de paz entre tanto espanto, ou simplesmente a sensação de que uma inesperada gentileza pode ser o melhor pacotinho embaixo da nossa árvore.

"Foi uma certeza abstrata que me fez chegar a uma desilusão... "

Uma ausência, um vazio, uma dor sem nome, sem fim, sem explicação. É uma dor de lembrança, coisas que um dia preencheram todo o vazio que agora dói em mim... Momentos que me faziam feliz, palavras que eu gostava de ouvir. Foram tempos únicos, que deixaram um vazio insuportável dentro de mim. Como se me faltasse a peça principal, e então, todos os dias eu lembro. Tantas mudanças, idas e vindas, novidades… Por quanto tempo? O que eu fiz de errado? Eu era feliz na minha tranquilidade mesquinha, no pouco que já me fazia inteira… Ele é uma ausência em mim. Pensar nele me provoca dor, minhas lágrimas descem quentes sobre meu rosto, parecendo queimar tudo o que ainda restava, cada vez mais… e a saudade vai crescendo, o tempo vai passando. Ele está tão bem, tão feliz. Foi tão insignificante assim tudo o que fui pra ele um dia? Meu Deus, como dói o vazio… Fica cada dia mais difícil percorrer as pequenas lembranças que ainda me restaram… o cheiro, a textura do cabelo, aquele sorriso, covinha, um dia em que eu pude te ver o tempo todo… Foram momentos que me deixaram feliz, mas que eu não ligava em aproveitar, absorver o máximo… Eu estava feliz, me sentia feliz, e era tudo o que importava. E hoje, foram embora os momentos, sorrisos, e as lembranças vão se apagando cada dia mais… só sobra a ausência, que é meu travesseiro durante a noite. E eu continuo pensando em você. Te amando.

Claro, pode ser amor! Mas pode ser uma baita frescura também.

Há um limite onde a paciência deixa de ser uma virtude

Esquecer é uma forma de aprender.

Parece estranho, mas é verdade.
Sempre que me esforço para esquecer alguma coisa, de alguma forma eu me exercito nos horizontes do aprendizado.
Esquecer faz bem.
É uma forma de abrir espaços para as novidades que ainda estão por chegar em nossas vidas.

[...] É bom esquecer o que não foi bom, o que doeu, o que fez sofrer, mas vez ou outra a memória resgata a informação esquecida e a transmuda em aprendizado que vale à pena.
A dor, distante da hora em que doeu, torna-se uma tradução bonita do que chamamos maturidade. [...]
Dois pensamentos não podem ocupar o mesmo lugar na mente. É só uma questão de escolha...

Na utopia é fácil esquecer-se da realidade. Uma é a vida e sete são os mares. Náufragos, temos a escolha do que fazer com o fôlego que nos foi dado, e é a escolha que nos dá a oportunidade de pôr fogo na embarcação. Queimar os navios. Deixar nossa vida de lado ao entrar mata adentro em terras em que a ganância reina, onde o sangue do justo é derramado e o respeito à vida é deturpado. Já dizia o mestre que passou por esta mesma trilha: "aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida, achá-la-á".

Usar recursos digitais não é garantia de aprendizagem. A tecnologia é mais uma ferramenta, que precisa do talento do professor , interesse do aluno e o acompanhamento da família!

Uma rotina mental e espiritual saudável é o que sustenta a vida quando o mundo exige demais. É nela que organizamos pensamentos, acalmamos emoções e realinhamos o coração. Quando cuidamos da mente e do espírito diariamente, criamos um lugar seguro dentro de nós para enfrentar o que vem de fora.


Metas diárias, mesmo pequenas, têm um poder silencioso. Um momento de leitura, uma oração, um pensamento alinhado, um silêncio respeitado. Nada muda de uma vez, mas tudo muda aos poucos. A constância transforma o que hoje parece pesado em algo possível amanhã.


Viver bem não é sobre grandes viradas, mas sobre escolhas simples repetidas todos os dias. É assim que uma vida se cura, se fortalece e floresce, passo a passo, de dentro para fora.

-E o leão se apaixonou pela ovelha.
-Uma ovelha idiota.
-Um leão, doente e mazoquista.

Minha dificuldade é apenas uma - enorme - dificuldade de expressão.

⁠Cada momento que temos é uma chance de algo novo.

Aula de vida

Na faculdade da vida
de tudo pude aprender.
Cada aula, uma lição,
cada lição, um dever.
As provas me machucando,
mas quem aprende apanhando
pode ensinar sem bater.

Bráulio Bessa
Um carinho na alma. Rio de Janeiro: Sextante, 2019.

Os erros são quase sempre de uma natureza sagrada. Nunca tente corrigir-los. Pelo contrário: racionalize-os, compreenda-os a fundo. Depois disso, lhe será possível sublimá-los.

"Resolvi que todas as vezes que praticar uma ação visivelmente má, analisarei a mesma até chegar a sua causa original e então me esforçarei cuidadosamente para não repeti-la, bem como para lutar e orar, com todas as minhas forças, contra o que a originou."

Enquanto houver livros nas prateleiras, você nunca estará presa. Cada livro é uma chance de escapar.

A Biblioteca da Meia-Noite (livro)
HAIG, Matt. A biblioteca da meia-noite. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2021.