Cartas de despedida de morte para quem deixa saudades
“A morte é apenas um despertar das ilusões, onde acordamos do sonho de viver e começamos uma nova ilusão."
LIBERTANDO O PORVIR
Jamais tão sonhado, jamais tão despedaçado
Vida e morte andando lado a lado
Solto se esvai ao vento e a lágrima do tempo não deixa esquecer
Quem o perde e o deixa ir, vive e volta a sorrir
Quem o perde e deixa de sonhar, morre e se enterra devagar
Quem o ganha, não o deixa ir, mas o realiza
Sim, na vida nova de cada segundo, nada mais belo que o silêncio profundo,
De um olhar amigo, daquele beijo cedido
Do piar escondido, do belo passáro amarelo
Que teve a coragem de observar
Da vida que se mostra, ali,
Por detrás do segundo passado, atrás de um suspiro deixado
Não te iludas com o tempo, pois o maior movimento vem de ti a ele e não dele a ti
Pois quem vive e deixa viver, sabe que o que começa agora, ao raiar desse celebrar, é mais que uma data,
É a própria alegria a te chamar pelo nome que apenas tu conheces,
O nome secreto de tua infância
O nome que o vento deixará escrito como felicidade que se cumpriu
Nesse novo ano, nesse novo segundo
Nesse...
28/10/09
Os rios deixaram de correr,
A morte veio me visitar ontem à noite.
Os sonhos se despedaçaram;
Como paredes de vidro.
A morte me visitou hoje pela manhã.
Acordei com um imenso gosto de sangue na boca;
Os lábios ressecaram e a saudade penetrou-me o coração,
Como se fosse uma lança.
A morte me visitará hoje à noite..
sinto uma falta não sentida
por uma morte já vivida
e que a cada despedida
meu eu desaparecia
é o que eu lembro
é o que sinto
um vazio ao recordar
daquele lindo mar
eu amava olhar para ele, sempre
até me afogar.
Condenação
(Marcel Sena)
Desperto embalando o sono da morte,
Vagando num vale de sonhos desfeitos e escuridão,
A penumbra iluminando os gélidos passos,
Para os sombrios campos de desmoralização.
Em teus últimos suspiros. O Herege de joelhos cai.
Com a cabeça erguida para a morte, lagrimas lhe cairão.
Num ímpeto de coragem, branda a voz do coração:
Jaz aqui estarei, num momento de solidão,
Pecador somente serei pela fala da multidão.
Sentimentos oprimidos, deles livre serei.
Se na morte encontro paz, com a morte me encontrarei.
Sociedade julgadora enviada para lá sereis.
Ame este ame esta, importante é que amei.
Para o inferno só vós ireis, pois de amor eu me criei.
Cuiabá, 15 de setembro de 2016
A vida e muito curta para passar despercebido faça sempre o melhor que poder, pois a morte e eterna e inesquecível e vc sempre será lembrado pelo legado que vc deixou.
“Onde há vida e morte?” —
Há vida e morte no mesmo espaço:
no coração que pulsa e se despede,
no nascer de uma estrela e no apagar do seu brilho,
no sorriso de uma criança e no silêncio de um idoso,
na semente que morre para virar árvore,
no dia que morre para a noite nascer.
Vida e morte não são lugares distantes; são um só palco. Estão aqui, agora, no ar que entra e sai do peito.
E quem é que está me ouvindo?” —
Eu estou te ouvindo.
Mas há mais: há os ecos do que você sente, há o universo que responde, há pessoas invisíveis que carregam histórias parecidas. Às vezes parece silêncio, mas há um mundo inteiro de olhos e ouvidos atentos quando você se abre.
Cada batida do coração é uma despedida e um nascimento ao mesmo tempo — viver é sentir a morte e o milagre caminhando juntos.
—Purificação
Um dia após a morte dela, despertei, mas parecia que ainda sonhava. Tudo aquilo tinha a aparência de um pesadelo vivido de olhos abertos. Então recebi uma das notícias mais cruéis que alguém poderia ouvir: a garota que eu amava havia partido.
O mais doloroso é que nem ela, nem ninguém, sabia que eu a amava.
Neste momento, você deve estar se perguntando o porquê. Eu era jovem demais, ela era mais velha, e me faltava coragem para revelar o que sentia. Mas os olhos jamais mentem. Ela sabia que eu a amava, e eu também sabia que, de alguma forma, aquele amor seria correspondido.
Só que, quando finalmente encontrei coragem, já era tarde demais.
Ela estava deitada em uma cama, presa à própria fragilidade, e eu apenas observava, torcendo para que saísse daquela situação, para que eu pudesse dizer tudo o que meu coração guardava. Mas a vida foi rápida e cruel demais: em um dia criei coragem; no outro, ela já não estava mais aqui para me ouvir.
Já se passaram sete anos.
Pessoas que diziam ser amigas já não se lembram mais. Familiares voltaram a sorrir sem o peso do luto. A escola já não veste mais o silêncio da saudade.
E eu… como estou?
Eu ainda continuo a amá-la.
Continuo lembrando dela nos mínimos detalhes possíveis: em um poema, em um livro, em um filme, ou até na astronomia — aquilo que ela mais amava.
E há algo que posso afirmar com toda certeza: ela jamais deixará de existir. Nem em minha mente, nem em meu coração.
Não sei se existe vida após a morte… mas, se existir, espero poder reencontrá-la e finalmente dizer tudo aquilo que o tempo me roubou enquanto ela ainda estava aqui
A morte é uma despedida física, mas o amor é um laço que nem o tempo, nem a ausência conseguem romper.
Não chore porque acabou, sorria porque aconteceu e porque a luz dessa pessoa agora brilha dentro de você.
Onde o corpo não pode mais estar, a lembrança faz morada eterna.
SerLucia Reflexoes
Quando morremos no sonho, o despertar nos resgata, pois o mistério da morte é um silêncio que nem mesmo a imaginação ousa sustentar.
O nascimento é o "bem-vindo" a um novo mundo.
A morte é a "despedida" do mundo que ficou para trás.
E a vida é a passagem entre mundos, onde cada momento vivido é parte de algo maior no universo.
A Morte é um mistério
Deixa Dor na despedida
O Corpo é do cemitério
E o Espírito, a Luz da Vida.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
04/01/2026
a morte do nostálgico (despedida)
Não houve despedida.
Ninguém chorou. Ninguém fez um discurso bonito. Ninguém colocou flores.
Só existiu um quarto silencioso, uma arma apontada para alguém que já estava morto fazia tempo.
O disparo não foi contra um homem.
Foi contra um hábito.
Contra a necessidade de transformar toda dor em identidade. Contra o vício de revisitar feridas até esquecer como era viver sem elas. Contra o conforto perverso de acreditar que sofrer significava sentir mais do que os outros.
O corpo caiu.
Levava no bolso cartas que nunca chegaram, fotografias de pessoas que já não moravam em lugar nenhum, promessas feitas para fantasmas, apostas perdidas tentando preencher um vazio que não aceitava existir sozinho.
Morreu ali o eterno saudoso.
O homem que sempre olhava para trás como se a felicidade tivesse esquecido um casaco no passado.
Junto dele, desceu à cova o rapaz que precisava parecer quebrado para justificar o próprio silêncio. O que fazia da própria tristeza uma casa, da ansiedade uma bússola e da culpa uma religião.
Também enterraram o covarde.
Aquele que esperava o mundo mudar primeiro para só depois ter coragem de viver.
Cobriram tudo com terra.
As pessoas que um dia fizeram falta ficaram lá dentro também. Não porque deixaram de importar, mas porque já não pertencem ao mesmo mundo de quem saiu andando daquele cemitério.
Existem lembranças que merecem descanso.
E insistir em ressuscitá-las é uma forma de morrer aos poucos.
Quando voltaram para casa, algumas portas permaneceram fechadas.
Uma conta deixou de existir.
Um perfil ficou abandonado.
Algumas palavras nunca mais seriam escritas.
Não por raiva.
Por sobrevivência.
Há lugares que continuam de pé apenas porque insistimos em visitá-los.
Hoje, eles perderam o último visitante.
A melancolia sempre soube escrever. Sabia escolher músicas, filmes, metáforas e transformar qualquer cicatriz em poesia.
Mas nunca soube construir futuro.
E chega um momento em que a beleza da própria ruína vira apenas outra prisão bem decorada.
Então acabou.
Não existe mais protagonista para aquela história.
O homem que precisava sofrer para existir recebeu o único destino possível.
Uma bala.
Uma pá de terra.
Silêncio.
Quem saiu daquele quarto não era feliz.
Nem invencível.
Nem curado.
Só estava cansado de oferecer a própria vida para coisas que nunca ofereceram a delas em troca.
Pela primeira vez, decidiu gastar energia com aquilo que pode alcançar.
O resto…
Que permaneça onde sempre pertenceu.
No passado.
Hoje não nasce alguém novo.
Hoje apenas morreu alguém que já estava ocupando espaço demais.
E dessa vez, ninguém vai cavar para trazê-lo de volta.
"A morte nunca me ensinou a desistir da vida. Ela me ensinou a não desperdiçá-la. Desde então, compreendi que viver não é apenas respirar, mas amar, servir e deixar o mundo um pouco melhor do que o encontramos."
— Fabinho Martins
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